Arquivo de julho 2009




Grávida adolescente

acneCabelos sedosos idosos e pele adolescente. Paradoxos da gravidez. Enquanto a cabeça fica cada vez mais branquinha, a pele fica cada vez mais cheia de perebas da puberdade. Acne é um sintoma comum na gestação. Estou sentindo isso na pele, literalmente. Não fui adolescente emperebada, então somente agora alguns fatos passaram a fazer sentido para mim. É como se minha adolescência ganhasse uma nova iluminação. Junto com a oleosidade e as acnes, surgiram também  lembranças de amigas que sofreram muito com a aparição de espinhas pavorosas bem na ponta do nariz ou no meio da testa. As piores ocorrêcias de acne foram registradas na véspera de uma ida ao cinema com toda a turma ou um  “bailinho”.

♦ Início da pausa para comentário

Momento nostálgico: quem não sabe o que é “bailinho” ou “brincadeira dançante“, nem nunca ouviu falar na ridícula “dança da vassoura”, não viveu os anos 80. Admito que não sinto nenhuma saudade das ombreiras e aqueles cortes pavorosos de cabelo, mas tenho muita saudade da inocência. Se não entendeu nada, só há uma saída: vai “googlar” o assunto e se informar.

Fim da pausa para comentário

Aos 15 anos presenciei a dor de uma amiga que deixou de ir a um baile de debutantes badaladíssimo por que acordou com uma protuberância vermelha e cheia de pus no queixo. O paquera dela foi, dançou com outra e acabou apaixonado. Fiquei impressionada para sempre com a intervenção nada romântica daquela acne empata-foda no destino de um possível grande amor. Ah, exagero literário, afinal nossas noites de verão não chegavam a tanto. Ninguém transava aos 15 anos. Pelo menos não na minha turma. Rolava beijo na boca e de vez em quando uns amassos inocentes na escadaria do prédio. Mas só depois que o menino pedia para namorar. Não tinha esse negócio super prático de ficar.

Bom, voltando às vacas oleosas… A gestação deu para mim o que não tive o desprazer de experimentar na adolescência: as acnes. Mas também me proporcionou a chance de descobrir o prazer que é espremer as espinhas branquinhas ou amareladinhas e ver a porcaria toda explodir no espelho do banheiro. Adoro! E nem venham os dermatologistas puritanos e obcecados com as peles imaculadas condenar a terapêutica prática de espremeção de acnes. Não vou deixar de apertar as erupções nojentas. É a única coisa divertida para alguém que sofre do problema, oras!

16 comentários 30/07/2009

Eu estava falando sobre o conhaque…

gravidaMausHabitosA garganta arde e o nariz vive entupido. Há mais de uma semana tenho dificuldade para respirar, dormir, viver. A gripe me pegou de jeito. A tosse chata e constante acorda a casa toda de madrugada. Falo que faz parte do treinamento para quando o bebê chegar e começar a manter todos bem despertos no meio da noite. A obstetra não liberou nenhum medicamento. Sugeriu apenas que eu evite friagem e pingue água morna com sal nas narinas. Gargarejos também são uma opção.  Sou contra o uso de medicamentos de qualquer tipo (mesmo os “liberados”) durante a gravidez. Por isso estou enfrentando a gripe apenas com os paliativos tradicionais do “tempo da vovó”. Mel misturado com limão para aliviar a garganta é uma das fórmulas caseiras que minha mãe indicou. Um lenço umedecido com água morna em volta da garganta na hora de dormir também tem ajudado.

Meu marido fica desesperado ao me ouvir tossir pela quinta vez em 20 minutos.  “A tal Gripe Suína está por todo lado, li que as grávidas fazem parte do grupo de risco”, diz ele, com tom de preocupação na voz. Considero demoradamente o tamanhho dos meus peitos e o efeito dos hormônios sobre o meu comportamento. Respondo: “Amor, eu tô mais pra Vaca Louca…”

Então a sogra telefona para saber como estou. Faço breve relato do meu nariz fica entupido que me atrapalha na hora de dormir. Reclamo também da garganta e da tosse. Imediatamente recebo em troca uma dica caseira para curar a garganta. É infalível, garante a sogra:

– Misture mel, limão e uma colher de sopa de conhaque. Tome pequenos goles durante o dia.

Já é de conhecimento de toda a família que sou radicalmente contra o consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação e amamentação. Por isso encaro a dica como mais uma provocação de sogra e respondo:

– Tá louca? Eu estou grávida! Não posso usar isso, não!

Um suspiro e duas pigarreadas depois, minha sogra afirma:

Ai, amor, pode sim. Mel só faz mal pra bebês, não para gestantes. Pode usar  mel sem medo!

30 comentários 26/07/2009

Ser mãe é dureza

maeHeroinaSer mãe é desdobrar fibra por fibra o coração
É não pregar o olho a noite inteira no serão
É andar na correria preparando mamadeira
Ao som de uma tremenda choradeira

É fralda toda noite todo dia pra trocar
Porém na poesia esqueceram de contar
Ser mãe é muito bom para um poeta inocente
Mas ele se quiser que experimente

Ir ao cinema já perdi a esperança
Não tenho em casa uma babá de confiança
E tome fralda e mamadeira pra lavar
Enquanto papaizinho vai pra rua passear

Pra meu castigo, meu consolo vejam só
Um belo dia sou chamada de vovó
Mas a verdade é prova de juízo
A gente por vontade padecer num paraíso

(Inezita Barroso)

6 comentários 24/07/2009

Sincera até demais

Sabe aquela sobrinha fofa que ficou com o primeiro lugar da minha lista de presentes de Natal deste ano após chamar meus cabelos brancos de mechas lindas? Pois é. Ela acaba de ser removida da lista de presentes.

Ela me viu de calcinha e sutiã hoje e não poupou sua sinceridade de criança:

– Nossa, tia, não sabia que você estava tão gordinha.

Dei a chance para a pequena se salvar e ainda garantir um bom lugar na lista do Natal e perguntei:

– Gordinha ou barrigudinha?

Ela deu uma boa olhada nas minhas coxas, bunda e barriga e respondeu sem titubear:

– As duas coisas, tia.

Até pensei em explicar o que é retenção de líquido e prisão de ventre, mas achei mais fácil simplesmente sorrir. Às vezes, quando a gente tenta argumentar muito, acaba ficando ainda mais enrolada. Ou ainda mais gordinha.

24 comentários 22/07/2009

Vovó grávida

cabelosbrancos

Por uma questão de genética eu sou obrigada a colorir os cabelos pelo menos uma vez por mês. É que sou filha do Papai Noel. Desde os 25 anos (ou seja, há quase 10 anos) tem sido assim: tinta sobre tinta. Assim que aparecem os primeiros indícios dos famigerados cabelos brancos pego o telefone e ligo para a equipe de resgate do meu salão favorito: “Meninas, socorro!”

Rejeito cada um desses fiozinhos medíocres com todas minhas forças.  Não satisfeitos com o fato de serem brancos e destoarem de todo o resto da minha vasta cabeleira, os safados ainda são mais grossos e espetados. Exibidos. Abusados. Cretinos despigmentados. Basta um cabelinho desses para denunciar a suposta idade de quem está logo abaixo dele. No caso: eu.

Se não fosse isso, eu jamais teria passado química no cabelo. Não gosto, tenho pavor, acho que faz mal e nunca experimentei outro tipo de gororoba capilar. Antes da invasão do Exército Branco, eu só aparecia no salão para cortar os cabelos. Mesmo assim era raro, pois tinha preguiça. Só que o pavor da química foi vencido pelo pavor de ficar parecer velha. Nesses dez anos, nunca fiquei mais de um mês sem tinta, por isso não tinha noção de quantos cabelos brancos já habitavam meu cocoruto.

Mistério que a gravidez elucidou, para meu desespero. Desde que soube quecabeloscoloridos estava grávida parei de colorir os cabelos. A médica alertou que mesmo os produtos que dizem não conter amônia podem ser prejudiciais. Não há estudos conclusivos sobre a prática de colorir os cabelos na gravidez e não dá para ter certeza do que vai acontecer com o bebê. Então ela orientou: “Não passe nada, mesmo que digam que isso pode, aquilo não fez mal na gravidez de fulana, este outro tem componentes naturais. Não pode colorir.” Obedeço.

Já nem quero me olhar no espelho, assim evito encarar essa aberração sobre a minha cabeça. Depois de quarenta dias, a turma do Gasparzinho Fantasma Camarada começou a ficar mais branquinha e visível. Agora, após mais de quatro meses sem reboque, a pintura original está toda à mostra. É oficial: sou uma vovó grávida.   Tentei de tudo: usar chapéus, gorros, faixas. Mas eles são muitos, rebeldes e exibidos. Para me derrubar ainda mais, sempre tem alguém pra apontar e comentar: “NOSSA, quantos cabelos brancos”. Sofro.

No fim de semana minha sobrinha de 8 anos me salvou de desabar em lágrimas de novo por conta do meu aeroporto coberto de neve. Ri muito. Percebi que ela estava olhando para o alto da minha cabeça e pensei “até tu?”,  já me preparando para explicar que cabelos brancos não são sintomas de senilidade, é apenas uma questão de (falta de) pigmentação, genética, azar e proibição médica de passar tinta para disfarçar.

Mas a pequena soltou esta:

– Tia, você fez umas mechas lindas no cabelo. A mamãe também tem mechas.

29 comentários 20/07/2009

Uma declaração de amor

 

Como é que posso amar tanto alguém que nunca vi?

bebemaozinha

Nalgum lugar em que eu nunca estive
Alegremente além
De qualquer experiência
Teus olhos tem o seu silêncio
No teu gesto mais frágil
Há coisas que me encerram
Ou que eu não ouso tocar
Porque estão demasiado perto
Teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
Embora eu tenha me fechado como dedos
Nalgum lugar
Me abres sempre pétala por pétala
como a primavera abre
Tocando sutilmente, misteriosamente
A sua primeira rosa
Sua primeira rosa

Ou se quiseres me ver fechado
Eu e minha vida
Nos fecharemos belamente, de repente
Assim como o coração desta flor imagina
A neve cuidadosamente descendo em toda a parte
Nada que eu possa perceber neste universo
Iguala o poder de tua intensa fragilidade
Cuja textura
Compele-me com a cor de seus continentes
Restituindo a morte e o sempre
Cada vez que respirar

Não sei dizer o que há em ti que fecha e abre
Só uma parte de mim compreende
Que a voz dos teus olhos
É mais profunda que todas as rosas
Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas.

 (Poema de E.E.Cummings que foi musicado por Zeca Baleiro)

***”Hoje acordei” (parodiando LuBrasil) meio Zeca Baleiro***

6 comentários 19/07/2009

Sou a caçula do curso para gestantes

Consegui minha vaga no choro

Consegui minha vaga no choro

Meu plano de saúde oferece um curso para gestantes que dura 9 semanas. As amigas fizeram e recomendaram. É um curso completo, com presença de pediatra, obstetra, nutriocinista, psicóloga e até um fisioterapeuta que ensina o marido a fazer massagem nas barrigudas. Numa das aulas uma mãe leva seu bebezinho recém-nascido para uma demonstração prática de como dar o primeiro banho sem traumatizar o rebento para o resto da vida e transformá-lo num Cascão (da Turma da Mônica).

Marinheira de primeira viagem, neurótica e cheia de dúvidas que sou, lógico que fiquei louca (na verdade eu já era louca antes) de vontade de começar logo o curso. Liguei lá assim que completei 16 semanas de gestação e fui informada pela coordenadora de que só poderia fazer o curso quando chegasse ao sétimo mês da gravidez. A mulher disse que não adiantaria fazer o curso antes disso por que eu esqueceria quase tudo antes da chegada do bebê. Argumentei: “Mas eu vou anotar tudinho, prometo…”. Não convenci.  Recebi um não super amável e meu nome foi colocado na lista da turma que só começará em setembro.

Minha mãe (que tem sempre razão, principalmente quando avisa pra eu levar um casaco que vai esfriar ou um guarda-chuva, por que vai chover) achou que essa desculpa do esquecimento estava com cara de esfarrapada. Na opinião dela, essa regra tem outro motivo: os riscos da gestação diminuem com o passar das semanas, ou seja, a grávida tem menos chances perder o bebê ou ter alguma complicação. “É mais seguro aceitar grávidas que já estão mais próximas da hora do parto”, decretou mamãe para mim.

Ela sugeriu que eu insistisse e decidi tentar convencer a coordenadora a abrir uma vaga no curso imediatamente.  Incentivada assim por mamã, fui até lá na sede do convênio e pedi pra falar com a chefia. Argumentei que agora tenho condições de aproveitar o curso. Estou animada, vitaminada, energizada, dirijo, faço hidroginástica, caminhada, compras, blog (ufa!) e por aí vai. Meus dons não param a:  ainda alcanço o dedão do pé para arrancar a cutícula. Já no final da gravidez, não garanto tanta disposição. Por que a obstetra já avisou que provavelmente vai me proibir de dirigir a partir do oitavo mês.

Sem falar que vai ser verão, e eu vou sentir calor, preguiça, dores nas costas, azia, inchaço. Sem falar que vou precisar de tempo para a manicure, a única capaz de cutucar meus dedões em breve. Enfim, será muito complicado. Argumentei tanto que até eu fiquei com medo do final da minha gravidez! Foi cena de novela mexicana. A moça quase chorou diante da minha performance. Claro que eu não podia dizer a verdade e admitir que no último mês não vou ter tempo pro curso por que vou precisar bater perna no shopping em busca de apetrechos para o bebê e para mim, já que sempre deixo tudo para  a última hora. Menos o curso. O curso eu não queria deixar pra última hora. Preciso dele já! Pra ir me acostumando com a ideia de que um serzinho de cerca de meio metro vai depender de mim pra tudo. Aliás, já depende. Mas pelo menos hoje eu não tenho de dar banho e limpar umbigo. E ele se alimenta meio que automaticamente, sem precisar que a mamãe aqui tenha lido o Manual de Técnicas Avançadas de Amamentação Para Principiantes Apavoradas.

Minha atuação – digna de  estatueta do Oscar – rendeu uma vaga no curso que começou esta semana. Daí na quinta-feira eu fui lá para o início das aulas, numa sala cheia de barrigudas-de-terceiro-trimestre. Me senti uma anã num país de gigantes. Aquelas barrigas imeeeeensas e cheias de presença ofuscaram a luz da minha barriguinha de 19 semanas. O primeiro encontro foi só para a apresentação dos participantes, coordenadores, médicos, dentista e enfermeiros. Mas é claro que um monte de barrigudas-linguarudas reunidas na mesma sala acabou em um troca-troca sem fim de experiências e sensações. Uma delícia!

No meio disso tudo – perdido, confuso e arrependido  – estava meu marido. Como consegui levá-lo até lá? Isso é assunto para o próximo post. Mas já adianto que minha performance para convencê-lo a me acompanhar também ganhou várias estatuetas do Oscar.

6 comentários 18/07/2009

Meu menino

MininuHomiÉ menino. E é um menininho muito exibido. Assim que a médica ligou a aparelhagem e começou a ultrassonografia, ele esticou as perninhas e mostrou as partes pudentas. Parecia até estar preocupado em encontrar o melhor ângulo para mostrar o que tinha aparecido no meio das perninhas desde a última “espiada” que demos nele. Safadinho da mamãe! Um momento inesquecível que funcionou como uma espécie de marco na gravidez. Parece que saber o sexo do bebê torna tudo mais real.

Bom, pelo menos facilita a conversa entre nós dois (sim, nós conversamos muito, damos bom dia, boa noite, batemos papo no chuveiro, cantamos nossas músicas prediletas enquanto dirijo, trocamos ideias sobre o que queremos comer no almoço),  pois posso aumentar o vocabulário e ir além de “meu bebê”, “oi bebê”, “hey, baby”. Hoje já usei a variação“Oi, filhOOOO”.

Facilita aqui no blog também e nos e-mails. Pois não preciso mais me referir ao bebê assim: “Se ele (ela) puxou para mim”, “Hoje meu (minha) filho (a) chutou bastante”.  O recurso   (a) foi abolido.

Melhor que isso: agora poderei chamá-lo pelo nome. Nome que ele ainda não tem, pois os pais dele estão escolhendo com cuidado e carinho. Papai e mamãe sabem que é o primeiro presente que vão dar a ele, por isso tanto capricho na decisão, tanto empenho em escolher o melhor, o mais bonito, o mais sonoro, o mais numericamente-esotericamente-espiritualmente iluminado.  E também um nome que não facilite piadas, trocadilhos, apelidos jocosos. Sem falar no cuidado para não dar a ele um nome que lembre alguém que não tenha sido boa pessoa.

CartoonNomedoBebe

Mas ninguém parece ter sido avisado que o nome é escolhido pelos pais: TODO mundo tem mil opiniões sobre o assunto. Aliás, “Dê Palpite Sobre o Nome do Bebê” parece ser o próximo capítulo do Roteiro Básico de Conversa (Irritante) com uma Gestante. Demos um passo adiante no roteiro. Antes, geralmente estacionávamos no “meninoooo ou meninaaa?” Agora as pessoas podem ir além. Ao ouvirem a resposta “menino”, podem disparar a pergunta seguinte: “Como vai chamar?”

Se já houvesse um nome definido, o máximo permitido seriam comentários educados (mesmo que falsos): “Que lindo!”, “Que nome forte!”, “Era o nome do meu avô”. Claro que de vez em quando surge alguém para fazer comentários não tão polidos: “Eu tive um cachorro com esse nome”.

Por mais que eu capriche na dicção para ter certeza de que entendem minha resposta quando digo com todas as letras e entrelinhas: “Não escolhemos o nome ainda” , a maioria das pessoas sempre ouve algo totalmente diferente do que eu falei. É como se eu tivesse dito: “Não tem nome ainda, você quer dar algumas sugestões ou fazer piadas sobre o assunto?”

Tem gente que sugere verdadeiras listas de nomes. A sogra acha que o bebê deve receber o nome do pai, mesmo que seja pra ser conhecido apenas como “Júnior” a vida toda ou pelo diminutivo do nome original (para diferenciar pai e filho). Os outros parentes querem que seja  o nome do tatatatatatatatataravô que já morreu ou então sugerem a junção de pedaços dos nomes dos avôs maternos e paternos, para fazer uma bela homenagem (embora geralmente nada sonora). Aquele lindo bebezinho rosado seria conhecido a vida toda por combinações esdruxúlas como Marcelo Manoel ou Lindolfo Alessandro. Meu momento preferido é quando começam a unir pedaços dos nomes dos pais da criança para formar um novo nome, totalmente inédito no cenário dos cartórios de registro civil do Brasil.

– Que tal Pedraura? Junta Pedro do pai e Laura da mãe!

– Camila e Antônio dá o quê? Camônio….Antamila…Anila…

Apesar de ser a favor da criatividade e da liberdade de expressão, minha resposta para os mais íntimos (sempre acompanhada de um sorriso) é:

– Não, não tem nome ainda e não estamos aceitando sugestões no momento. Fechamos o departamento de sugestões e estamos concentrados em decidir. Assim que o nome for escolhido, você será avisado.

Mesmo assim tem gente que continua a sugerir nomes. Ah, em ordem alfabética.

50 comentários 14/07/2009

O sexo dos anjos

MeninoOuMenina3“Sua barriga mudou nos últimos dias. Está mais arredondada e linda! É menina.” – ouvi hoje, durante o jantar. Acho que essa foi a última previsão do sexo do meu bebê. Amanhã a ultrassonografia deve revelar a verdade, nada mais que a verdade. Então todos poderão se concentrar em outros tipos de crendices, como prever se o bebê será cabeludo, alto, baixo, chorão, a cara do pai, narigudo, jogador de futebol, religioso, alérgico.

Para me despedir dessa fase das especulações sobre o sexo, reuni algumas crendices e frases que ouvi durante a gravidez. E também algumas “simpatias” das quais fui vítima que fizeram comigo:

Se a barriga for pontuda e saliente, é gestação de menino.  Ventre arredondado, que cresce para os lados: menina. (Dica importante: desconsidere se a grávida anda abusando dos carboidratos, o que poderia – em circunstâncias menos esotéricas – ter provocado o surgimento dos “pneuzinhos”)

– Coloque uma colher numa cadeira e um garfo na outra. Cubra bem cada umcolhergarfo deles com panos. Quando a grávida se aproximar, peça para escolher uma cadeira para sentar. Se ela escolher a da colher, é menina. Se escolher a do garfo, é menino. (Dica importante: lembre-se de tirar os talheres antes da gestante sentar).

– Peça para a grávida mostrar as mãos. Se mostrar com as palmas para baixo, é menina. Se mostrar com as palmas para cima:menino. (Dica importante: desconsidere se a grávida não teve tempo de pintar as unhas e está com o esmalte vermelho descascado…o que poderia justificar a necessidade de mostrar as palmas das mãos, para esconder o fato de não ter encontrado a manicure nos últimos dias)

Se o bebê mexe muito, é menino. Se quase não mexe, é menina.

– “Você teve muita vontade de consumir alimentos ácidos, é menino. Vontade de doces seria menina”. (Assustadora revelação…já que tive vontade de comer alimentos ácidos no início da gravidez e doces a partir da 12.a semana. Jééééésuuus….será que o bebê fez operação de troca de sexo?)

“Se surgiram manchas na pele e acne, é menino”. Justificativa de quem me deu essa informação: “o menino sempre judia mais da mãe”.

No dia em que descobri que meu bebê havia sido gerado a partir do ovário direito (e paguei um dos muitos micos da minha gestação) minha obstetra comentou:

– Ah, se veio do ovário direito, então é menino!

Fiquei impressionada com a afirmação, pois nunca tinha ouvido falar que era possível saber o sexo do bebê a partir dessa informação. Então ela completou o raciocínio e revelou que estava brincando (a tonta aqui caiu que nem uma patinha na brincadeira, mas fez questão de pregar a peça em todos os parentes e amigos depois, é cla-la-ro!):

– Sim, pois neste mundo machista em que vivemos, preste atenção como são as coisas: tudo o que é bom, “DIREITO”, correto, perfeito, é masculino. O que é “TORTO”, imperfeito, é feminino.

Ri muito, concordei, e dei o troco na médica:

– Bom, eu já sei o sexo do bebê, pois consultei o Oráculo da Gravidez na internet.

Ela nunca tinha ouvido falar nisso e se divertiu com a informação de que era possível saber o sexo do bebê apenas com base na idade da mãe e a data de fecundação.

Bom, todos têm 50% de chances de errar e 50% de chances de acertar resumiu a doutora.

9 comentários 13/07/2009

Cabeça de grávida ataca novamente

amnesiaDesta vez foi mais constrangedor pois havia testemunhas. No dia do grão de bico queimado eu estava sozinha e depois contei só pra minha mãe.  Agora não. O mico-grávido aconteceu numa sala lotada. Por sugestão da minha obstetra, marquei consulta com um médico especializado em veieira veias circulação para indicar se eu devo usar meias, por que apareceram alguns “vasinhos” nas minhas pernas (vasinhos é um jeito suave de nomear os “filhotes de varizes”). Sala de espera lotada, entra  a grávida esbaforida (fazia muito calor na rua, eu tinha saído de casa atrasada como sempre  e estava em estado quase de choque, por que ao parar no estacionamento da clínica havia descoberto que guiara meu carro durante uns 4 km com o freio de mão puxado!).

Ainda impressionada com a minha barbeirice no trânsito , sou atendida por uma secretária suuuuuper simpática (mesmo!) e sorridente. Ela  pede carteirinha do plano de saúde e documento de identidade. Me acomodo na  cadeira, coloco a bolsa na cadeira ao lado (grávida é espaçosa), a pasta com exames por baixo e não sei o que faço com as revistas (Pais&Filhos, Crescer e G Magazine que levei pra ler enquanto tomo mais um chá de cadeira numa sala de espera de clínica médica). Deixo cair as revistas, quando abaixo pra pegar, derrubo meu celular, daí abaixo de novo e de rabo de olhos vejo que um monte de gente olha pra mim com curiosidade. Ok, consegui atenção, não estou mais sozinha no mundo.

Secretária (polidamente fingindo que não notou meu comportamento estabanado) – Primeira consulta?

– Sim.

-Vamos preencher um cadastro, então?

– Ok.

– Nome? Profissão? Estado Civil? Data de Nascimento?

Respondo tudo sem pestanejar e nem minto a idade (por que pro médico a gente precisa contar a verdade, doa a quem doer). Daí ela pergunta o nome da rua onde moro. Começo a responder:

– Antônio….

Ela escreve: A-N-T-Ô-N-I-O  e olha pra mim.

Tento, mas não consigo lembrar o resto. Que aflição. As próximas palavras não estão na ponta da língua, nem perto dela. Não estão em nenhum lugar. Pacientemente, a secretária sorri pra mim. Reviro meu cérebro, mas não encontro nenhuma pista do meu endereço. Pelo jeito, além de puxar o freio de mão do carro, também puxei o freio de mão do meu hipocampo. Digo constrangida que não consigo lembrar o outro nome da rua. Aliás, não  lembro nem se tem mais um nome ou dois. Só lembro o primeiro. Procuro nas minhas coisas um documento que tenha o endereço completo, mas não acho. Explico: “Estou grávida, a médica disse que esse tipo de coisa acontece, sabe, os hormônios deixam o cérebro meio lerdinho”. Ela sorri.

Decido ligar para o marido e perguntar o nosso endereço. Toca toca toca e não atende. Caixa postal. Desligo. Mais tarde dei graças a Deus por ele não ter atendido. Por que depois decido não contar sobre minha amnésia temporária. Já pensou se ele apavora e não deixa mais eu sair de casa sozinha, com medo de eu não saber voltar? Pergunto se posso informar o endereço depois, por que vou tentar lembrar com calma. A secretária fala que não faz mal e consigo responder às outras questões (telefone para contato, quem indicou o médico, etc.). Consulta autorizada, ela avisa, sempre sorridente:

– Agora é só aguardar, logo será chamada.

Antes de levantar, tento explicar:

– Olha, eu mudei há duas semanas, ainda estou com o endereço velho na cabeça.

Mentira deslavada, moro desde o ano passado na mesma casa. Ela sorri. Ai, moça, para de sorrir que tô ficando deprimida. Fala logo que eu sou uma lesma gorda que não sabe nem onde mora. Levanto e deixo escapar a pérola do dia:

– Bom, não lembro o nome, tudo bem, mas o importante mesmo é que pelo menos eu sei chegar lá, né?

Ela sorri.

30 comentários 09/07/2009

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