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Recado de uma bruxa
Reproduzo abaixo o texto enviado pela Madrasta do Texto Ruim, do blog Objetivando Disponibilizar, do qual sou leitora assídua (é, nem só de gravidez v
ivem as grávidas). Não nos conhecemos pessoalmente. Um dia ela deixou uma mensagem aqui ou eu deixei uma mensagem lá, não sei, e assim começou a nossa troca de e-mails sobre os mais diversos assunto, inclusive gravidez. Há alguns dias ela deu à luz seu primeiro bruxinho filho e compartilhou comigo algumas descobertas que fez sobre amamentação. Pedi que escrevesse um post sobre o assunto, para publicar aqui no blog. Entre uma troca de fralda e um feitiço, ela atendeu ao meu pedido. Espero que o texto dela contribua para aumentar a discussão e o entendimento sobre o que é amamentar e o que é ser mãe. Boa leitura:
Amamentação – sem romantismos ou frescuras, por favor!
Saudações! Sou a madrasta do texto ruim. Dou consultoria contra amebas escreventes no meu caldeirão, o Objetivando Disponibilizar. Gosto muito dessa menina Dona Grávida, viu? Ela escreve direitinho, o texto dela flui que é uma beleza, enfim, fomos muito com a cara uma da outra – muito embora tanto eu como ela sejamos apenas duas personagens coincidentemente encarnadas por duas grávidas, e nunca tenhamos nos visto pessoalmente. Vai entender… coisas de Internet, oras!
Por isso, eu me ofereci pra falar algumas verdades aqui no cantinho dela sobre amamentação. É que o meu feiticeirinho acabou de nascer, então eu vivi pela primeira vez a experiência da amamentação. E eu posso ser mãe e ex-grávida, mas burra eu não sou! E não suporto ser tratada como tal. (Já disse que sou uma bruxa? Não? Olha, eu sou uma bruxa, viu? E o meu humor é de bruxa, mesmo!)
Por isso, acho profundamente irritante ver um mundo e meio recitando aqueles lugares-comuns sobre amamentação que, de tanto entrarem na linha de produção de textinhos-padrão sobre o tema, já viraram quase um mantra. Senão, vejamos: o que você já leu sobre amamentação?
- é-muito-bom-para-o-bebê
- reforça-os-vínculos-entre-mãe-e-filho
- melhora-a-capacidade-de-aprendizado-da-criança
- desenvolve-a-estrutura-facial-do-seu-filhote
- ajuda-seu-organismo-a-voltar-ao-que-era-antes-da-gravidez
- faz-com-que blá-blá-blá whiskas sachet blá-blá-blá…
Poi Zé, grávidas leitoras deste blog. Tudo isso já foi dito. E tudo isso é
verdade.
Mas tem mais umas verdades que só resolvem te contar mais ou menos quando sua gestação já está no fim – e cuja realidade você sente bem na ponta do bico dos seus seios na hora da terceira ou quarta mamada.
É o seguinte: amamentação é um lance maravilhoso. Mas como tudo nesta vida, tem um lado bom e um lado ruim. O lado bom é o lado de um serzinho lindo, fofo, indefeso, que depende de você pra tudo na vida – limpar a bunda de cocô inclusive. Esse serzinho, por quem você vai se apaixonar enlouquecidamente assim que o conhecer, é dotado de uma força i-na-cre-di-tá-vel em suas gengivas. E o sistema de vácuo disponível em sua minúscula boquinha veda seu mamilo, almas, encostos, amebas e afins, e só devolve o seu mamilo pra você quando ele bem entender.
Se você não conseguiu captar a mensagem do parágrafo anterior, traduzo: o lado ruim da amamentação é todo seu, fófis!
A primeira vez que o seu filho lhe abocanhar o mamilo vai ser supertranquila. Afinal de contas, ele acabou de nascer, dá um desconto, né?
Mas no segundo dia de vida do seu filho, ainda na maternidade, você (mais precisamente o seu mamilo) vai descobrir o poder das gengivas recém-nascidas e a força do vácuo da boca do seu filhote. Nesse momento, você vai perguntar a Deus por que Ele não envolveu aquelas arredondadas e sensíveis regiões do seu marido no processo de amamentação. É nesse momento que você vai ter certeza de que Deus é um cara que pende pro lado dos homens (porque, convenhamos, não há nada mais prático do que fazer xixi de pé, sacudir e guardar as coisas depois, né?)
Ao sentir uma das maiores dores da sua vida e questionar as lamparinas do juízo de Deus, você vai (tentar) respirar fundo e vai repetir para si mesma: “Calma, calma, isso passa! Que nem na minha primeira vez! Doeu mas passou!”
Só que, ao contrário do seu hímen, o seu mamilo não vai embora. Ele fica. E não pense que o seu filho vai ser bonzinho contigo, ó mãe fresca, porque ele não vai. Ele vai travar aquelas gengivinhas poderosérrimas nos seus mamilos e vai lhe sugar o colostro, o leite, a vida, as idéias (esse acento vale até 2012), as forças…
No que o seu filhote lhe suga tudo, seu colostro vira leite. E você tem febre por conta disso. E o seu peito fica duro e dói todinho. Solução? Massageie os peitos! Massageie com força, principalmente onde estiver mais duro. E o seu peito dói mais ainda!
Nessa hora, você vai xingar o @#%#$%$%@#$@#$ que teve a @#$#$%@#$%@$% idéia de fazer da amamentação esse tormento. E, ao ver que o seu filho tá fazendo força demais e não consegue sugar todo o leite que precisa, e chora de fome, você vai se desesperar e chorar. E vai fazer toda a massagem que lhe for indicada, até o peito amaciar e seu filho conseguir voltar a mamar em você. Parabéns, você virou mãe! Vou lhe poupar daquela historinha de “padecer no paraíso”, outro lugar-comum que me dá nos nervos.
Para amenizar a dor, só há uma coisa que toda mulher de juízo e bom-senso deve incluir no kit do bebê: procure nas melhores casas do ramo por um troço que se chama protetor de mamilos, feito em silicone. Na minha humilde (/pedante) opinião, o cara que inventou essa engenhoca pode se candidatar a vice-Deus.
Como num passe de mágica, seus peitos não irão mais empedrar como dantes (com trocadilho, por favor – Dante, inferno… entendeu? ;o), seus pobres (e sofridos, e chupados, e mamados, e doloridos, e rachados) mamilos irão ficar protegidos (passe uma pomadinha de lanolina que indicam na maternidade pra ajudar, também) do atrito contra sutiãs e toalhas, e irão cicatrizar mais rápido.
Mas, como muito bem disse o meu pai, você que se dane! Quem importa agora é o seu filho, é ele quem tem todas as prioridades do mundo. Dane-se tudo, sua obrigação maior é alimentar e dar todo o sustento ao seu filho. Até porque, pelo menos pelos próximos seis meses você será mais vaca do que mulher (antes de protestar comigo por ter sido transformada em vaca, lembre-se que se você tiver muito leite vai ser convidada a se valer de um lance chamado “ordenha manual”. E agora, vai protestar?).
Pense assim, e os céus irão lhe recompensar após alguns dias de sofrimento: seus mamilos irão cicatrizar (com a ajuda da engenhoca do vice-Deus), seus peitos irão inchar e você conseguirá usar aqueles decotões liiiiindos, que só a Gisele Bündchen podia usar. Força no decote e na pomadinha de lanolina, e vamos em frente, companheiras neo-vacas!
Ah, sim! Seu filho também vai crescer forte, bonito, saudável, com o sistema imunológico fortalecido, etc, etc, etc…
40 comentários 03/09/2009
Isso é bobagem…
Almoço de domingo. Grávida e sua mãe conversam sentadas na varanda, longe do tumulto dos adultos e da correria das crianças. Falam de tudo um pouco e acabam caindo no assunto do momento entre as duas: gravidez.
Filha: “Ai, mãe, tô engordando demais, você engordou assim nas gravidezes?”
Mãe: “Não engordei muito, não. Mas isso é bobagem…não se preocupe, você emagrece rapidinho depois do parto, principalmente se amamentar. Some tudo!”
Filha: “Ai, mãe, tô passando potes de creme e bebendo muita água que nem todo mundo ensinou, mas apareceram umas estrias logo acima do bumbum”
Mãe: “Não se importe com isso, amor…isso é bobagem…depois some tudo!”
Filha: “Ai, mãe, será que vou dar conta de amamentar? Quero tanto…Mas tenho medo de não saber fazer direito”
Mãe: “Filha, amor…isso é bobagem, você logo pega o jeito, é só fazer com amor e perseverança. Esse medo some…você vai ver..depois do parto, some tudo!”
Um dos primos se aproxima das duas, conversa um pouco e logo faz um trocadilho idiota com o nome escolhido para o bebê. Depois que ele se afasta, a mãe comenta:
“Isso é bobagem. Mas infelizmente, não some depois do parto” – (suspiro) - “Gente mala pra dar opinião, fazer piadinha e dizer asneira pra você sempre vai ter. Esse tipo de problema não some no final da gravidez”.
29 comentários 18/08/2009
Dicas preciosas para mulheres de peito
> Após o banho, enxugar bem os mamilos e auréolas com toalha macia. Umidade deixa a pele mais sensível, e menos resistente à sucção do bebê.
> Tome banho de sol todos os dias, por 20 a 30 minutos, deixando que os raios incidam diretamente nos seios nus. Lembre-se de fazer isso nos horários em que o sol não causa danos: até as 10 horas ou no final da tarde.
> Na falta de local para tomar sol, substitua pela exposição diante de uma lâmpada incandescente de 40 watts, ficando a uma distância de 30 a 40 centímetros. Tempo: de 20 a 30 minutos, de uma a duas vezes ao dia.
> Evite o uso de cremes e pomadas no bico do seio, e também de absorventes ou lencinhos, utilizados para evitar vazamento de colostro ou leite na roupa. Isso só agrava a sensibilidade, por deixar a região úmida. Prefira trocar o sutiã.
> Deixe a região bem arejada. A dica é pegar um sutiã velho, cortar dois círculos que correspondam às aréolas, para que fiquem ventiladas, secas e para que o atrito com a roupa engrosse a área aos poucos.
> Atenção à “pega”: como o depósito de leite fica armazenado sob a aréola, é importante que o bebê abocanhe toda a região, não apenas o bico.
> A posição correta: o queixo do bebê deve ficar bem encostado à mama da mãe, e ambos precisam estar juntos, “barriga com barriga”.
> Evite puxar o bebê do peito, pois a tendência é que ele abocanhe com mais força. Para que ele solte o seio sem machucar, introduza o dedo mínimo no cantinho de sua boca.
Leia mais: essas dicas foram publicadas em uma reportagem muito interessante do Estadão que mostra histórias de mulheres que sofreram para amamentar e formaram grupos de ajuda no Rio de Janeiro e em São Paulo, para evitar que outras mães também passassem pelo que elas passaram. Clique aqui e leia a reportagem completa.
5 comentários 07/05/2009

