@Cardoso é que era mulher de verdade…

14/09/2009 blogdagravida
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mariamariana“Parto normal é que nem piscina gelada. Depois que entrou seu único consolo é chamar os manés de fora pra pularem também”.Péééééraaaa, segurem as pedras mais um pouco que é pra dar tempo de avisar que não escrevi a frase acima. Esse foi um dos dardos que o polêmico @Cardoso disparou hoje no Twitter depois que descobriu aquela entrevista da Maria Mariana (que achava que era mulher de verdade que nem a Amélia….) na qual ela distribuiu rótulos e ressuscitou mantras machistas que julgávamos decompostos a esta altura do milênio. Na época as declarações dela me irritaram  – como a tantas outras mulheres que batalham para triunfar em seus turnos.

Como hoje passei a manhã limpando a casa desenvolvendo uma vacina para curar a gagueira e a tarde passando roupa no meu MBA, não marquei presença no Twitter e perdi todo o bafo. Tive de me contentar com o rescaldo da polêmica. Melhor que passar fome é comer um zoiudo requentado,  por isso me deliciei com o que encontrei nos arquivos do Twitter e dos blogs. Saboreei as tiradas ácidas do @Cardoso e também a forma como a maioria das pessoas reagiu à entrevista da Maria Amélia Mariana. A melhor de todas as respostas veio de uma mãe blogueira que traduziu em palavras alguns pensamentos e sentimentos que ainda não encontram a saída pelas minhas mãos e continuam presos em mim, à espera de um dia ser texto.

Um trecho do que ela escreveu:

Passei toda minha gestação ansiando por um parto normal.
Normal mesmo!
Meu sonho, na época, era ter uma vó parteira, dessas que fazem o parto em casa com uma tesoura que passa de geração para geração.
Louca?
Pode ser.
Mas eu achava que isso reforçava a importância de ser mãe.
Louca mesmo.
Também acreditava que pra ser mãe tinha que amamentar.
Sonhava em amamentar minha filha até uns dois anos de idade.
Achava lindo. Ainda acho.
Quando eu ouvia alguma mãe contando que não tinha leite ou que o bebê não pegou o peito eu pensava, quietinha, “coitada, essa aí não nasceu pra ser mãe”.
Resumindo a história, eu paguei por toda a minha ignorância.
Minha filha nasceu 20 dias antes do prazo, numa cesariana feita às pressas em decorrência de pré eclâmpsia.
Quase morri e, pra piorar, o médico não pode esperar nem 15 minutos pra anestesiar fazer efeito e eu, por vias tortas, senti as piores dores do parto. Dor de navalha cortando a carne.
Mas, como a maternidade é um verdadeiro milagre e quase sempre que nasce um filho nasce também uma mãe, seja de parto normal ou cesariana, o chorinho da pequena diluiu a minha dor e a lembrança que ficou do momento, apesar dos riscos, é de amor.
Pra melhorar a brincadeira ou, se preferirem, pra diminuir meu carma e minha arrogância pré-maternal, meu leite só durou duas semanas.

Clique aqui e leia o texto todo da Maitê, no blog Penso em Tudo, que descobri hoje e já está nos meus Favoritos.
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Entry Filed under: Dicas de leitura

14 Comments Add your own

  • 1. Thaty  |  14/09/2009 às 22:04

    Eu também só soube da entrevista da Maria Mariana hoje, pelo @Cardoso, embora a @lubrasil tenha me dito que isso já era babado velho, de quando ela ainda estava prenha…rs

    Tudo bem, como eu não tinha visto, fiquei chocada do mesmo jeito! kkk

  • 2. Ana Medeiros  |  14/09/2009 às 23:38

    Nossa, vi as meninas falando no Tuí mas nem dei muita importancia. Vou lá saber mais do que se trata, perdi esse bapho!

  • 3. Ritinha  |  15/09/2009 às 1:01

    Oras! Parabéns a Maria Mariana por ter conseguido parir normalmente e amamentar como quis. E meus pesames a ela por não ter descoberto que a maternidade é muito mais do que isso.
    Dia desses, meu namorado disse: “Parece que essas meninas sairam de vc” e eu respondi: “Eu as concebi e pari da forma mais bonita, PELO CORAÇÃO, meu corpo não as gerou, mas meu coração sim”. Maternidade é doação, dedicação, carinho, amor… Afinal, a mãe das minhas meninas só teve parto normal, teve leite e não é NEM UMA GOTA mãe… parir naturalmente e amamentar é LINDO sim e eu sonho com isso PARA MIM, cada um sabe de si e das suas limitações.
    Beijo!

  • 4. Lu Boury  |  15/09/2009 às 4:04

    eu tbm fico fora do twitter o dia todo quase, mas eu sou sem vergonha e durmo. kkkkk eu li o babado aí em cima, essa Maria é monge né? diz que recolher cueca suja do marido do chão é um aprendizado…o que me irritou foi o fato de ela dizer que mãe que tem nenem de parto normal é uma mãe melhor! então me ferrei, ja que nao posso ter parto normal né? vou ser uma pessima mae! hahaha se eu nao tiver leite entao, aí ferrou de vez.

    • 5. blogdagravida  |  15/09/2009 às 22:07

      Ai, Lu, aí é que está justamente o irritante nessa entrevista da Maria Amélia Mariana: ela impõe a opinião dela, elege as escolhas dela como as melhores. E desmerece todo o resto. Ela julga o resto da humanidade com base no que ela acredita ser certo. Isso é que é o irritante. Olha só: EUUUUU decidi que só teria filhos depois que casasse, comprasse uma casa, tivesse alguma grana no banco (essa parte falhou he he he he), tudo planejadinho e bonitinho. EUUU quis isso pra MIM. Isso não quer dizer que eu ache que quem fez diferente está errado, entendeu? Respeito a história de cada um, a vida de cada um, as escolhas de cada um. Que mais? EUUUUU decidi que não ía mais passar tinta no cabelo por causa da gravidez. Mas se OUTRA grávida achar que não tem problema, eu não posso julgá-la. Aqui no blog sempre relato as minhas escolhas, os meus erros, acertos, experiências. Se o que eu passei servir pra ajudar alguém, que bom! Mas a Maria Mariana não fez isso. Ela disse com todas as letras que quem não fez como ela está errado. Putz, é chocante uma pessoa se achar tão perfeita e dona da verdade, né? Você não vai ser uma péssima mãe, Lu, você será uma excelente mãe, por que você tem muito amor pela sua filha e é isso o que conta. Só isso é o que conta. O resto é bobagem. Se fosse assim, não haveria tantos casos lindos de crianças adotadas que são muito mais felizes nos lares adotivos do que eram com os pais biológicos. Beijo!

  • 6. Cris Guimarães  |  15/09/2009 às 7:31

    O pior é uma filha de Domingos de Oliveira falando tantas merdas. O fato de você ter filhos e cuidar bem deles não exclui outras coisas de sua vida, entre elas o trabalho e suas realizações. Para ela a solução foi largar tudo, ok, mas não me venha dizer que esta é a forma ideal, após várias lutas vencidas pelas mulheres pelo seu espaço…

  • 7. Cacau  |  15/09/2009 às 9:39

    Eu li na epóca que saiu e acompanhei toda a polêmica que essa entrevista causou… acho que a intenção dela foi bem essa mesmo pra vender mais livros e acho que muita gente se sentiu mais ofendida do que deveria.

    Não existe isso de mais/menos mãe, isso é a coisa mais estúpida e mais ridícula que já ouvi, quem diz “não sou menos mãe” é pq pra mim já se sente dessa maneira e quer se justificar de qualquer jeito. Toda mulher, homem, gato, cachorro, papagaio, sabe que o parto normal é melhor e aí quer se justificar dizendo que não é menos mãe pra se isentar da culpa que sente lá no fundo de ter aberto mão disso por vaidade e egoísmo.
    Pra mim cesárea eletiva é egoísmo da mulher(que pensa só nela mesma, pq tem medo de dor, medo de ficar frouxa ou qq outra coisa idiota dessas), mas isso não conta ou deixa de contar pontos em algum ranking imaginário que exista.

    EU não concordo e ponto.

    Tem gente que gosta de axé, de funk, tem mulher que gosta de ser amélia e acha que tá certo. Tem mulher que importa mais estar maquiada pra sair bem na foto/filmagem do parto do que a saúde do seu filho, tem mulher que terceiriza tudo na maternidade e tem filho só pra cumprir protocolo. Tem mulher que não.

    Dentro da minha realidade, acho que algumas verdades foram ditas nessa entrevista dela e outras baboseiras completas pq quem comanda o leme lá de casa sou eu, mas cada um cada um né?

    Se a carapuça serve, tem mais é que vestir mesmo….

    Beijos querida!

  • 8. Maite Lemos  |  15/09/2009 às 13:52

    Oi
    Vi aqui conhecer o blog pq recebi vários comentários dizendo…”vi seu post no blog da grávida”.
    Sabe, eu fico emocionada de ver o milagre da comunicação que a internet proporciona. Sério, mesmo.
    Não é demagogia.
    Sou jornalista. Formada há alguns anos.
    Mas, por causa da minha gravidez, só agora to caindo no mercado de trabalho de verdade.
    Escolhi apostar na internet e nas mídias sociais nesse meu retorno então, por isso, analiso profundamente os elos que se formam a partir da rede.
    Gostei muito do blog.
    Se precisar de alguma ajuda quanto à maternidade, pode contar comigo. É meu assunto preferido.
    Se vc der uma boa vasculhada no Penso em Tudo vai perceber que, vira e mexe, abordo temas relacionados à criação de filhos.
    Quanto à Maria Mariana… já deu pra bola dela. Não vale mais a pena comentar 😛

    bjnho

  • 9. Dri Viaro  |  15/09/2009 às 14:35

    essa mãe pegou as minhas palavras rsrsrs

    bjssss barriguda

  • 10. naninha  |  15/09/2009 às 23:06

    Exagerando um pouco na analogia,mas vamos la: muita gente ja morreu por causa da incapacidade de aceitar o diferente (segunda gerra mundial é um exemplo, as guerras religiosas tambem…). Muitos deficientes fisicos ou mentais ja sofreram exclusão completa por causa desta incapacidade de aceitarmos o diferente, incapacidade nossa de abrir nossas vidas ao aprendizado que vem com a diferença. Mas eu estava certa de que nos, como humanidade ja estavamos a alguns passos na frente deste tipo de coisa….
    Enquanto alguns caminham para frente alguns fixam seus pes no passado por puro medo do novo, do desafiador futuro q a vida sempre nos joga na cara.
    Tudo bem… eu entendo a posiçao de quem pensa assim.. mas gracas a Deus nao sou obrigada a concordar… eu quero mais é variedde e riqueza de cores … pq todo mundo tem q ser de uma “cor” só?

    Credo… q atraso de vida…

    bjocas ggravida!

    naninha

  • 11. naninha  |  16/09/2009 às 13:38

    Amiga, to te achando tao sumidinha… cade vc? Nao vi vc no meu blog esses ultimos dias e tb nao te vi por ai nese mundo virtual… ta tudi bem?

    onde vc ta?

    vai la e me da um sina de vida peloamorde Deussssss…

    bjaoooo

    saudade

    naninha

  • 12. Tathy  |  16/09/2009 às 15:46

    Eu tenho livro dela aqui em casa vc quer? Achei na as idéias dela bem fraquinhas e infantis até. Depois ela fez um blog aonde tentou “despolemizar” a entrevista que deu e disse que foi má interpretada. Não adianta a pessoa escrever um livro pra passar a visão dela da maternidade (essa foi a justificativa dela)de uma forma super imperativa. Existem várias formas de vivenciar a maternidade, não regra. Cada uma faz o que acha melhor e o que pode naquele momento.

    Bjssssssssssss na pança.

  • 13. Alê  |  17/09/2009 às 8:40

    caracas gente, quanta repercussão!!! Acho que ela nem merecia esse ibope todo!!! A maternidade é uma experiência que embora seja muito parecida para quase todas as mulheres, é única! Não adianta achar que sua vivência serve de base, porque cada pessoa vê de um jeito e o que é difícil para mim pode ser fácil para outrem. Não consegui amamentar! Minha mãe amamentou sem problemas 4 filhos! Ninguém ensinou nada à ela e não contou com ajuda de ninguém. Eu tive acesso á muitas fontes de informações e mesmo assim tive dificuldade com coisas muito básicas. Não me julgo menos mãe e isso me fez entender que é preciso muita tolerância com a dificuldade do próximo. Nunca diga que a dor da outra pessoa não é grande suficiente, pois vc não está na pele e nas sensações dela… Muito legal o post!!!

    Super beijos.

  • 14. Anne  |  17/09/2009 às 9:54

    Foi assim algo arrebatador! Fiquei super angustiada com a parte que se eu fizer uma cesárea eu não serei mãe de verdade e assim não tenho mãe de verdade e nem a minha vó foi mãe de verdade! Fui jogada no mundo… ai! E eu não vou mais no shopping com medo da depressão que vai me causar depois hahha!!
    E a outra asneira! Dormiu no tempo certeza, pois já faz tempo que as mulheres comandam o leme.. será que ela ainda não percebeu isso? coitada! tenho pena
    excelente post da Maitê!
    beijos!


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