Archive for Junho 23rd, 2009
O parto de Naninha
Tô desidratada de tanto chorar ao ler o relato do parto de Naninha. Foi tão emocionante imaginá-la a caminho do hospital. Depois li de novo e me imaginei no lugar dela, minutos antes de finalmente ver o rostinho do meu bebê…para para para que já vou chorar de novo. Vai lá ler pra ver se você não chora também. Vai lá, então, enquanto eu tomo uns litros d´água pra repor o que perdi: Blog da Naninha.
Add comment 23/06/2009
(Falta de) Sexo na gravidez
Tirem as crianças da frente do monitor que hoje o assunto é SEXO.
Neeeeem adianta se animar, colega, sossega o facho por que, na verdade é sobre falta de sexo. De falta de vontade de fazer sexo. Broxante, né?
Já ouviu falar naquela história de que mulher grávida vira ninfomaníaca, ataca o marido (ou seja lá quem for) duas ou três vezes por dia? Meu marido já ouviu e acreditou. Tadinho, mas logo descobriu que é tudo lenda. Tenho até uma teoria de como tal lenda surgiu: foi inventada por uma mulher que queria muito engravidar, mas o marido não estava de acordo. Para convencê-lo, ela mentiu e afirmou que gravidez aumenta a libido da mulher. Claro que o marido topou na hora ter quantos filhos ela quisesse parir.
Pior é que o cara deve ter cobrado isso da mulher a gravidez toda. Pior nada. Bem feito pra danada, que teve de pagar caro pela invenção. Infelizmente, as outras grávidas que sucederam aquela mentirosa cara-de-pau também pagaram a conta e continuam pagando até hoje. Como eu. Aliás, não como (se é que você entende * risadinha maliciosa *).
Como toda regra, claro que há exceções e imploro a elas que não se manifestem. Sejam solidárias à grávida assexuada que vos escreve e não entupam minha caixa postal com histórias pervertidas de como transaram como doidas durante a gravidez. Contar dinheiro na frente de pobre é maldade.
Meu marido apareceu aqui semanas atrás com uma revista Pais&Filhos, todo sorridente. Estava achando tão lindo, romântico e fofo ele lembrar de mim e trazer presente quando o tarado apontou uma das chamadas de capa da revista: “Pesquisa revela que gestação pode ser afrodisíaca”. Pedi para ele concentrar na palavra principal daquela frase. “Hmmm…hehehe…afrodisíaca?”, perguntou, já me agarrando. “Não“, empurrei o afoito. “A palavra-chave aqui, cara-pálida, é PODE. Isso quer dizer que nem sempre é assim. Aliás, quase nunca é. Pode e não pode ser, entendeu?”. Não gostou, mas entendeu. A reportagem foi a derradeira tentativa de despertar em mim o desejo tarado de transar enlouquecidamente durante a gravidez. Falhou, como todo o resto (melhor não entrar em detalhes sobre todo o resto, fico vermelha só de lembrar).
Ô, dó! Imagino o que meu amado está passando. Desde que casamos a coisa sempre ferveu. Apaixonados de corpo, alma e chantilly. Tarada por ele, ele por mim. Aqui ninguém nunca havia passado vontade. Era um tal de fazer matinê e depois repetir à noite. Perdi as contas de quantas vezes um acordou o outro no meio da madrugada (e quem era despertado nunca reclamava).
Mas atentem para o tempo verbal: “ninguém nunca havia passado vontade”. Agora tem alguém que passa vontade todo dia. E não sou eu (se é que você me entende *risadinha irônica*). Fingir que tô a fim, não finjo. Não tenho vocação pra atriz, muito menos do estilo pornô
.
Fiquei preocupada com a queda repentina de interesse por sexo, ainda mais que estava contaminada pela noção errônea de que as grávidas são ninfomaníacas. Passei as primeiras semanas inteiras esperando baixar em mim essa sanguessuga sexual de marido e nada. “Baixa neste corpo que te pertence, sua tarada barriguda”. Nada. Comprei lingerie nova, acendi velas cheirosas, vi filme erótico. Nada. Ne-nhu-ma vontade de por isso naquilo e aquilo naquela outra. Daí coloquei lá na listinha de coisas que não podia esquecer de perguntar pra médica na segunda consulta: “Por que eu não tenho mais vontade de dar para aquele homem lindo, gostoso e apaixonado, que eu amo tanto? Me salva, doutora!”
Mais uma vez minha paciente médica (entendeu o trocadilho? paciente…médica..ai que bobagem..) abriu um sorriso compreensivo e carinhoso. “Seu corpo, sua mente, seu coração, você inteira está voltada para uma única missão: gestar um novo ser. É normal não sobrar espaço para nenhum outro interesse na sua vida. Sem falar na confusão hormonal que acontece.” Ela explicou ainda que essa história de grávida ninfomaníaca não é tão verdadeira quanto as pessoas pensam, depende muito de cada mulher, do quanto a gravidez foi desejada, de fatores psicológicos, físicos, dos hormônios, etc. E jurou que relatos como o meu são muito mais comuns no consultório dela. (Ahá, mas claro, né, só faltava alguém chegar no consultório reclamando que não aguenta mais tanta vontade de fazer sexo…)
Além do mais, lembrou que no início da gravidez é praticamente impossível ter desejo em meio àquela confusão de náuseas, sonolência, dor nos seios, enjoos, mau humor, vontade de chorar, fadiga. Quando tudo isso passa, a barriga já cresceu e aí vai ficando cada vez mais complicado achar posição confortável, agir com naturalidade, aceitar que a cinturinha desapareceu e se sentir sexy na calcinha tamanho G (100% algodão). 
Claro que meu marido entendeu tudo, por que é compreensivo e apaixonado. Mas, em todo caso, invoquei a sagrada promessa do passado: “Fiel na tristeza, na alegria, na saúde, na doença… viu, amor? Em nenhum momento foi prometido algo como ‘farás sexo durante a gravidez’, né?” Ele entende e respeita minha falta de vontade. Assim como entendo o que ele está passando. A gravidez me deixou com muito mais peito, bunda, coxa. Imagina só a situação: o playground foi reformado, parece tão mais colorido e divertido, e ele não tem direito de brincar? Sacanagem, né? Ahá, bem que ele queria que fosse sacanagem. Mas não rola. Hoje pelo menos, não.
Dá pra contar nos dedos da mão esquerda quantas vezes transamos nos últimos quatro meses. Por um lado é bom, por que assim a mão direita fica livre pra fazer por ele o que eu não faço (se é que você me entende) Nas poucas vezes que tive vontade, não aproveitei como merecia. Fiquei com medo. EU SEI. EU SEI. Não precisa dizer que não tem perigo para o bebê, a não ser em casos específicos, por ordem médica, no final da gestação (por que estimula contrações), blá blá blá. Também li sobre o assunto. O lado lógico do meu cérebro sabe de cor essa lição sobre como sexo na gravidez é saudável, permitido, etc. Mas só na teoria. Na hora da prática fico tensa toda vez que lembro do bebê. Bobagem? Pode até ser, mas na hora não parece. Bem que eu quero, mas não rola um “relaxa e goza”, Marta Suplicy!
Talvez isso mude mais pra frente (prometo que conto aqui se me transformar numa grávida tarada uivando na noite de lua cheia) Mas até lá, a coisa funciona da seguinte maneira:
-> Muito banho frio (pra ele, não pra mim,né?)
-> Não deixo a mulherada safada e tarada (e não-grávida, portanto) do escritório do marido saber da fase “seca” dele. Lá já fiz questão de divulgar o quanto fiquei insaciável depois que engravidei.
-> Evito sempre que possível que o marido tenha acesso a pesquisas e reportagens que incentivam a lenda da grávida ninfomaníaca. Sem acesso ao Google até o bebê nascer, portanto.
-> Matriculei o marido numa academia pra ele gastar bastante energia lá e ficar tão exauso e desinteressado em “exercícios físicos” quanto eu. (Pesquisei antes e descobri um horário “seguro”, sem mulheres lindas-suadas-malhadas-disponíveis, por que aí o tiro sairia pela culatra, né? E não seria pela minha culatra, então não pode.)
-> Proibi o marido de ler o blog da LuBrasil, por que se ele vir as fotos do Dia dos Namorados de lá vai achar que toda grávida deve usar lingerie vermelha e fazer sexo selvagem. Como, por enquanto, aqui em casa isso é lenda, melhor restringir o acesso. Em todo caso, se ele acessar o blog, vou apelar para a teoria de que o casal Brasil não é real, bom demais pra ser verdade. Ou que a Lu é mentirosa compulsiva. Ou que lá no Pará é diferente do resto do país, lá as grávidas transam. (não, essa não é boa, por que ele vai querer mudar pra lá e eu vou morrer de saudade de mainha..)
-> Comprar jogos novos para o Wii e o Playstation pra ele ter com o que brincar enquanto meus brinquedos estão fechados pra balanço
-> Liberar os amigos pra assistir a todos os jogos de todos os campeonatos (até o varzeano) aqui em casa, com direito a salgadinhos, cerveja gelada e muita bagunça. Assim os amigos retornam de madrugada pra suas casas, totalmente bêbados e fedidos e no dia seguinte meu marido não é o único a reclamar que não transou com a mulher.
25 comments 23/06/2009