Archive for Junho 19th, 2009
Como fazer uma grávida chorar
Fazer uma grávida chorar é a coisa mais fácil do mundo. Mais fácil que roubar doce de criança. Que mentir a idade. Que fazer post anônimo em blog. Na gravidez, os hormônios ficam numa alta de fazer inveja aos investidores da Bovespa. Bem que eles gostariam que as ações valorizassem no pregão na mesma proporção em que os hormônios tomam conta do corpo da grávida. Hormônios unidos, jamais serão vencidos. E a vida vira uma aventura de 9 meses numa montanha-russa. Em questões de segundos passo da gargalhada histérica ao choro convulsivo. É assustador. Se eu fico assustada, imaginem só os mortais-não-grávidos à minha volta.
Enfrentei essa síndrome da manteiga derretida antes mesmo de saber que estava grávida (como já contei pra vocês no post Sintomas de Gravidez). Chorava até quando via comercial de margarina. Tinha hora que sentava na beirada da cama e chorava…chorava… Meu marido vinha angustiado: “Que foi? O que houve?” “Nada…(soluço)…na…(soluço)…da“. Ele não se dava por vencido: “Como assim: nada? Então por que você tá chorando?” Ai, minha metade, não faça pergunta difícil numa hora dessas, só me abraça e pronto. Como é que eu ía saber o que tinha acontecido? Não sou capítulo do House MD pra entrar no meu corpo e visualizar os hormônios atacando o reservatório de lágrimas, pô!
Depois esse chororô todo deu um tempo. No lugar dele, apareceram outros sintomas (de fazer chorar): azia, enjoo, sono sem fim, dores nas costas. Mas nos últimos dias a vontade de chorar voltou com tudo. E junto com ela vieram meia dúzia de caixas de lenços de papel e uma certeza: TPM de grávida é a pior que existe.
Gorda chorona
Trabalho em casa e raramente preciso encontrar meu chefe (essa é a parte boa da história). Nos falamos por e-mail, messenger, telefone, telepatia, sinais de fumaça. Ele não me via havia dois meses. Hoje telefonou cedo e pediu pra eu dar uma passada lá por que tinha que falar algo pra mim. Fiquei em êxtase, achando que iria receber meu pagamento, atrasado como sempre (essa é a parte ruim da história de não ter contrato e trabalhar em casa, de pijama). Na hora já me imaginei no shopping, me esbaldando na sessão de lingerie para senhoras. Lá estão as melhores calçolas (não da pra usar o diminutivo calcinhas para falar daquelas verdadeiras barracas de camping, que parecem bermudas, de tão imensas) tamanho G, 100% algodão. Botei meu modelito grávida-operária, passei mais protetor solar e fui ao encontro da minha grana.
Assim que entrei no escritório, a secretária abriu um sorriso, levantou, pôs a mão na minha barriga e falou: “Menina, você está linda! Três meses?” Sorri de volta. Menina e linda na mesma frase. Definitivamente essa mulher está na minha lista de presentes no Natal. “Nããããõoo, já completei 4 meses. Na verdade, 18 semanas hoje!” Ela avisou o chefe que eu já havia chegado e ficamos ali num papinho básico sobre gravidez, fraldas, etc. Foi uma aula (ela passou quatro vezes por isso e tem dois netos). Fomos interrompidas por dois toquinhos no telefone: senha do chefe que significava “chega de papo e entra aqui na minha sala”.
Dei duas batidinhas na porta, rodei a maçaneta e entrei. Depois de ouvir “menina” e “linda”, estava me sentindo estrela principal do São Paulo Fashion Week. Cabelos sedosos ao vento, pelo rosada, sorriso branco. Um verdadeiro comercial de xampu. Mas xampu para grávidas:
- Nossaaaaa! Como você tá gorda!!!
Não acho que ele fez por mal. Ele gosta de mim (na maior parte do tempo) e eu sou uma boa prestadora de serviços (na maioria das vezes). Acho que foi desconhecimento de causa, mesmo. O cara não tem nem 30 anos, é solteiro (encalhado, na verdade), meio nerd, um tipo esquisito. Mas muito eficiente no que faz. Se bem que depois dessa, eu acho que ele deveria passar a trabalhar com demolições. Por que eu desabei segundos depois. Comecei a chorar ali, parada, em pé, na entrada da sala. “Que foi? Tá sentindo mal?” Chama a secretária. Falo que é só nervoso. Oferecem água com açúcar. “Açúcar não!!” Pronto, né? Me chama de gorda e dá sacarose em seguida? Abana, sopra, respira. Lava o rosto. Passou. Peço desculpas, envergonhada. Explico que são os hormônios.
De volta aos negócios, chefe. Pra que me chamou aqui? (Além de me jogar na
parede, me chamar de lagartixa gorda e me fazer pagar o mico de chorar na frente de todo mundo?). Pensei que reencontraria a felicidade no cheque que ele ía me dar. Mas não! Aquele homem tinha tirado a manhã para me torturar: “Nós perdemos o contrato com empresas importantes…blá blá blá…crise….blá blá blá…cortes….blá blá blá…este mês….blá blá blá…vermelho….” Enfim, enrolou uns dez minutos para finalmente me perguntar se eu poderia esperar mais duas semanas pelo cheque (que já está 12 dias atrasado). Cla-la-ro que comecei a chorar de novo. Desta vez não foi culpa dos hormônios. Era o meu bolso vazio doendo. Ó lingerie 100% algodão, espere por mim. De preferência na banca de promoções!
Post Scriptum- Sabe a foto da Jessica Alba lá no topo do post, fazendo para os fotógrafos o que eu tive vontade de fazer para o chefe? Encontrei num texto na internet que tem o título: Gravidez deixa Jessica Alba furiosa. Se quiser ler o original, clique aqui.
11 comments 19/06/2009

