Posts filed under: ‘Alimentação na gravidez‘




Cem gramas II, a missão

exercicioContinuo a divagar sobre o post Cem gramas (ou a Dança da Balança):

Quando engravidei pesava 60 kg. Não era nenhuma top model, mas as poucas gordurinhas estavam bem distribuídas. Tinha barriga tanquinho, coxas torneadas, bumbum sarado. Treze quilos a mais (e cem gramas…não vamos esquecer dos cem gramas!) em sete meses têm uma consequência direta e dolorida nas pernas, na circulação e nos ossinhos de uma vertebrada acostumada a carregar bem menos peso. Sem falar na falta de equilíbrio (emocional e físico).

Para me defender das broncas da médica (que esperava que eu engordasse 12 kg em 9 meses), desenvolvi muitas teorias e apresentei algumas para a minha obstetra-puxadora-de-orelha-de-grávidas-gordinhas.

>>> Pausa para um adendo

Tenho uma teoria sobre a obstetra também. Esbelta magrela como é, certamente ela tem raiva das pessoas carnudas e gostosinhas como eu. Aposto que sempre sonhou em ter estas coxas de mulher-melancia (melancia um tantinho “passada”, é verdade), estes peitos bovinos (existe vaquinos?) e esta anca de rinoceronte. Então a gente não pode levar muito a sério quando ela dá bronca por conta de inocentes quatro quilinhos (e cem gramas) a mais em um mês. Pessoa vingativa que é, ela dá bronca, critica a alimentação desta grávida esfomeada e ainda levanta suspeitas de doenças graves como diabetes gestacional falta de vergonha na cara.

A boa notícia é que a primeira foi descartada após a realização de um sádico exame durante o qual a vítima grávida  ingere um pote de açúcar e depois é furada seguidamente. A má notícia é que a segunda doença (falta de vergonha) não tem cura. Então meu acesso à sorveteria continua liberado. Já estou estudando com meus advogados um processo por danos morais e alimentícios contra o dono da sorveteria, um dos culpados pelos meus três quilos a mais no sexto mês de gestação e pelos quatro quilos (e cem gramas) a mais no sétimo mês. Se ganharmos a causa, vamos receber o pagamento todo em banana split.

Fim da pausa para o adendo<<<

Enfim, desenvolvi algumas teorias para justificar as mudanças estruturais (também conhecidas como “aumento rápido da gordura localizada” ou “como me tornei uma rolha de poço”) durante a gravidez:

1)  Projeto Arquitetônico

Sou muito “miudinha”. Ombros pequenos, cintura muito fina (acho que deveria ter escrito que eu era muito miudinha), pouco bumbum. De repente, este corpo miúdo deu de cara com a grata missão de gerar, alimentar e carregar um menino que, segundo os exames já mostraram, deve nascer com um peso e uma altura acima da “média”. Como esse trabalho está sendo realizado na região do abdômen, é natural que o corpo providencie um alargamento das bases (coxas, bundas, pernas e pés) da estrutura. Afinal, não é preciso ser um Niemeyer para entender que a base precisa ser proporcionalmente forte para suportar o peso que é colocado sobre ela. Então o que alguns chamam de gordura excessiva, eu prefiro(arquitetalmente falando) chamar de Processo de Ampliação da Base do Sistema Gestacional.

>> (A magra obstetra riu dessa teoria, mas acho que foi pra disfarçar o fato de que ela não entende nada sobre projetos arquitetônicos)

MulherPolvo

-2) Ritmo lento

Sempre fui muito dinâmica. Pessoa-polvo mesmo. Fazia mil coisas ao mesmo tempo. Trabalhava o dia todo, estudava e cuidava da casa. Conseguia, simultaneamente, passar roupa, falar ao telefone, estruturar um novo projeto no computador, cozinhar feijão, matar um pernilongo, depilar as pernas, tirar as cutículas, reclamar do calor, assistir à televisão, criticar os impostos (deixem minha poupança em paz) e monitorar a máquina de lavar roupa. Além disso, fazia caminhada e natação. Quando engravidei, a médica profetizou: deitarás e gerarás. Viu? Tudo culpa daquela magrela invejosa, de novo! Durante os três primeiros meses de gravidez, por sugestão dela, reduzi o ritmo. Não corri, não pulei, não passei rodo no chão da casa. Parei com os exercícios, ingeri vitaminas e ácido fólico. Os primeiros três meses da gestação são os mais frágeis, descanse e observe sua barriga crescer, disse a médica. Foi o que eu fiz. Deitei no sofá com um bom livro e alguns excelentes dvds e curti. Não! Ela não tinha orientado algo do tipo “aproveite que está em casa e abra a geladeira de meia em meio hora para atacar o pudim de leite condensado, o sorvete de manga e o leite gelado com cereal de chocolate”. Isso foi ideia minha! Mas é preciso frisar que em nenhum momento ela deixou claro que isso poderia ser prejudicial, ela nunca disse algo do tipo: “fique longe do sorvete de manga!”

Então eu pergunto: na minha inocência de grávida de primeira viagem, como eu poderia saber que aquelas doces criaturas que moravam na geladeira eram na verdade seres malignos dotados do poder de inchar coxas e bundas?

No final das 12 semanas de gestação, quando finalmente eu pretendia retomar as atividades cotidianas e cansativas como caminhada no parque e pilhas de roupas para passar, houve um sangramento e a médica recomendou repouso absoluto. Friso novamente que ela agiu de má fé ao não me avisar que repouso absoluto na casa da minha mãe significaria quinze dias deitada sendo cevada com os meus quitutes favoritos preparados pela melhor chef do mundo.

>> (Essa teoria também não convenceu minha cética e invejosa médica. Ela argumentou que eu engordei pouco nos primeiros quatro meses. O ganho de peso excessivo só foi registrado a partir do quinto mês, quando eu já havia retomado minhas atividades normais e iniciara a prática de exercícios físicos)

3) Exercício físico aumenta a fome

O argumento da médica em relação à minha segunda teoria abriu meus olhos. Claro: foi justamente quando comecei a fazer hidroginástica que meu apetite aumentou drasticamente e passei a engordar sem pudor (como se outrora tivesse tido algum). Fala aí: quem é que nunca ouviu dizer que atividade na água dá fome? Viu? Culpa da médica mais uma vez. Lá veio ela, envolta em seu modelito ajustado à cintura tamaho 38, dizer que seria ótimo se eu fizesse hidroginástica. Fui para a água pular que nem um peixe-boi peixe-vaca na Piracema, nadando contra a corrente, só pra exercitar todo músculo… e o que aconteceu? Fome triplicada. Em vez de “comer por dois”, depois das aulas passei a comer por três:  por mim, pelo bebê e pela professora de hidro, outra magricela vingativa que me faz andar de um lado para o outro na piscina durante quarenta minutos, sob berros de“mais rápido, mais força, ânimo”.

>> (Nem tive coragem de apresentar essa teoria à médica. Ainda resta alguma vergonha nesta carinha rechonchuda).

DietaSorvete4) Fui vítima de um complô!

Não tive enjoo, nem azia, nem vômitos. Todas essas coisas desagradáveis que impedem a grávida de comer. O que eu tive desde o início, e tenho até hoje, foi fome. Muita fome. Disfarçadas de amigas, mãe, cunhadas e sogra, as cúmplices da minha médica esquelética ficavam (e ainda estão aqui) à minha volta repetindo mantras gestacionais:

- você não está gorda, está grávida!

- você precisa comer por dois!

- depois que o bebê nascer você “perde” tudo rapidinho!

Conclusões do caso:

1)Fora de cogitação fazer dieta durante a gravidez, né? Meu bebê está forte e saudável graças à minha dedicação em nutri-lo diariamente com frutas, legumes, arroz integral, cereais, leite, sorvete, pudins, pães, empadinhas, esfirras e outros suprimentos calóricos. O jeito é seguir com a dieta, pois não posso modificá-la agora. Isso poderia causar um trauma grave no bebê. Ele pode decidir chutar meu estômago com muita força cada vez que eu me recusar a comer um danoninho ou um flan de chocolate.

2) Lá no início da gravidez, quando a médica disse que eu poderia/deveria engordar uns 12 kg no total durante toda a gestação, eu pensei:

- Gente, essa mulher é demais! Cheia de diplomas, super ocupada, profissional dedicada, e ainda encontrou tempo para desenvolver seu talento como comediante.

agora descobri que ela não estava contando piada.

bebefortesaudavel

4)A médica se revelou boa pessoa ao me tranquilizar. Minha maior preocupação com o excesso de peso era prejudicar o bebê ou a hora do parto.  Mas a obstetra garantiu que os quilos a mais não interferem em nada. Sem falar que minha pressão está sempre baixa. Meu bebê está saudável, perfeito e muito serelepe (mexe o tempo todo!!) e isso é o mais importante para mim. Então: tô nem aí, tô nem aí, tô nem aí…

41 comentários 06/10/2009

Que é que ocê foi fazê no mato, Maria Chiquinha?

vacaAra, cumadis e cumpadis,  estou de volta ao mundo civilizado depois de um fim de semana no meio do mato, longe de tv, internet, micro-ondas (o único que fez falta), telefone…Na sexta-feira meu marido chegou em casa com a novidade: havia conseguido o sábado e a segunda-feira de folga e queria ir para o sítio de um primo dele que fica lá onde a gente vira a primeira às isquerda depois do fim do mundo. E ainda tem de atravessar uma ponte.

Nas primeiras horas no sítio não passei muito bem, fiquei sentindo um aperto no peito.  Quase cheguei à conclusão de que estava sofrendo overdose de oxigênio, quando marido disse: “respira, amor, o carro já está parado”. Aí me dei conta que tinha prendido a respiração no início da viagem, com medo da estrada. Bem…não exatamente da estrada, que era até bem pavimentadinha e muito bem cercada de um monte de árvores e outras coisas verdes lindas de se ver, graças à chuvarada dos últimos dias. Tive mesmo foi pânico das carretas imensas que vinham na direção contrária e dos malucos em velocidade absurda que insistiam em ultrapassar nos locais proibidos. Como fomos obrigados a parar de 40 em 40 minutos para eu marcar território fazer xixi, ultrapassamos os mesmos caminhões várias vezes. O número de pit stops foi tão grande que estou pensando até em montar um novo blog, com a avaliação minuciosa do banheiro de cada posto daquela rodovia e também das principais moitas-latrinas (afinal, nem sempre tem um banheiro por perto quando a grávida precisa de um..quem não tem banheiro, caga no caça com matinho mesmo) do caminho.

Foram dias maravilhosos, com os pés descalços, muito sol, passarinhos cantando, água direto da mina e muito beijo na boca. Tá certo que foi um fim de semana romântico a três, mas tenho certeza de que esse chamego todo entre o papai e a mamãe fizeram muito bem para o bebê. Na manhã de domingo tomamos um típico café da manhã do sítio com leite de caixinha e queijo Danúbio. É que grávida não deve consumir leite e queijo que não sejam pasteurizados e marido foi solidário, também recusou os deliciosos mimos in natura quando o caseiro do sítio apareceu com eles para nos recepcionar.  O matuto fez cara de magoado e saiu suspirando um “essa gente da cidade grande não sabe o que é bom”. Pior que sabemos, sim, mas também sabemos que o que é bom pra gente pode ser ruim pro bebê.

Depois do café, sentamos na varanda para assistir ao espetáculo de mais um dia surgindo. Coisa mais linda aquele céu todo colorido com tons de dourado, alarajando, azul e rosa.

- Cada risco parece feito com um pincel gigante, disse meu poeta-marido.

Ao que remedei com minha lógica tecnológica moderna:

- Ou com o Photoshop CS3.

Os pássaros no céu, nas árvores e nas cercas formavam um coral lindo. Coloquei as mãos na barriga e pensei o quanto queria que meu bebê pudesse assistir aquele espetáculo.  Ele certamente ficaria encantado com toda aquela beleza, luz e sons. Estava assim, imersa em amor e leveza, quando algumas vaquinhas se aproximaram devagar, puxando a relva mais suculenta perto da cerca. O silêncio era tanto que podíamos ouvir o ruminar dos animais.

- Essa aí deve ter um bezerrão que mama muito - disse marido, apontando uma vaca malhadinha.

- Como é que você sabe? - perguntei, impressionada esse lado Globo Rural (que eu desconhecia) do meu amado

- Olha só o tamanho dessas tetas, amor…não te lembra ninguém?

Eu não sabia se ria ou mugia para ele. Então fiz os dois. Primeiro gargalhei. Depois soltei um mugido digno de mamífera premiada em feira agropecuária. As vaquinhas pararam de comer e me olharam ressabiadas, de certo olhando minha peitaria e imaginando que eu faria uma grande concorrência no mercado de leite e queijo da região.

18 comentários 01/09/2009

Doce exame amargo

A balança do consultório da minha obstetra é uma dedo-duro. Na semana emgravidabalanca4 que completei 22 semanas de gestação, a maquininha linguaruda me denunciou:  engordei 3 quilos em um mês.  Levei um susto.  A médica tratou de me assustar mais: “o que está acontecendo com você, ganho de peso rapidamente, muita sede e pernas inchadas, podem ser sintomas de diabetes gestacional“.

Recomendou que eu fizesse com urgência um exame de sangue chamado Curva Glicêmica. Já tinha ouvido falar que diabetes gestacional pode colocar a vida do bebê em risco e prejudicar a hora do parto. Comecei a chorar. “A culpa é toda minha, como doce demais, massas demais, não faço caminhadas como deveria…” Didática e paciente como sempre, a médica explicou que não era bem assim, que poderia ser genético ou simplesmente uma reação do meu organismo às mudanças hormonais. Ela falou que a grande quantidade de hormônios produzidos pela placenta gera resistência à ação da insulina no organismo da gestante. Em algumas grávidas, essa resistência é muito alta e aí ocorre o diabetes gestacional, que costuma aparecer por volta da vigésima quarta semana de gravidez.  Por isso mesmo quando não há sintomas, o médico pode pedir um exame para avaliar as taxas de glicose no oganismo da gestante.
O diabetes gestacional pode ocasionar várias complicações para o bebê, como peso elevado ao nascer, e para a mãe, que pode sofrer com pressão alta, aumento do risco de cesárea, eclampsia e desenvolvimento de diabetes após o parto. Quanto antes for detectado o problema, maiores as chances de não haver riscos para o bebê, nem para a mamãe. Se constatada a doença, a primeira providência é modificar a dieta alimentar da mãe.

Fui para a casa chateada. Não conseguia pensar em outra coisa. Estava com fome, mas sentia medo de comer alguma coisa que não fizesse bem para o bebê. É, na minha cabeça já estava tudo resolvido: eu tinha diabetes, teria de controlar a alimentação, meu mundo grávido e docinho havia caído.

Como sempre, a expectativa pelo exame virou um drama Almodovariano na minha cabeça. Sofrer por antecipação é praticamente um hobby para mim. Não que eu goste de ser assim, mas é uma daquelas características natas com as quais a gente é obrigada a conviver a vida toda, por que não há experiência de vida, terapia, nem Floral de Bach que resolva.

Todo mundo dizia que eu não tinha nada. Meu marido, minha mãe…eram unânimes: você não tem nada, você vai ver, esse exame não vai dar em nada. A certeza deles me deixava mais triste ainda. “Ninguém liga pra mim, estou doente e eles não se importam” (ai, TV Globo, olha o talento dramático que vocês estão perdendo aqui).

Eu falava do meu excesso de peso e todos diziam que não parecia que eu havia engordado. “Você está ótima! Não engordou muito, não! “ – ouvia dos parentes, amigos, vizinhos e até desconhecidos na fila do supermercado.

Nos três dias que antecederam o exame, passei a me alimentar melhor ainda do que antes. Cortei o excesso de carboidrato, eliminei totalmente os doces da dieta, comi mais frutas, grãos e legumes. O consumo de arroz integral – que era esporádico – passou a ser obrigatório. Fui uma grávida modelo naquele período. Sou fã de doces e ficar sem minha geleia preferida no café da manhã ou a fatia de bolo do lanche da tarde me deixou meio chateada. Mas eu só pensava na saúde do meu filho.

Grávida mascarada

michaeljacksonmascaraMeu marido nem queria que eu fosse fazer o exame. Ele estava com medo mesmo era de eu pegar alguma “doença de verdade” (era o que ele dizia) na sala de espera do laboratório de análises clínicas, um lugar que vive apinhado de gente com suspeita de todo tipo de moléstia (inclusive a famigerada Gripe A Suína).  A obstetra também alertou sobre esse perigo e orientou para que eu usasse máscara. Me senti meio Michael Jackson, pagando um mico danado com aquela máscara, mas resolvi não arriscar. Além disso, carreguei comigo um tubo de álcool gel para o laboratório na hora do exame.

Um doce exame

Jejum de oito horas para uma grávida esfomeada como eu já é um sacrifício. BebidinhadocMas o que veio depois foi ainda pior. Com uma agulha bem fininha, a enfermeira tirou um tubinho de sangue do meu braço direito, fez umas anotações e pediu que eu tomasse dois copos bem cheios de uma substância que era açúcar puro. Parecia um refresco desses em em pó, de saquinho, que geralmente é preparado na proporção de UM saquinho para cada DOIS litros de água. No exame a proporção deve ser algo como DEZ saquinhos para cada 200 ml de água. Pensa numa coisa doce. Agora pensa nessa coisa doce mergulhada num pacote de açúcar refinado. Tá quase perto…

- Não pode vomitar, hein? – disse a enfermeira.

Ao ouvir isso, quase não consegui tomar o segundo copinho, fiquei imaginando quantas grávidas haviam vomitado ali. Devia ser normal botar aquela calda açúcarada pra fora. Não vomitei até agora esta gravidez inteira, não é agora que vão me derrubar, né? Respirei fundo, fechei os olhos e virei de uma vez o segundo copinho, sentindo o açúcar bater no estômago vazio. A sensação foi de que minha boca inteirinha estava melada de tanto doce. Senti vontade de vomitar, ergui a cabeça e pensei no bebê. Pedi água, mas a enfermeira deu apenas um golinho, servido num copinho daqueles pequenos (de café) e avisou que eu não poderia beber água até o final do exame.

Olhei para ela atônita: – Tá brincando, né?

- E quanto tempo mais ou menos vai durar este exame? – perguntou meu marido.

- Mais três horas. - respondeu a enfermeira e, em seguida, espetou meu outro braço para coletar mais uma amostra de sangue.

A partir daí, de tempos em tempos entrava alguém na sala para me espetar de novo. Além da sede, eu sentia muita vontade de fazer xixi. Quando a segunda enfermeira apareceu, perguntei se podia ir ao banheiro e ela disse que sim. Alívio! Cada ida ao banheiro era acompanhada por um ritual digno de quem sofre de TOC:  tudo para não encostar na maçaneta da porta, na torneira da pia, na tampa do vaso sanitário. E na volta para a sala de exame eu esfregava as mãos e os pulsos com álcool gel, apavorada. Tudo sem tirar a máscara.  Gravidez em tempos de gripe é uma paranóia.

Meu bebê, que acha que meu útero é trio elétrico da Bahia, começou a pular mais ainda (onde é que esse guri arranjou uma cama elástica???).  A enfermeira falou que as gestantes sempre relatavam o aumento da movimentação do bebê depois que ingeriam a substância super doce. E ainda tem gente que fala que o que a mãe come não influencia, nem afeta o bebê. O jejum e o açúcar derrubaram um pouco minha pressão, por isso fiquei deitada até o final do exame, observando a festa que acontecia dentro da minha barriga. Meu marido ficou sentadinho ao meu lado, com a mão sobre o meu ventre,  encantado com a coreografia saltitante do bebê, enquanto eu me controlava para não pular sobre o bebedouro no corredor. Sede…sede…sede.

Três novas espetadas nos braços depois e finalmente fui liberada para ir pra casa. Bebi quase um litro de água de uma vez. Depois, só pensava em comer alimentos salgados. O exame tirou minha vontade de doces durante uns dois dias. Via um doce e sentia um pouco de ânsia ao lembrar da “limonada” do exame. Fiquei com um pique danado o resto da manhã, plugada na tomada. Mas na hora do almoço alguém puxou o fio e eu desconectei. Uma moleza profunda tomou conta de mim. Parecia que estava dopada. Passei a tarde deitada, sonolenta e fadigada, com uma sede que não acabava nunca.

- Saia açúcar. Saia deste corpo que não te pertence!

Doce resultado

Passei o dia inteiro ansiosa para saber o resultado do exame, que foi VivaPassamosNoExamepublicado no site do laboratório naquela mesma noite. Aos meus olhos leigos, aqueles números pareciam muito bons. Mas não sou médica para interpretar exames de sangue e não sosseguei enquanto a obstetra não viu o resultado no dia seguinte e bateu o martelo: “está tudo bem”. Passei no exame com louvor. Meu organismo está metabolizando a glicose direitinho, sem faltar nenhum dia, inclusive feriados.

Fiquei tão feliz e aliviada. Queria abraçar alguém e nessa hora só me ocorria a imagem de uma pessoa: a dona da sorveteria do meu bairro. Meu filho está bem, eu estou bem e Kibon que eu posso comer doce sem restrições.

Enquanto meu marido, minha mãe e até o papagaio do vizinho diziam em coro: “viu, a gente falou que não era nada, que estava tudo bem”, eu só pensava em comemorar o resultado com um belo pote de sorvete, acompanhado de uma generosa fatia de bolo de chocolate com calda quente.

Leia mais sobre Diabetes Gestacional

32 comentários 23/08/2009

Eu estava falando sobre o conhaque…

gravidaMausHabitosA garganta arde e o nariz vive entupido. Há mais de uma semana tenho dificuldade para respirar, dormir, viver. A gripe me pegou de jeito. A tosse chata e constante acorda a casa toda de madrugada. Falo que faz parte do treinamento para quando o bebê chegar e começar a manter todos bem despertos no meio da noite. A obstetra não liberou nenhum medicamento. Sugeriu apenas que eu evite friagem e pingue água morna com sal nas narinas. Gargarejos também são uma opção.  Sou contra o uso de medicamentos de qualquer tipo (mesmo os “liberados”) durante a gravidez. Por isso estou enfrentando a gripe apenas com os paliativos tradicionais do “tempo da vovó”. Mel misturado com limão para aliviar a garganta é uma das fórmulas caseiras que minha mãe indicou. Um lenço umedecido com água morna em volta da garganta na hora de dormir também tem ajudado.

Meu marido fica desesperado ao me ouvir tossir pela quinta vez em 20 minutos.  “A tal Gripe Suína está por todo lado, li que as grávidas fazem parte do grupo de risco”, diz ele, com tom de preocupação na voz. Considero demoradamente o tamanhho dos meus peitos e o efeito dos hormônios sobre o meu comportamento. Respondo: “Amor, eu tô mais pra Vaca Louca…”

Então a sogra telefona para saber como estou. Faço breve relato do meu nariz fica entupido que me atrapalha na hora de dormir. Reclamo também da garganta e da tosse. Imediatamente recebo em troca uma dica caseira para curar a garganta. É infalível, garante a sogra:

- Misture mel, limão e uma colher de sopa de conhaque. Tome pequenos goles durante o dia.

Já é de conhecimento de toda a família que sou radicalmente contra o consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação e amamentação. Por isso encaro a dica como mais uma provocação de sogra e respondo:

- Tá louca? Eu estou grávida! Não posso usar isso, não!

Um suspiro e duas pigarreadas depois, minha sogra afirma:

- Ai, amor, pode sim. Mel só faz mal pra bebês, não para gestantes. Pode usar  mel sem medo!

30 comentários 26/07/2009

O peso de uma gravidez

Não é à toa que dizem que gravidez é o MAIOR momento da vida de uma mulher. Eu nunca estive tão GRANDE mesmo. Principalmente coxas, bunda e peito.  Não me peso em qualquer balança, só na digital da clínica médica na qual faço o pré-natal. Não subia na balança havia mais de um mês, desde a última consulta. Até lá estava tudo bem, o ganho de peso estava correto, dentro do “normal”, havia dito minha médica.

Teria de esperar a próxima consulta para verificar meu peso de novo, mas gravidabalanca5como estava passando perto da clínica…ai, mentira, mentira...Desviei completamente do meu caminho e dirigi uns dois quilômetros a mais do que deveria, só pra ir lá pesar, por que estava me sentindo super-mega-maxi-hiper culpada por ter comido um monte de “tranqueiras” no fim de semana. Coisas que eu não gostava antes de engravidar. Com exceção de doces, que são minha perdição, sempre tive uma alimentação digna de Oscar da Nutrição. O cardápio em casa é feito à base de pão e arroz integral, legumes, verduras, frutas e grãos. Não como carne vermelha e raramente consumo consumia frituras.

Hábitos saudáveis adquiridos na infância, quando minha mãe passou por uma fase meio riponga-natureba e entrou numa onda tofu-gergelim maravilhosa. O resto da família não aderiu e até protestou várias vezes com arghs! e blerghs! Eu tinha apenas 5 anos e já sabia o que era bom. Ou simplesmente queria imitar minha ídola-mãe. Não sei. Mas aquela fase serviu para que eu realmente aprendesse a gostar desse tipo de comida. Hoje não troco meu broto de feijão com brócolis por nenhuma coxinha de frango. De verdade.trashfood

Quer dizer. Não trocava. Por que desde que engravidei, as coxinhas de frango gordurentas passaram a ter aparência muito suculenta na vitrine da padaria. Claro que eu coloco a culpa no bebê, falo que ele puxou o pai, que adora uma fast-trash- food. Nunca fui fã de refrigerantes, frituras, salgadinhos, lanches, pão francês, nada disso. Mas depois que engravidei, tenho muita vontade de tudo isso. Controlo o máximo que posso. Tento trocar os doces por frutas, por exemplo. Antes de colocar algo na boca, sempre me pergunto: “Isso é importante para o bebê? O bebê precisa disso?Fará bem para ele(a)?” . Mas tem dia que sacaneio e respondo: “Cla-la-ro que o bebê precisa dessas empadinhas, afinal, são de frango, têm proteína”. Ué, quem pergunta o que não deve, ouve o que não quer.

Para piorar, minha paixão por doces parece cada vez mais profunda. Todos esses maus hábitos subiram comigo na balança esta semana. Descobri que engordei 2,5 kg em apenas 28 dias. Não sei se isso é bom ou ruim. Não me parece muito certo. Mas só vou descobrir na consulta da semana que vem, quando terei de me pesar de novo e encarar o veredicto médico: culpada ou simplesmente grávida?

Não estou preocupada com o meu corpo, mas sim com a saúde do bebê e da gestação. Tenho medo de engordar muito e enfrentar problemas no finalzinho da gravidez. Também tenho medo de não me alimentar corretamente e prejudicar o bebê.  Mas sei que a médica vai tirar todas as minhas dúvidas e me ajudar a fazer o que for melhor para o mini-eu. De qualquer forma, voltei a fazer caminhada (num ritmo bem mais lento do que fazia antes de engravidar) e vou começar a hidroginástica. (E estou tentando cortar as “tranqueiras” para sempre e incluir mais peixe na alimentação – veja o post abaixo com uma receita deliciosa de salmão)

Ganho “normal” aproximado de peso durante a gestação

Bebê —————————> 3.500 g

Placenta ———————-> 700 g

Líquido amniótico ————> 900 g

Crescimento uterino ———-> 900 g

Tecido mamário materno —> 900 g (o meu passou de 2kg, certeza hahahaha)

Volume sanguíneo materno——> 1.800g

Líquidos nos tecidos maternos –> 1.800g

Gordura materna —————> 3.200g

Total (em média) —————-> 13.700g ou um ganho

ponderal de aproximadamente 13,5 kg

(Fonte: “O Que Esperar Quando Você Está Esperando?” – Editora Record)

13 comentários 03/07/2009

Filho de peixe, peixinho é. E filho de quem come peixe…é o quê?

Salmão à moda Letícia, arroz integral e saladinha básica

Salmão à moda Letícia, arroz integral e saladinha básica

Acordei com vontade de comer salmão. Claro que não no café da manhã, né? Mas confesso que comi meu pãozinho integral já planejando o almoço. Por que grávida-faminta-esfomeada é assim mesmo. Almoça pensando na sobremesa, come a sobremesa de olho no lanche da tarde e quando toma lanche já está planejando a janta. Nos meus planos lights de grávida-com-medo-da-balança-digital-da-clínica-obstétrica constava apenas um filezinho modesto (até por que não posso ficar gastando com esses luxos, tenho de economizar pra comprar fraldas) bem grelhadinho, temperado com sal e limão.  Mas daí eu fiz a besteira de comentar com a Letícia-Mamie-Bella sobre as minhas intenções para o almoço e ela começou imediatamente a exibir todo seu conhecimento gestacional-gastronômico, que incluía uma (nada light) receita de salmão com molho de tomate e requeijão (a receita tá neste post mesmo, um tantinho mais lá pra baixo).

salmao4

Gorda Grávida que sou, fiquei com desejo maior ainda e decidi tentar prepará-lo. Saí a pé (pra já gastar as calorias que seriam ingeridas no almoço) e comprei os ingredientes fresquinhos. Joguei tudo no caldeirão, misturei, benzi e falei umas palavrinhas mágicas. Deu nisso aí que você estão vendo nas fotos. Primeiro eu comi com os olhos, por que ficou lindo. Depois eu comi com a boca. Depois eu comi com o meu olhor maior que a minha barriga (e olha que tem de ser um olhãããão  por que a barriga tá cada dia mais gigantesca) e aí eu fiquei arrotando salmão a tarde toda, feliz da vida, realizada. Não me arrependi de ter trocado o grelhadinho-básico-sem-graça pelo todo-poderoso-salmão-da-Letícia. Só me arrependi de ter preparado o salmão quando finalmente fui lavar a louça do almoço: tudo fedia a peixe. (Vai, grávida mal-agredecida, já tá de barriga cheia, né? Então cospe no prato que comeu, na panela que preparou, na travessa que assou…cospe!)


salmao3 Receita

Ingredientes:

(Porção para três pessoas…mas se uma delas for grávida-faminta, a porção só dá pra duas pessoas)

- Um filé de salmão (cerca de meio quilo)

- Cinco tomates maduros

- Seis ou sete batatas pequenas

- Requeijão cremoso

-Para temperar: alho, cebola, dois limões, alecrim, mostarda, sal, manjericão, cominho, pimenta e o que mais você quiser jogar lá dentro

Preparo

- Coloque o filé de salmão numa vasilha, esprema dois limões sobre ele, acrescente sal, alecrim, um pouquinho de mostarda, cominho, pimenta, alho e cebola picadinhos. Tampe e deixe “curtir” durante uns 20 minutos.

Enquanto isso, aproveite para fazer o molho de tomate. (A Letícia falou pra eu usar uma lata de molho pronto, mas prefiro fazer o molho na hora).  Cada um faz o molho do jeito que quer. O meu é assim: refogo alho e cebola picadinhos, acrescento os tomates picados em pedaços bem pequenos (com semente, casca e tudo – tem gente que tira, mas eu tenho preguiça gosto assim). Acrescento temperinhos: manjericão, manjerona, pimenta, sal, etc. Se quiser, pode colocar pimentão (rico em vitamina C) ou azeitonas. Fica bom também. Misturo de vez em quando. Deixo cozinhar na panela tampada, em fogo baixo, até ficar no ponto que eu gosto (que é “molhadinho mas ainda com pedacinhos de tomate e cebola – adoooorooo).

Espalhe uma generosa camada de requeijão por cima do filé e depois coloque o molho de tomate sobre o requeijão. Leve para assar em forno médio. O tempo vai do gosto de cada um. Gosto de tudo muuuito bem passado e o forno aqui é windows 95, então demorou uns 40 minutos pra ficar do jeito que eu gosto. Antes de servir, reguei com um pouco de azeite, pra dar um “toque” a mais de sabor.

Cozinhei as batatinhas no micro-ondas, só com um pouquinho de sal. Dez minutos antes de tirar o peixe do forno coloquei as batatas junto com o salmão, só para dourar um pouquinho (mas se você preferir, pode colocar as batatas junto com o peixe, que dá certo também).

Dicas

- Depois de lavados, os tomates foram mergulhados em água com hidrosteril (cloreto de sódio + permanganato de potássio) durante 20 minutos.Em seguida enxaguei muito bem com água corrente e só então preparei o molho (faço isso com todos os legumes e verduras, mesmo que vá descascá-los ou levá-los ao fogo). A higienização também pode ser feita com água sanitária ou vinagre.

requeijaoCremosoLight- Em vez de requeijão, usei o “Queijo Cremoso” Danúbio. Ele vem num copo de vidro igual ao do requeijão, mas é muito mais consistente e saboroso. Parece Catupiry. Acostumei com ele e não acho mais graça comer requeijão “normal” (por que é muito mole). Aêê, turma da Danúbio, manda um cachê aí que fiz a maior propaganda gratuita não obrigatória agora.

- É super importante consumir peixe (principalmente salmão, atum e sardinha) durante a gravidez e a amamentação. A nutricionista me explicou que esses peixes contém ômega 3, bom para o bebê e para a mamãe. Achei esta reportagem da Pais & Filhos sobre o assunto. Vale a pena ler.

- Tomate é rico em ácido fólico, excelente para  a gestante. Por outro lado, pesquisas já tumatimostraram que, ao lado do morango, é um dos produtos com maiores índices de pesticidas. Tirar a casca ajuda, mas não resolve. O ideal é consumir o tomate orgânico (mas nem sempre tem pra vender perto de casa e geralmente é muito mais caro). Difícil, né? Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega.

- Requeijão light é sempre a melhor escolha. Assim a gestante consome cálcio, mas não ingere gordura.

- Salmão é um peixe rico em gordura, então não exagere cogravidacansadamo eu fiz, ou vai ficar com sensação de estômago “pesado”, arrotando salmão a tarde toda.

Seja mais esperta que eu. Tente negociar para alguém lavar a louça depois, no melhor esquema seulavunumcuzinho, sicuzinhonumlavo.

- Agora chega que já tá na hora do jantar.

5 comentários 02/07/2009

Leite de caixinha estragado

vacamagra2

Mamífera que sou, amo leite. Estou falando de leite MESMO, não esse negócio branco que vem dentro de caixinhas de papelão. Já leu o que está escrito na caixinha  do chamado leite longa vida? Tem muitas coisas ali dentro que são colocadas justamente para garantir a tal longa vida. Mas eles juram que ali dentro tem leite também (ufa! que alívio).  Mas nem sempre foi assim: tomei leite de verdade, saído diretamente da vaca para a minha casa, durante muitos anos.

Deve ter gente que leu isso aí e não entendeu nada ( o leite sai da vaca? como assim???). Para vocês, leitores modernos, que acham que vaca é só uma palavra usada para ofender a mãe do juiz de futebol, aqui vai uma dica: pesquise no Google.

Tem gente que fala mal do leite in natura, por que “não é pasteurizado, pode estar contaminado, blá blá blá”. Ah, tá? O produto pausterizado pode não ter bactérias, mas pode ter soda caústica.  O que será que é pior? Tô num mato sem cachorro pasto sem vaca: se ficar a bactéria pega, se correr a soda cáustica come. Enfim, de qualquer forma, grávida que estou não poderia mesmo tomar o leite de verdade, justamente por causa do risco de contaminação por bactérias. Nem posso consumir queijos e outros derivados in natura. Ordem da médica: grávidas só podem consumir derivados de leite que sejam pasteurizados.

Momento cultural: O que é pasteurização? O produto é aquecido a temperaturas altíssimas e, em seguida, resfriado. Esse processo mata a maior parte das bactérias normalmente presentes no leite cru, sem (garantem os entendidos) alterar suas propriedades ou características)

Voltando às vacas gordas, deixei de consumir leite integral há anos. É que vacadeoculosdepois de uma certa idade, a gordura começa a acumular em setores específicos do corpo, como o culote, a barriga e a bunda. Quando isso começou a acontecer, troquei o arroz e o pão branco pelos integrais. O açúcar refinado pelo mascavo. Os doces por frutas (nem sempre, admito). E cla-la-ro, substituí o leite integral pelo desnatado. Aí começou o problema: não inventaram ainda a vaca light. (óquêi, eu sei o motivo desse sorrisinho malicioso na sua cara, você leu vaca light e logo lembrou da vizinha magrela que paquera seu marido,né? Bom, ela não serve como exemplo, por que não resolve o meu problema do leite desnatado)

Por isso, na época em que decidi ser menos gorda mais saudável, aderi ao leite desnatado de caixinha. Meu marido que é pão-duro mais econômico que eu, sempre aparece em casa com umas marcas assustadoramente desconhecidas. Ao ler as informações sobre a origem do produto na caixinha fico com a pulga atrás da orelha (bom, de qualquer forma, melhor a pulga atrás do que dentro da orelha, pois dentro incomodaria mais). Sou mais exigente que o Tio Patinhas (meu marido) e só compro marcas mais conhecidas, que geralmente são muito mais caras. (É daí que vem o ditado “o barato sai caro”).  Sei que compar a marca mais cara não é garantia de qualidade, mas deve ser mais seguro. Afinal de contas, uma empresa que já conquistou espaço no mercado tem um nome a zelar e não vai misturar soda cáustica e água oxigenada no leite, vai? (putz…pior é que vai, né? Aliás, FOI durante muito tempo e só descobriram em 2007, lembra?)

Ferva antes de beber

batavodesnatadoQuando vou às compras, só trago para casa leite desnatado de marcas bem conhecidas como Nestlé, Danone e Batavo (entre outras top de linha).  Mas há uns dias levei um baita susto e por pouco não ingeri leite estragado. Comprei duas caixinhas de leite desnatado Batavo. Abri uma, enchi uma xícara e coloquei no micro-ondas para esquentar. Quando o leite ferveu, ouvi o barulho de uma pequena explosão. Pensei que havia algum defeito no micro-ondas, mas o problema era o leite. O produto dentro da xícara havia adquirido um aspecto diferente, estava com cara de leite “coalhado”, sabe como é? Cheio de pedacinhos (como queijo) boiando e um cheiro esquisito. Olhei a caixinha que havia acabado de abrir e constantei:

a) o leite estava dentro da validade (só venceria no semestre seguinte)

b) não havia nenhum risco, amassado ou furo na caixa, portanto a embalagem não havia sido violada

c) o produto que estava na caixinha tinha cheiro e aparência normal, se eu tivesse tomado o leite sem ferver, teria ingerido o produto estragado sem perceber Abri a outra caixa, que havia comprado junto com aquela e coloquei um pouco do leite para ferver. Normal. O leite “subiu”, o cheiro era bom, o gosto também.

Encontrei na caixinha o número de atendimento ao cliente (0800) da Batavo e liguei para lá. Comuniquei o que havia acontecido. A atendente foi simpática, fez várias perguntas sobre a compra do leite (onde havia comprado, quando, etc.) e anotou meus dados pessoais. Ela pediu para eu guardar a caixinha de leite na geladeira que um representante passaria para pegar e deixaria outra (não estragada) no lugar. Cinco dias depois foram buscar a caixinha do leite estragado e deixaram uma outra unidade no lugar. Acho que fui bem legal com o pessoal da Batavo, né? Quem mais iria gastar tanto tempo para avisar que havia algo errado com um produto? Meu marido disse para eu jogar aquilo fora e deixar pra lá. Mas pensei que seria legal se a empresa tivesse a chance de detectar um problema e trabalhar para evitá-lo no futuro.

Ninguém da Batavo entrou em contato comigo depois disso para me explicar o que houve. O que eu imagino é que aquela caixa havia sofrido algum tipo de tratamento inadequado (na produção, armazenamento oleitegarrafavidrou distribuição). Pode ter ficado guardada num lugar não muito fresco e arejado no depósito do supermercado, por exemplo.

O problema (estamos chegando finalmente à moral da história) é que na caixinha de leite está escrito  “Não precisa ferver”. Sempre levei isso a sério e tomei muito leite de caixinha sem ferver: misturava direto no achocolatado, nos cereais, na massa do bolo. Imagina só se naquele dia eu não tivesse fervido o leite? Numa época “normal” da minha vida, talvez a consequência fosse uma desinteria brava. Mas no meio de uma gravidez, ingerir um produto estragado pode ser fatal para a gestação. A partir daquele dia, passei a retirar todo o leite da caixinha, fervê-lo e guardá-lo em garrafas de vidro devidamente esterilizadas. Assim tenho sempre leite geladinho para adicionar aos sucrilhos, mas sem correr o risco de ingerir um produto estragado. Continuo comprando as marcas que considero boas, inclusive a Batavo, pois aquela caixinha provavelmente foi adulterada no armazenamento errado no supermercado. Moral da história (eba, chegou!!): ferva o leite.

Post Scriptum: Olha só que coincidência. Estava escrevendo sobre o que aconteceu e descobri que o Pai dos Trigêmeos (ele é conhecido assim) havia publicado no  Blog dos Trigêmeos (que eu adoro e visito sempre) um texto muito legal sobre o mesmo assunto: as esquisitices do leite de caixinha. Vale a pena conferir: clique aqui.

10 comentários 25/06/2009

Mais sobre chás na gravidez

xicaradechaAinda sobre o uso de chás na gravidez, descobri novas informações em um fórum de grávidas na internet.  Uma das participantes escreveu o que está abaixo:

“Boa parte dos chás estimulam o útero, por isso muitos médicos, nutricionistas & Co alertarem para eles na gestaçäo, proibindo-os. A canela é estimulante do útero; a hortelã corta a produçäo de leite (daí melhor evitar antes e, principalmente, depois do nascimento); chá verde é estimulante, contém cafeína, teobromina, teofilina – alcalóides, estimulantes sobre o sistema nervoso central (väo parar no baby também, é claro, por isso melhor evitar) e vasodilatadores. Hibiscus para emagrecer? kkkk… o único efeito do hibiscus que ajudaria aí é o efeito laxante, por conter ácido orgânico, e isso só quando consumido em grande quantidade, com certeza näo faria mal durante a gravidez se tomado em pouca quantidade, uma xícara ao dia, por exemplo. O mesmo para a camomila, que é um excelente remédio estomacal.
Meninas, na gravidez, vocês devem evitar tudo o que é em excesso. Se vocês consumirem, por exemplo, arroz doce polvilhado com canela, com certeza näo haverá problema. Agora se vocês consumirem o mesmo muitas vezes ao dia, ou tomarem o chá de canela várias vezes ao dia e por dias a fio, bem, aí o negócio é outro. Já conheci grávida que näo conseguiu abdicar do café matutino e mesmo assim näo teve problema com o baby, mas limitou-se a uma xícara matinal e só.  (Ps.: eu näo conseguia nem sentir o cheiro de café durante a minha gravidez, quem me dera tomar!)  Aqui, de novo, eu aviso: o que vale é a dosagem e a freqüência, tudo que tem efeito tem um efeito-colateral, portanto nada de exageros com ervas, mas quando essas ervas típicas de cozinha säo usadas como tempero, em pouca quantidade e de vez em quando, näo há problema.

E quem, mesmo assim, deseja ingerir chá durante a gravidez três vezes ao dia, entäo opte pelo de erva-doce, que é o mais seguro. Tema longo e controverso, né? “

(Post  Scriptum: acho que de tudo o que já li e ouvi sobre o perigo ou não de certos chás na gravidez, ficou uma certeza – qualquer coisa em exagero faz mal, então o negócio é só tomar se precisar, e sempre com moderação)

1 comentário 19/05/2009

Dica de alimentação na gravidez: ferro

Suco de laranja potencializa absorção do ferro

Suco de laranja potencializa absorção do ferro

A grávida precisa ingerir grandes quantidades de ferro para garantir a saúde do bebê e a dela também. Alguns alimentos ricos em ferro: abóbora, espinafre, frutas secas, feijão, pão de trigo integral, lentilha, couve, carne bovina. O fígado bovino e outras vísceras tem alta concentração de ferro, mas não são indicados para a dieta da gestante, pois contem altos índices de contaminação por substâncias químicas. Converse com o médico sobre o assunto ou procure uma nutricionista, pois eles podem indicar uma suplementação por meio de comprimidos.  Junto com os alimentos ricos em ferro, consuma também alimentos que tenham vitamina C, como suco de laranja ou acerola. É que a vitamina C colabora para a absorção do ferro. Prefira os sucos caseiros, sem conservantes e com pouco açúcar. Efeito contrário tem o leite, o café, refrigerantes e os chás, que prejudicam a absorção do ferro. (Por exemplo: comer um bife ou um hamburger acompanhado por milkshake ou refrigerante é um grande erro do ponto de vista nutricional) .Portanto evite esse tipo de bebida na hora das refeições em que o ferro for a estrela principal.

Add a comment 19/05/2009

O dilema dos chás

horadochaEstava caçando algo interessante pra assistir quando um programa de entrevistas na TV Brasil chamou minha atenção. Ouvi uma nutricionista falando que pesquisas recentes descobriram que chás aparentemente inofensivos podem, na verdade, provocar aborto. Pois é, grávida tem radar até na hora de zapear com o controle remoto. Parei ao ouvir aquilo e fiquei estarrecida quando ela falou de alguns chás que tomo quase diariamente, principalmente agora que está friozinho: erva-doce, chá mate, chá de hortelã, camomila, chá verde…

Perguntei sobre isso à minha obstetra e ela disse que nunca ouviu nada contra esses chás. Outros tipos de chás, sim, mas nada sobre esses que são mais “comuns” aqui no Brasil. No alto de sua humildade (que tanto admiro) e profissionalismo ela disse que não é dona da verdade e não tem como saber sobre tudo, então pediu que eu procurasse uma nutricionista para me certificar. Marquei a consulta, que será só daui a algumas semanas, mas não tomei chás depois disso. Fiquei tensa com o assunto e nem podia tomar um chá pra relaxar. Daí descobri o Personal Mamie, do site Mamie Bella. Lá as grávidas e mamães podem fazer cabeludas perguntas desse tipo, que são respondidas por profissionais da área. Super legal! Veja a resposta (tão tranquilizadora quanto um chá de camomila) que recebi:

Pergunta: 

“Vi uma nutricionista na TV ontem falando que alguns chás podem ser perigosos para a gestação? É verdade? Quais chás não devo tomar? Quais outros alimentos podem ser nocivos? Mel é um alimento que posso consumir normalmente? Obrigada, Abraço! “

Resposta:

Na gravidez existe uma série de mitos sobre proibições disso e daquilo, porém a grande maioria é um exagero. No caso dos chás, não há nenhum que é proibido. Se realmente existisse um chá abortivo, ele seria amplamente conhecido e usado, o que não é o caso. E não há descrições na literatura médica que um determinado chá seja tóxico para o neném. Portanto, continue tomando os chás que você gosta.

Sobre o mel, você pode comer, mas cuidado para não exagerar. Ele é um açúcar muito concentrado, e em excesso pode levar a um ganho de peso exagerado, que pode resultar em problemas como diabetes, pressão alta, o neném crescer demais e atrapalhar na hora do parto, etc.

Alimentos que devem ser evitados são vegetais que recebem agrotóxicos, prefira sempre aqueles que são produzidos sem o auxílio dessas substâncias. As carnes devem ser preparadas, de preferência, bem cozidas, para assim matar possíveis microorganismos que podem levar a infecções. E por fim, evite alimentos (especialmente carnes) que recebam hormônios, pois esses podem sim ser muito prejudiciais para o neném.

3 comentários 15/05/2009

Páginas

Categorias

Links

Meta

Agenda

outubro 2014
S T Q Q S S D
« fev    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

Posts by Month

Posts by Category

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 50 outros seguidores