Arquivo de setembro 2009




Cem gramas

InimigaMortal

Tirei essa foto aí acima na última consulta com a obstetra, há duas semanas. Hoje  a coisa deve estar certamente está bem pior – e mais pesada. Foi assustador ver esses números no visor da balança. Um mês antes ele havia mostrado quatro quilos a menos! Na mesma hora, desconfiada das reais intenções daquela balança sacana, perguntei em voz alta:

– Como é que pode uma pessoa engordar quatro quilos em um mês? E treze quilos em sete meses?

Ela respondeu aumentando cem gramas depois da vírgula. Inaceitável! Ladra! Bandida! Cretina! Dei um passinho bem curto para trás e o “dois” virou “um” novamente.  Como é que eu vou confiar numa balança que aumenta cem gramas quando a gente muda de lugar enquanto está em cima dela? Em vez de confiar, tentei usar aquilo a meu favor. Fiquei dançando sobre a balança pra pra ver se conseguia diminuir um pouco mais o peso denunciado pelo visor. Tentando encontrar um ponto que tirasse pelo menos um quilo. Mas ela só ía de 73,1 kg para 73,2 kg. E vice-versa. Ai, ser monótono! Só parei com aquele arrasta-pé ridículo em cima do aparelho quando me dei conta que havia uma grávida atrás de mim, esperando sua vez de enfrentar nossa inimiga mensal. Fui egoísta e não dividi com ela minha descoberta sobre a falha que permitia reduzir até 100 gramas. Não quis correr o risco de ser a única a levar bronca da obstetra (de novo!) naquele dia.

25 comentários 30/09/2009

Parto em partes

Há meses só penso nele. Já passei noites em claro por não conseguir parar de imaginar os detalhes, os sons, cheiros, movimentos. Leio sobre ele, converso com todo mundo sobre ele. Aguardo sua chegada com ansiedade. Quando será? De madrugada? À noite? No meio do almoço? Vai doer ? (ah, essa resposta eu sei: vai, vai doer muito) Vou chorar? (essa resposta eu também sei).

O parto.

No início da gravidez ele era um tema secundário. Mas conforme a barriga foi crescendo, o parto ganhou espaço na minha lista de assuntos preferidos e ultimamente lidera o ranking da ansiedade.

Li e ouvi todo tipo de coisa sobre todo tipo de parto. Relatos tristes, dolorosos e assustadores. Histórias lindas, tranquilas e inspiradoras.  Algumas ajudam a decidir o que ainda não foi definido e colaboram para eu me preparar para esse momento tão especial e, ao mesmo tempo, tão desconhecido. Outras me oprimem e fazem tudo parecer mais difícil.

Sinto  medo e ao mesmo tempo estou curiosa e ansiosa. Como  tivesse sido acordada no meio da noite por um som distante. Então caminho na penumbra, sozinha,  por esse corredor silencioso. Não sei mais se despertei mesmo ou se ainda estou sonhando. No fim do corredor meu futuro me espera. Tantas pessoas já seguiram por aqui e me contaram como é. Mas nenhum final foi igual ao outro. São histórias parecidas, mas totalmente diferentes. E elas não eram como eu sou. Não há como prever o final da minha caminhada. Não caio na armadilha de fazer comparações. Somos seres únicos e cada linha da nossa história é escrita com uma tinta inimitável. As diferenças não nos tornam melhores ou piores, mas nos fazem singulares.

O medo do desconhecido acena para mim durante todo o trajeto. Isso me assusta  e me fascina. Será totalmente diferente de tudo o que já fiz na vida. Tenho medo do que terei de enfrentar. Mas não quero (e nem tenho como) voltar.

Sigo em frente. Transpiro coragem e medo. Sou frágil e valente. Volto a ser menina e me emociono como somente as crianças são capazes de fazer. Deixo a imaginação me carregar, mas mantenho meus adultos pés no chão. Somos muitas mulheres em uma só, que caminha na direção de uma nova e definitiva identidade: mãe. No final do corredor todas nós seremos fundidas nesse novo e mágico ser, dotado de poderes especiais. Passo a passo me aproximo da minha verdade. Raras vezes o medo me faz desejar ir mais devagar. Já a ansiedade me apressa e atormenta: os ponteiros não se movem. O corredor parece ainda maior. A sombra do medo disputa espaço com as luzes da fé e do amor.

Serei capaz? Qual o melhor caminho? Como será depois?

As dúvidas se dividem e multiplicam num louco balé, como células. Algumas se agarram aos meus cabelos, sobem pelas minhas pernas, se enroscam na minha garganta. Numa batalha cansativa e necessária – que me fortalece – esmago uma a uma. Mas outra surgem e o combate nunca termina. Uma luta gratificante que me transforma passo a passo.

Me aproximo aos poucos do momento em que vou parir meu filho e minha vida vai parir a mãe que meu filho gerou. Quando chegar lá, descobrirei enfim o segredo universal do amor.

16 comentários 28/09/2009

Mãevó

DuasBarrigasSala de espera lotada. É dia de atendimento apenas de gestantes, então as cadeiras acomodam principalmente barrigudas, algumas acompanhadas, outras sozinhas (como eu). Sempre levo um livro para suportar a longa espera, mas geralmente não tenho tempo de abri-lo. Alguém acaba puxando papo e o tempo passa rapidamente enquanto trocamos informações sobre a gravidez. O assunto quase sempre começa do mesmo jeito monótono:

– De quanto tempo você tá?

– É menino ou menina?

– Primeiro filho?

Encaro com resignação essa primeira parte por que sei há chance da coisa  ficar interessante depois. É como almoçar um prato de legumes de olho na sobremesa. Histórias pitorescas costumam acompanhar aquelas barrigas na sala de espera e gosto de ouvi-las.

Na última consulta uma jovem de 18 anos puxou papo comigo. Ela estava acompanhada pela mãe, que de vez em quando fazia algum comentário, mas sem participar muito da conversa.  Durante o interrogatório preliminar eu soube que aquele era o primeiro filho, sete meses de gestação, era uma menina, ainda não havia escolhido o nome, a gravidez não havia sido planejada, ela e o namorado não queriam casar, nem morar juntos.

No meio da conversa, a secretária da obstetra vem até a porta da sala de espera e chama mais um nome. A fila anda. A mãe da jovem levanta e diz:

– Eu! Aqui! – e  acompanha a secretária.

Tentei entender a situação. Era dia de consulta apenas de gestantes. Nesse dia, a médica não atende pacientes que não estejam grávidas. A filha era a barriguda da família. Por que a mãe entrou e a grávida ficou sentada ali na minha frente, sem se mexer? Acho que tinha um ponto de interrogação gigante na minha cara ou a menina lia pensamentos:

– Hoje eu não tenho consulta, é só a minha mãe.Ela até queria que eu entrasse com ela, mas acho que sozinha ela fica mais à vontade, né?

Ela voltou então a falar de enjoos, berços ideais e estrias. Cerca de 20 minutos depois a mãe voltou e sentou ao lado dela. A jovem grávida perguntou:

– E aí, mãe? Está tudo bem?

É…está, né? – a mãe suspirou.  Depois de um tempo ela acrescentou:  – De acordo com exame, estou de 15 semanas.

Não me controlei:

– Você também está grávida???

A expressão da mãe era um misto de vergonha, orgulho e resignação. Então ela contou em detalhes a história da sua vida. Tinha 47 anos, havia casado muito cedo. Mãe de três filhos, havia enfrentado na última gestação uma grande complicação e os médicos garantiram que ela nunca poderia engravidar novamente. Nunca mais se preocupou com métodos contraceptivos. A menstruação era irregular, praticamente inexistente. Nos últimos meses seu peso havia aumentado, estava sentindo muita fadiga e o corpo parecia inchado. Sem falar no calor insuportável. Deduziu que era a menopausa que chegava acompanhada da notícia de que ela seria avó. Procurou a médica, que indicou alguns exames. O resultado surpreendeu a família toda:

Loucura, não é? Eu aqui  feliz, me preparando para ser avó e recebo uma notícia dessas.

A filha sorriu:

Não é o máximo? Tio e sobrinho vão ter quase a mesma idade.

Nossa conversa foi interrompida pela secretária, que chamou meu nome dessa vez. Me despedi e entrei no longo corredor da clínica, encantada. Como sempre, a sala de espera não havia me decepcionado.

13 comentários 27/09/2009

Perereca Adormecida (da série Sem Medo de Perguntar)

PererecaBelaAdormecidaContinuamos com a divertida, informativa e totalmente cheia de micos série “Sem Medo de Perguntar”. Depois da introdução ao assunto, durante a qual explicamos o valioso método da cadernetinha de perguntas aliada a cara-de-pau da gestante, continuamos nossa série com as inúmeras perguntas que médicos, enfermeiros, amigos, blogueiros, pais, mães, vizinhos e oráculos podem ter de responder ao topar com uma gestante de primeira viagem.

No consultório, há duas semanas, virando mais uma página da cadernetinha de perguntas:

Bom, doutora, vamos lá, minha décima quinta pergunta de hoje…

Minha médica é tão paciente (entendeu o trocadilho? médica…paciente…dãããã) que não suspira, nem revira os olhinhos, nem me xinga. Ela curva o corpo para a frente e faz um genuíno ar de interesse. Não sei se ela é maravilhosa mesmo assim ou se é uma atriz nata (Oi, Globo! Oi, Hollywood!). A sala de espera entupida de barrigudas zangadas pela demora e minha querida médica lá dentro, batendo papo comigo, esclarecendo ca-da-du-vi-da-zi-nha. Com direito a maquete do útero quando necessário e uns desenhos caprichados naquele bloco enorme de papel que cobre metade da mesa.

Minha…é….vagina…ela está meio que…quer dizer…totalmente…adormecida. Anestesiada mesmo. Eu não sinto nada lá.

Sei que é quase ridículo, mas fico com vergonha de falar certas coisas até com a médica. Talvez se fosse por telefone ou e-mail. Mas olhos nos olhos quero ver o que você faz… não é fácil pra mim. Não tem nada  a ver com timidez. É um lance pudico que me acompanha e do qual não consigo me livrar.

Isso é normal – disse a médica sorrindo, mas não como se achasse graça da pergunta, mas sim como se fosse muito fofa a minha vagina adormecida é  seu corpo já se preparando para a saída do bebê. Isso é ótimo, mais um indicativo de que está tudo bem com vocês!

Mas ainda não completei nem sete meses, não é um pouco cedo pra tudo estar tão…tão…em ritmo de saída já?

– Não! Não! É assim mesmo!

Então tá. Só espero que a dita-cuja lá embaixo não esteja esperando um beijinho para acordar. Por que a coisa promete ser bem mais intensa que uma simples bitoquinha de príncipe encantado. Você vai acordar na marra, bela adormecida!

12 comentários 25/09/2009

O buraco é da gestante

Por qual buraco o bebê deve sair? É uma decisão que cabe somente à mãe e ao médico da mãe. Mais ninguém tem direito de interferir nessa decisão. Essa já era minha opinião e foi reforçada ao ler dois textos esta semana, em blogs grávidos de segunda viagem, ou seja, com mais experiência que eu para saber o que faz uma gestação feliz.

Recomendo a leitura: (é só clicar no link para abrir o texto)

1) “De que buraco você saiu?” – do blog Boca nu trombone

2) “Parto normal ou cesárea?” – do blog Esperando Alice

28 comentários 24/09/2009

“Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las”

SomosTodosDiferentesFiquei emocionada com a solidariedade e as palavras de conforto de tantas pessoas que não conheço. Este post é para agradecer a todas as mensagens super carinhosas deixadas na parte de comentários do post anterior. Deixo aqui uma mensagem única de agradecimento, não apenas pelo apoio e o carinho (que sempre me surpreendem nesta nova experiência que é ter um blog), mas também pelo que considero ainda mais importante: a ausência de julgamento.

Em nenhuma das mensagens fui julgada ou condenada pelo fato de admitir que nunca havia pensado em ter mais filhos, mas que passei a pensar em tê-los depois que soube que talvez não possa ter outras gestações (algo que poderia soar meio mesquinho, confuso, infantil, não sei). Ninguém questionou minha opinião, meus sentimentos de insegurança, a contradição das minhas palavras.

O que recebi foram palavras de incentivo e esperança. Ninguém julgou o que escrevi. Cada pessoa  que deixou um comentário aqui aceitou que eu tenho o direito de ser do jeito que sou . Minha realidade não é igual a de mais ninguém. Das minhas dores, medos, anseios e razões para ser como sou, apenas eu sei. Aliás, às vezes nem eu mesma sei. Por que muitas vezes nem a gente se conhece direito. Muias vezes descobrimos facetas nossas que não imaginávamos existir. Elas aparecem geralmente nas horas de dificuldade, de pânico, de necessidade. Nessa hora até nós mesmos podemos ficar surpresos com as nossas reações. “Nossa, não sabia que eu era assim”.

Essa reação da maioria me fez pensar (yes, de vez em quando pega no tranco, gente!) sobre algo que tem me incomodado nas redes sociais da internet que comecei a frequentar depois da gravidez.  Ao navegar por esse mundo totalmente novo para mim, conheci pessoas que foram vítimas de uma crueldade inacreditável. Ao relatar suas experiências, foram julgadas e massacradas. Muitas vezes o julgamento é disparado por  gente com experiência nula sobre o assunto em questão, bem no estilo “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Sabe aquele pai que não quer que o filho adolescente fume, mas acende um cigarro atrás do outro na frente do rebento? Ou a vizinha que não limpa o próprio quintal mas vive apontando a sujeira da calçada da casa ao lado? Gente assim.

Mas a reação ao post anterior mostra que há muita vida sensata na rede, pessoas com capacidade de não julgar, de não condenar, de aceitar que somos todos muito diferentes. É assim que deve ser.

Aqui no blog conto minhas histórias, falo de minhas experiências, descrevo minhas reações. Mas não julgo quem pensa diferente. É o caso por exemplo do post sobre como meu filho é planejado. Foi a minha opção e acho que seria impossível algo diferente acontecer na minha vida, já que tenho pais que me ensinaram a ser assim e me criaram dentro de um verdadeiro comercial do Ministério da Saúde sobre técnicas de prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis e gravidez não desejada.

Mas em nenhum momento condeno, condenei ou condenarei quem fez diferente. Meu objetivo não é comparar histórias. É apenas contar a minha. Não acho que ela seja melhor ou pior do que as histórias dos outros. Não acho que a minha escolha tenha sido a melhor ou a pior, a certa ou a errada. Ela pode apenas ser diferente da opção de outras pessoas, mas isso não significa que seja a correta. Das experiências que me contam, tento absorver sempre algo que me ajude a evoluir cada vez mais. E é isso o que espero que aconteça com quem lê o que escrevo: que use o que achar útil e descarta o restante, sem julgar, sem condenar.

É possível mostrar o valor de uma opinião sem precisar desmerecer a experiência alheia . Como aconteceu no caso da entrevista da Maria Mariana, por exemplo, que para demonstrar o quanto é “perfeita” desmereceu as atitudes de todas as outras mulheres que não seguiram a mesma cartilha que ela. A (ex)atriz e autora poderia simplesmente ter relatado suas experiências como mãe, sua satisfação em ter conseguido o parto normal que tanto ansiava (e a tristeza por enfrentar uma cesárea que não queria), sua realização em passar o dia catando as cuecas do marido espalhadas pela casa. Mas não bastou falar de suas escolhas, ela jogou pedra em quem foi por outro caminho. Para mostrar o quanto é feliz com essas experiências, ela não precisava condenar quem fez outras escolhas. Afinal, as mulheres que gostaram de suas cesáreas ou que preferem não ter marido para não catar cuecas no chão também podem ser felizes. O que é sinônimo de felicidade para uma pessoa, pode não ser para outra. Tem gente que não imagina a vida sem filhos, mas tem gente que é feliz sem família. E não cabe a ninguém julgar as escolhas dos outros.

Apontar

Afinal, quando um dedo seu aponta alguém, outros três dedos apontam de volta para você.


**A frase do título é da Madre Teresa de Calcutá. A frase sobre os dedos não lembro de quem é.”

16 comentários 22/09/2009

Uma ameaça de 3 centímetros

E no meio do útero havia um mioma. Havia um mioma no meio do útero. NaFlorMurcha verdade não é bem no meio. Não entendi direito onde é. O que sei é que está em outra parede, muro,divisória do útero, sei lá como foi que a médica falou, só sei que está longe do lugar no qual meu bebê está crescendo. Ufa! Honestamente, não entendi muito bem a explicação da médica por que não consegui prestar atenção, só me concentrei na parte do “não oferece perigo para o seu bebê, não vai interferir na gravidez”. Depois disso, minha cabeça entrou num turbilhão de alegria e minha vontade era sair correndo dali, respirar um ar puro. Aliviada por saber que não havia risco para meu filho, sorri, agradeci e peguei minha bolsa. Foi o tempo do cérebro processar um pequeno interrogatório. Sentei novamente e disparei:

– Mas e se eu decidir ter outro filho depois? O mioma pode prejudicar?

Quem pergunta o que não deve, ouve o que não quer, já dizia minha avó.

Então a médica respirou fundo, me olhou ternamente e começou a falar pausadamente. Isso me assustou. Conheço essa mulher há anos. Sabia que ela estava se preparando para dizer algo que eu não ficaria feliz em ouvir:

Talvez. Mas só saberemos disso mais pra frente, depois do parto. Quando seu útero voltar ao tamanho normal, faremos alguns exames e vamos acompanhar para ver o que acontece.

Um baque. Eu nem pensava em ter outra gestação. Mas aquilo me deixou triste como se eu tivesse planejado gerar um time de futebol. Saber que pode haver uma espécie de bomba-relógio anti-gestação circulando comigo por aí teve um efeito devastador. Me arrependi de ter perguntado. Estava feliz por saber que não afetava a atual gravidez. Por que fui perguntar sobre uma suposta gestação que em princípio nem deveria mesmo existir? Ah, é o tal controle sobre o próprio corpo, que desejamos tanto ter, mas parece escapar o tempo todo das nossas mãos. Ou do nosso útero. Já que havia estragado tudo com aquela pergunta, aproveitei para questionar um pouco mais:

– Esse mioma apareceu na gravidez? Por que ele não tinha sido detectado em outras ultrassonografias?

– Provavelmente já estava aí, não dá para ter certeza. Agora o útero está crescendo e o mioma está sendo “esticado” (ela fez sinal de aspas com os dedos) junto.

Perguntei ainda se esse mioma tinha alguma coisa haver com aquele hematoma que havia causado sangramento no início da gravidez. Ela disse que não.

A médica ainda falou um pouco mais sobre isso, que eu não deveria me preocupar agora, que o importante é que o bebê está bem, tudo está correndo bem, para eu me concentrar nisso e deixar para me preocupar com o mioma depois, por que faremos exames, etc.

Mas quem consegue esquecer uma conversa assim? Penso no mioma várias vezes por dia. Ele me causa arrepios e indignação. Não faz nada, está lá quietinho. Mas é uma possível ameaça silenciosa para a família numerosa que eu nem havia planejado ter antes de saber que talvez não possa mesmo gerá-la. Alguém entende esse sentimento? Eu não.

18 comentários 21/09/2009

Empurra de volta

DáUmaMãoMarido e mulher deitados um ao lado do outro na cama. Ela então com cerca de 25 semanas de gestação do primeiro filho deles:

Aiiii! – mulher leva as mãos até o ventre.

Que foi??!

Nossa! O bebê deu uma mexida tão forte agora…

– Doeu?

Vontade de responder “não, senhor Perspicácia, eu sempre gemo, franzo a testa e faço cara de dor quando alguma coisa é gostosa, vai ver sou masoquista“, mas mulher se controla, faz que sim com a cabeça, comprime os lábios num misto de dor e alegria (tão bom saber que o nenê tá forte assim, pulando na cama elástica do útero logo de manhã) e se prepara para a próxima investida do tourinho. Afinal, ele nunca bate uma vez só.

– AAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIII! – a segunda pirueta é bem mais intensa e a mulher sente um empurrão bem forte lá embaixo, próximo à futura área de saída do bebê.

Vixe, amor, essa doeu, hein?

Ela quer dividir o momento, descrever as sensações para o pai do bebê:

– Não é só dor…é que dá um pouco de aflição…parece que ele esticou o bracinho todo dentro do canal da vagina e colocou a mãozinha pra fora. É estranho. Será que ele tá tentando sair, amor? brinca a gestante

Marido senta na cama, atônito:

O quê? Sair? Agora? VOCÊ SENTIU ELE TENTANDO SAIR? (voz de pânico paternal) Não é melhor ligar pra médica? Ou empurrar ele de volta, sei lá?

Acreditem ou não: ele estava falando sério.

22 comentários 19/09/2009

Grávida que rouba (ex-)grávido tem 100 anos de perdão

BebePlantaFurtei mais um post. Já é o segundo esta semana, então acredito que em breve serei eleita para algum cargo importante no Congresso e terei de rumar grávida e serelepe para Brasília. Pelo menos quando tasco a mão no post alheio tenho a decência de identificar o autor e fornecer links diretos para criatura e criador. Desta vez usurpei um texto de um ex-grávido, agora já papai de uma menininha linda. Adoro ler o que os meninos escrevem sobre gestação e afins, pois é sempre uma ótica totalmente nova (e geralmente bem  menos dramática) da minha.  Leia abaixo e diga se não dá vontade de furtar:

Uma bebê é como uma planta, exceto que não combate zumbis.

Você tem que regar bastante mas não demais, pra não afogar.
Você tem que conversar sem esperar resposta, mesmo que te achem louco.
Você tem que evitar que seja esburacada por bichos.
Sua vida envolve lidar com adubo.

mas olha como é legal:
Tinha uma sementinha com peso insignificante que morava no meu saco.
Nove meses depois disso aparece um brotinho barulhento de quase três quilos.
Em menos de um ano ela triplica de peso e vira uma linda flor.
E florzinha, às vésperas de completar onze meses, aprendeu a dar abraço!
Dá vontade de chorar de tão bom que é…

(Clique aqui para conhecer o blog Diário de Um Grávido, dono do texto)

12 comentários 17/09/2009

@Cardoso é que era mulher de verdade…

mariamariana“Parto normal é que nem piscina gelada. Depois que entrou seu único consolo é chamar os manés de fora pra pularem também”.Péééééraaaa, segurem as pedras mais um pouco que é pra dar tempo de avisar que não escrevi a frase acima. Esse foi um dos dardos que o polêmico @Cardoso disparou hoje no Twitter depois que descobriu aquela entrevista da Maria Mariana (que achava que era mulher de verdade que nem a Amélia….) na qual ela distribuiu rótulos e ressuscitou mantras machistas que julgávamos decompostos a esta altura do milênio. Na época as declarações dela me irritaram  – como a tantas outras mulheres que batalham para triunfar em seus turnos.

Como hoje passei a manhã limpando a casa desenvolvendo uma vacina para curar a gagueira e a tarde passando roupa no meu MBA, não marquei presença no Twitter e perdi todo o bafo. Tive de me contentar com o rescaldo da polêmica. Melhor que passar fome é comer um zoiudo requentado,  por isso me deliciei com o que encontrei nos arquivos do Twitter e dos blogs. Saboreei as tiradas ácidas do @Cardoso e também a forma como a maioria das pessoas reagiu à entrevista da Maria Amélia Mariana. A melhor de todas as respostas veio de uma mãe blogueira que traduziu em palavras alguns pensamentos e sentimentos que ainda não encontram a saída pelas minhas mãos e continuam presos em mim, à espera de um dia ser texto.

Um trecho do que ela escreveu:

Passei toda minha gestação ansiando por um parto normal.
Normal mesmo!
Meu sonho, na época, era ter uma vó parteira, dessas que fazem o parto em casa com uma tesoura que passa de geração para geração.
Louca?
Pode ser.
Mas eu achava que isso reforçava a importância de ser mãe.
Louca mesmo.
Também acreditava que pra ser mãe tinha que amamentar.
Sonhava em amamentar minha filha até uns dois anos de idade.
Achava lindo. Ainda acho.
Quando eu ouvia alguma mãe contando que não tinha leite ou que o bebê não pegou o peito eu pensava, quietinha, “coitada, essa aí não nasceu pra ser mãe”.
Resumindo a história, eu paguei por toda a minha ignorância.
Minha filha nasceu 20 dias antes do prazo, numa cesariana feita às pressas em decorrência de pré eclâmpsia.
Quase morri e, pra piorar, o médico não pode esperar nem 15 minutos pra anestesiar fazer efeito e eu, por vias tortas, senti as piores dores do parto. Dor de navalha cortando a carne.
Mas, como a maternidade é um verdadeiro milagre e quase sempre que nasce um filho nasce também uma mãe, seja de parto normal ou cesariana, o chorinho da pequena diluiu a minha dor e a lembrança que ficou do momento, apesar dos riscos, é de amor.
Pra melhorar a brincadeira ou, se preferirem, pra diminuir meu carma e minha arrogância pré-maternal, meu leite só durou duas semanas.

Clique aqui e leia o texto todo da Maitê, no blog Penso em Tudo, que descobri hoje e já está nos meus Favoritos.

14 comentários 14/09/2009

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