Posts filed under: ‘Aproveite a gravidez‘




“Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las”

SomosTodosDiferentesFiquei emocionada com a solidariedade e as palavras de conforto de tantas pessoas que não conheço. Este post é para agradecer a todas as mensagens super carinhosas deixadas na parte de comentários do post anterior. Deixo aqui uma mensagem única de agradecimento, não apenas pelo apoio e o carinho (que sempre me surpreendem nesta nova experiência que é ter um blog), mas também pelo que considero ainda mais importante: a ausência de julgamento.

Em nenhuma das mensagens fui julgada ou condenada pelo fato de admitir que nunca havia pensado em ter mais filhos, mas que passei a pensar em tê-los depois que soube que talvez não possa ter outras gestações (algo que poderia soar meio mesquinho, confuso, infantil, não sei). Ninguém questionou minha opinião, meus sentimentos de insegurança, a contradição das minhas palavras.

O que recebi foram palavras de incentivo e esperança. Ninguém julgou o que escrevi. Cada pessoa  que deixou um comentário aqui aceitou que eu tenho o direito de ser do jeito que sou . Minha realidade não é igual a de mais ninguém. Das minhas dores, medos, anseios e razões para ser como sou, apenas eu sei. Aliás, às vezes nem eu mesma sei. Por que muitas vezes nem a gente se conhece direito. Muias vezes descobrimos facetas nossas que não imaginávamos existir. Elas aparecem geralmente nas horas de dificuldade, de pânico, de necessidade. Nessa hora até nós mesmos podemos ficar surpresos com as nossas reações. “Nossa, não sabia que eu era assim”.

Essa reação da maioria me fez pensar (yes, de vez em quando pega no tranco, gente!) sobre algo que tem me incomodado nas redes sociais da internet que comecei a frequentar depois da gravidez.  Ao navegar por esse mundo totalmente novo para mim, conheci pessoas que foram vítimas de uma crueldade inacreditável. Ao relatar suas experiências, foram julgadas e massacradas. Muitas vezes o julgamento é disparado por  gente com experiência nula sobre o assunto em questão, bem no estilo “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Sabe aquele pai que não quer que o filho adolescente fume, mas acende um cigarro atrás do outro na frente do rebento? Ou a vizinha que não limpa o próprio quintal mas vive apontando a sujeira da calçada da casa ao lado? Gente assim.

Mas a reação ao post anterior mostra que há muita vida sensata na rede, pessoas com capacidade de não julgar, de não condenar, de aceitar que somos todos muito diferentes. É assim que deve ser.

Aqui no blog conto minhas histórias, falo de minhas experiências, descrevo minhas reações. Mas não julgo quem pensa diferente. É o caso por exemplo do post sobre como meu filho é planejado. Foi a minha opção e acho que seria impossível algo diferente acontecer na minha vida, já que tenho pais que me ensinaram a ser assim e me criaram dentro de um verdadeiro comercial do Ministério da Saúde sobre técnicas de prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis e gravidez não desejada.

Mas em nenhum momento condeno, condenei ou condenarei quem fez diferente. Meu objetivo não é comparar histórias. É apenas contar a minha. Não acho que ela seja melhor ou pior do que as histórias dos outros. Não acho que a minha escolha tenha sido a melhor ou a pior, a certa ou a errada. Ela pode apenas ser diferente da opção de outras pessoas, mas isso não significa que seja a correta. Das experiências que me contam, tento absorver sempre algo que me ajude a evoluir cada vez mais. E é isso o que espero que aconteça com quem lê o que escrevo: que use o que achar útil e descarta o restante, sem julgar, sem condenar.

É possível mostrar o valor de uma opinião sem precisar desmerecer a experiência alheia . Como aconteceu no caso da entrevista da Maria Mariana, por exemplo, que para demonstrar o quanto é “perfeita” desmereceu as atitudes de todas as outras mulheres que não seguiram a mesma cartilha que ela. A (ex)atriz e autora poderia simplesmente ter relatado suas experiências como mãe, sua satisfação em ter conseguido o parto normal que tanto ansiava (e a tristeza por enfrentar uma cesárea que não queria), sua realização em passar o dia catando as cuecas do marido espalhadas pela casa. Mas não bastou falar de suas escolhas, ela jogou pedra em quem foi por outro caminho. Para mostrar o quanto é feliz com essas experiências, ela não precisava condenar quem fez outras escolhas. Afinal, as mulheres que gostaram de suas cesáreas ou que preferem não ter marido para não catar cuecas no chão também podem ser felizes. O que é sinônimo de felicidade para uma pessoa, pode não ser para outra. Tem gente que não imagina a vida sem filhos, mas tem gente que é feliz sem família. E não cabe a ninguém julgar as escolhas dos outros.

Apontar

Afinal, quando um dedo seu aponta alguém, outros três dedos apontam de volta para você.


**A frase do título é da Madre Teresa de Calcutá. A frase sobre os dedos não lembro de quem é.”

16 comentários 22/09/2009

Que é que ocê foi fazê no mato, Maria Chiquinha?

vacaAra, cumadis e cumpadis,  estou de volta ao mundo civilizado depois de um fim de semana no meio do mato, longe de tv, internet, micro-ondas (o único que fez falta), telefone…Na sexta-feira meu marido chegou em casa com a novidade: havia conseguido o sábado e a segunda-feira de folga e queria ir para o sítio de um primo dele que fica lá onde a gente vira a primeira às isquerda depois do fim do mundo. E ainda tem de atravessar uma ponte.

Nas primeiras horas no sítio não passei muito bem, fiquei sentindo um aperto no peito.  Quase cheguei à conclusão de que estava sofrendo overdose de oxigênio, quando marido disse: “respira, amor, o carro já está parado”. Aí me dei conta que tinha prendido a respiração no início da viagem, com medo da estrada. Bem…não exatamente da estrada, que era até bem pavimentadinha e muito bem cercada de um monte de árvores e outras coisas verdes lindas de se ver, graças à chuvarada dos últimos dias. Tive mesmo foi pânico das carretas imensas que vinham na direção contrária e dos malucos em velocidade absurda que insistiam em ultrapassar nos locais proibidos. Como fomos obrigados a parar de 40 em 40 minutos para eu marcar território fazer xixi, ultrapassamos os mesmos caminhões várias vezes. O número de pit stops foi tão grande que estou pensando até em montar um novo blog, com a avaliação minuciosa do banheiro de cada posto daquela rodovia e também das principais moitas-latrinas (afinal, nem sempre tem um banheiro por perto quando a grávida precisa de um..quem não tem banheiro, caga no caça com matinho mesmo) do caminho.

Foram dias maravilhosos, com os pés descalços, muito sol, passarinhos cantando, água direto da mina e muito beijo na boca. Tá certo que foi um fim de semana romântico a três, mas tenho certeza de que esse chamego todo entre o papai e a mamãe fizeram muito bem para o bebê. Na manhã de domingo tomamos um típico café da manhã do sítio com leite de caixinha e queijo Danúbio. É que grávida não deve consumir leite e queijo que não sejam pasteurizados e marido foi solidário, também recusou os deliciosos mimos in natura quando o caseiro do sítio apareceu com eles para nos recepcionar.  O matuto fez cara de magoado e saiu suspirando um “essa gente da cidade grande não sabe o que é bom”. Pior que sabemos, sim, mas também sabemos que o que é bom pra gente pode ser ruim pro bebê.

Depois do café, sentamos na varanda para assistir ao espetáculo de mais um dia surgindo. Coisa mais linda aquele céu todo colorido com tons de dourado, alarajando, azul e rosa.

Cada risco parece feito com um pincel gigante, disse meu poeta-marido.

Ao que remedei com minha lógica tecnológica moderna:

– Ou com o Photoshop CS3.

Os pássaros no céu, nas árvores e nas cercas formavam um coral lindo. Coloquei as mãos na barriga e pensei o quanto queria que meu bebê pudesse assistir aquele espetáculo.  Ele certamente ficaria encantado com toda aquela beleza, luz e sons. Estava assim, imersa em amor e leveza, quando algumas vaquinhas se aproximaram devagar, puxando a relva mais suculenta perto da cerca. O silêncio era tanto que podíamos ouvir o ruminar dos animais.

– Essa aí deve ter um bezerrão que mama muito – disse marido, apontando uma vaca malhadinha.

– Como é que você sabe? – perguntei, impressionada esse lado Globo Rural (que eu desconhecia) do meu amado

– Olha só o tamanho dessas tetas, amor…não te lembra ninguém?

Eu não sabia se ria ou mugia para ele. Então fiz os dois. Primeiro gargalhei. Depois soltei um mugido digno de mamífera premiada em feira agropecuária. As vaquinhas pararam de comer e me olharam ressabiadas, de certo olhando minha peitaria e imaginando que eu faria uma grande concorrência no mercado de leite e queijo da região.

18 comentários 01/09/2009

Linda estrada sem fim

estradasemfimQuase nunca chego ao fim. É difícil terminar o que comecei. Foi assim com o curso de inglês e o scrapbook sobre a família. Perdi as contas de quantas vezes dei início à cruzada da Carteira Nacional de Habilitação: foi uma novela até finalmente chegar ao final do processo e conseguir meu direito de fazer barbeiragens dirigir. Aprender a costurar, Alemão, a ler mão, computação, artesanato,  piano, violão: habilidades que nunca desenvolvi completamente, abandonadas no altar. A Pós-Graduação também ficou pela metade.

E a organização das zilhares de fotos e vídeos armazenados no computador está nos planos há sete anos. A arrumação do closet que eu comecei há dois meses foi interrompida horas depois do início, quando encontrei uma caixinha cheia de bilhetinhos da época em que namorava meu marido. Passei horas lendo e me divertindo com aquelas bobagens românticas e quando vi já era noite. Deixei pra continuar a faxina no dia seguinte, mas nunca mais encontrei tempo e agora já está tudo bagunçado de novo.

Avalio o passado e constato que nunca completei um álbum de figurinhas.

Poucas coisas até hoje me proporcionaram o prazer de saber o que é chegar ao final do caminho: me formar em uma boa universidade foi uma delas. Comecei e terminei o curso de Graduação sem nunca ter pensado em abandoná-lo. (Bom..talvez uma vez ou duas, mas universidade pública enfrenta muitas greves e eu tinha só 17 anos!)  O meu trabalho também tem esse raro poder de me conduzir até o final. Quando estou envolvida com um projeto profissional,  tenho entusiasmo do começo ao fim, mesmo que o trabalho exija minha dedicação durante anos. (Pensando bem..já abandonei chefes saudosos ao encontrar um desafio maior à minha frente).

Nunca me senti presa a nada.

Meu casamento também tem sido um projeto a longo prazo, ao contrário dos namoros relâmpagos que tive antes. Mas confesso que no começo, ao me deparar com as meias jogadas pela sala e a sogra sentada no sofá dando palpites, pensei encerrar o compromisso antes do prazo (o prazo vocês sabem, está decretado no contrato, naquela cláusula do “até que a morte os separe”), mas o amor imenso que sinto (e o preço que os cartórios cobram pra consumar o divórcio) me fez voltar atrás.

Ser mãe é o primeiro projeto fora do âmbito profissional que vou levar até o final. E esse final é: nunca! Me dei conta disso ontem, durante o banho, quando olhei para a barriga (a minha, claro!)  e senti um princípio de pânico e, em seguida, uma imensa gratidão,  ao perceber que desta vez não dá para desistir no meio do caminho. Não tem volta, não tem fim. Filho é para sempre. Aliás, é para além de sempre. Eterno é pouco. Infinito é ínfimo. Filho é muito mais e nem inventaram ainda uma unidade de medida adequada para mensurar essa relação.

Mães e pais iludidos sobre seus sentimentos acabam descobrindo tarde demais que é impossível interromper esse projeto. Abortar, abandonar o bebê em algum lugar, entregá-lo para adoção, rejeitá-lo, tratá-lo mal, expulsar o filho adolescente de casa, fingir que ele não existe, nada disso vai eliminar da vida de uma pessoa o fato de que ela é mãe ou pai. É um vínculo mais forte que o aço, mais resistente que a morte. Não há distância que possa destrui-lo, não há palavra que consiga sufocá-lo. Ainda que os filhos partam, mesmo que os anos passem. Até quando o amor parece ter desaparecido ou nunca existido. A experiência de ser pai e mãe permanece, seja na memória ou no coração.

Saí do banho renovada e murmurei agradecida para a minha barriga: Obrigada, meu filho, por mudar esse hábito que eu não gostava em mim, por me ensinar a ir até o final, a não desistir. Por fazer de mim uma pessoa melhor, de quem eu gosto muito mais agora. Por me fazer tão feliz e por ser eternamente parte de mim.

30 comentários 14/08/2009

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4 comentários 24/06/2009

História de uma ogra grávida

Já que o assunto esta semana é o Filtro Gestacional Para Ouvidos Grávidos, vou contar uma história que uma amiga, M,  me contou. Como quem conta um conto aumenta um ponto, posso ter melhorado ou piorado um pouco. Mas foi basicamente isso o que aconteceu:

fionaograG (vou usar só as iniciais dos nomes para preservar a grávida e também a coitadinha da minha amiga, que pode acabar levando uns sopapos se a ogra descobrir que ela botou a história na internet) é uma mulher que não costuma ter papas na língua. Ela fala o que pensa, faz o que quer, tem um jeito nada delicado de agir. Uma verdadeira ogra.  G é um trabuco ambulante (palavras da minha amiga, M,  que foi quem me contou a história).  Para ser mais fidedigna, revelo que M usou a seguinte expressão para definir G: “Namorada do Shrek é Hello Kitty perto dela”.

Casada, grávida de seu primeiro filho, G começou a sentir os efeitos poderosos da barriga sobre os demais mortais e questionou M: “Amiga, me explica uma coisa: por que grávidas são tratadas como marcianas, como seres ultraespeciais? Algum bicho deve ter me picado, as pessoas estão tão cor-de-rosa comigo, eu não sei o que eu fiz a Deus para merecer isso!”

Pausa para reflexão: Quem não gosta de receber sorrisos de desconhecidos na rua o tempo todo, nem de ser alvo de delicadezas inesperadas, não pode engravidar. Grávidas atraem essas coisas! E isso acontece por que a barriga chega primeiro que a grávida, então as pessoas veem (agora não tem mais acento, né?)  a barriga primeiro, entendeu? Sim, estão sorrindo para a barriga, não para a grávida. É mais fácil entender o que acontece se a gente pensar na vida depois do nascimento do bebê. O carrinho vai na frente, então as pessoas vão olhar lá dentro e sorrir para o bebê. Vai parecer que estão sorrindo para o carrinho. É a mesma coisa agora. Estão sorrindo para o bebê. É que essa gente toda veio de Krypton (planeta natal do Superman) e tem visão de raio-x. Eles veem o bebê sorrindo dentro da barriga e devolvem o gracejo. Bom, é só uma teoria que eu desenvolvi recentemente.

Well… de volta às vacas magras, ou melhor, às ogras grávidas. Um dia G entrou no reduto das profissionais do ramo quando o assunto é irritar uma grávida: uma loja de artigos para gestantes e bebês.

“Tenho medo dessas vendedoras, elas são de outro planeta! Vão me abduzir! Elas são tão melosas que chegam a enjoar a gente, credo!”, já pensou G, logo de cara, ao ser bombardeada com o questionário básico:

– Está de quantos meses?

– É menino ou menina?

– Já escolheu o nome?

Ela respondeu a todas as perguntas com até considerável paciência, meio que acuada pela revoada de frufruzinhas (não sei bem o que é isso, foi o termo que M usou para descrever as melosas vendedoras).

E então veio a fatídica:

– PARTO NORMAL OU CESARIANA?

Por inexperiência, ingenuidade, ou simplesmente por que seu lado Rambo estava louco pra entrar numa briga,  ela caiu na cilada e acendeu a polêmica ao responder ( secamente, como era praxe no seu jeito ogro de ser):

– Vou fazer cesária.

Claro que ela ouviu imediatamente um:

– Aaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh, não! Parto normal é muito melhor porque blablablablablabla…

– Sim, sim, eu entendo, mas eu vou fazer cesária – respondeu. Seca, direta, objetiva, ameaçadora, mas ainda com algum nível de paciência e educação (adjetivos raros quando se trata de G, talvez a gravidez tenha deixado essa mulher mais doce, mais suave..quem sabe. Ok, impossível, gravidez não faz milagre.)

Sem saber o perigo que corria, a insistente vendedora continuou seu discurso:

– Mas o parto normal é melhor porque blablablablabla…

– OK. – G respirou profundamente.  Mas eu vou fazer cesária.

– Mas como pode? O parto normal blablablablabla

Palavras de G: “Respondi educadamente SETE VEZES que eu preferia a cesariana. Quando a mala insistiu pela oitava vez na história do parto normal, eu virei pra ela e gritei:

– PORRA, A BUC&@#$#$%$%@ É MINHA, CAR@#%#$%# “.

Em seguida, diante de vendedoras e clientes perplexos, G virou e foi embora. Sem comprar nada. Se ela tivesse ficado por lá, aposto que teria ouvido uma vozinha delicada e melosa justificar o ataque de indelicadeza daquela grávida estranha, meio “macha” mesmo: “Devem ser os hormônios, tadinha”. Afinal, todo bom vendedor sabe que o cliente tem sempre razão!

14 comentários 10/06/2009

Filtro gestacional ativado

Não tô ouvindo....lá lá lá lá lá

Não tô ouvindo....lá lá lá lá lá

A colega barriguda Thaty narrou em seu blog uma situação típica daquelas que exigem o acionamento automático dos Filtros Gestacionais para Ouvidos Grávidos. Reproduzo abaixo por que ri muito ao ler o post da grávida blogueira. Uma aula de paciência.

“Ontem mesmo, descendo no elevador, tive que colocá-los. Uma senhora olha pra mim e fala:

Nossa, você já tá quase dando à luz, né?

E eu, pacientemente:

Não, tô entrando no 5º mês.

E ela não se deu por vencida:

Ah! E vai ser um menino grande, né?

E eu, ainda pacientemente:

  Não, vai ser uma menina…”

 

Para conhecer o blog da Thaty ( www.esperandoalice.blogspot.com): clique aqui

Para ler mais sobre o Filtro Gestacional: clique aqui.

1 comentário 09/06/2009

Segredo de grávida

segredo2Dá para contar nos meus dedos quantas pessoas sabem da minha gravidez, que já já vai completar 16 semanas (4 meses). Tá bom..tá bom…vamos incluir em “meus dedos” os dedinhos do bebê também, que são meus por direito, já que ele mora sem pagar aluguel. Usocapião. Mas antes do primeiro ultrassom, apenas meu marido e eu sabíamos. Bom, na verdade minha mãe também sabia, mas meu marido não sabia que minha mãe sabia por que se não ele iria exigir que a gente contasse para a mãe dele também. Para não perder tempo tentando explicar que não dá para esconder um segredo desses de uma mãe como a minha — que tem GPS de última geração acoplado a radares ultrassônicos que nem a NASA tem ainda — preferi contar uma mentirinha saudável para o maridão, salvar o casamento e escapar da mágoa eterna da minha mãe. Ok. Confesso que no fundo queria mesmo é me livrar por mais uns dias dos comentários assustadores da sogra. 

Só depois do primeiro ultrassom contamos para os parentes mais chegados: irmãos, cunhados, avós, SOGRA, pais (contamos de novo para a minha mãe, que merecia um Oscar ao fingir surpresa e alegria com a inesperada notícia! Hollywood não sabe o talento que tá perdendo!). A partir daí começamos a precisar dos dedinhos do bebê que -Graças a Deus – já estavam bem formadinhos, como revelou a segunda ultrassonografia. Por que um segredo deixa de ser segredo quando a gente conta pra UMA pessoa. Imagina se a gente conta pra uma dúzia de linguarudos.

Mesmo assim, para minha surpresa, os amigos ainda não sabem de nada. Nem no trabalho do meu marido, nem no meu (trabalho em casa e converso com a chefia por telefone e internet, o que facilita as coisas).  Agora vai ficar meio difícil esconder, por que a barriga aumentou de uma hora pra outra. Sem brincadeira. Acordei barriguda hoje e percebi que não dá mais para dizer que é culpa do chope do happy hour de sexta-feira.

Por que tanto segredo?

segredo1Quando contar e para quem contar é uma decisão que cabe ao casal. Mas essa regra depende muito do casal. Aqui, como sempre,  decidi tudo sozinha e em seguida comuniquei a regra. Ainda amecei: se você falar pra alguém, eu nego.  Tem gente que acha isso loucura, tem amigo que vai fica magoado para todo o sempre (espero que o todo sempre acabe antes do dia de me visitar e trazer fraldas de presente), mas não tô nem aí. A barriga é minha.

Já pensava em agir assim, quando ficasse grávida. Mas um acontecimento reforçou minha decisão. Senta que lá vem história: era uma vez, uma mocinha que trabalhava comigo e era louca pra casar e engravidar. Um dia ela desencalhou e uma semana depois chegou toda saltitante no escritório, anunciando aos quatro ventos “Estou grááááávida”. Foi cercada pela mulherada em idade fértil (a maioria encalhada também), afundada em abraços, beijinhos, parabéns, parabéns.  Quando finalmente o tufão de congratulações acabou, perguntei: de quantas semanas você está? A moça respondeu: Ah, duas semanas, no máximo. Acabei de fazer o teste da farmácia. Deixa eu ligar pra marcar horário com a médica.

Fiquei pasma. Ela nem tinha certeza se estava grávida, só tinha feito o teste da farmácia! Mas disfarcei, como manda a regra do bom convívio social.

Fez exames, confirmou a gestação, tudo lindo, maravilhoso. Duas semanas depois ela não apareceu pra trabalhar.  Sentava na cadeira ao meu lado, senti a falta, liguei na casa dela. Chorava tanto, tadinha:

Perdi o bebê. 

Lamentei, consolei, desejei mil coisas boas. Fiquei muito triste. Sabia o quanto ela sonhava com aquele bebê. A vida não era justa. Não comentei com ninguém sobre aquilo. Dias depois, ainda meio abatida, ela voltou para o trabalho. Sentou ao meu lado aos prantos. Do portão de entrada até chegar à mesa dela, perdeu as contas de quantas pessoas sorridentes ela decepcionou. Vinha todo mundo ávido, tacava a mão na barriga dela e disparava frases feitas: E o bebê? Tá comendo por dois? Como tá a gravidinha mais linda do escritório?

A cada dois passos ela tinha de parar, ouvir o gracejo e responder: perdi o bebê. Ela tinha voltado para o escritório na esperança de enfiar a cabeça no trabalho e por alguns instantes parar de pensar no que tinha acontecido.  Ela queria esquecer. Mas todos faziam questão de lembrá-la de que a gravidez não tinha dado certo. Ninguém tinha culpa,  claro. As pessoas não estavam sendo insensíves. Elas simplesmente não sabiam. Mas não acredito que teria sido muito diferente se soubessem. As pessoas iriam falar sobre o assunto com ela, de qualquer jeito, tentando consolar alguém que estava inconsolável.

Enfim. Depois disso, decidi que se ficasse grávida, só contaria para todo mundo depois de algum tempo. Se algo desse errado, haveria menos gente para me lançar olhares de pena. Também seria um jeito de fugir dos conselhos por alguns meses, já que todo brasileiro é obstetra e pediatra.

Depois que um teste de farmácia confirmou minha gravidez, fui à uma consulta com minha ginecologista. Ela pediu vários exames e aconselhou: “Deixe para contar sobre a gravidez para os outros depois do terceiro mês, se você conseguir guardar segredo. O primeiro trimestre é muito frágil e grávida precisa de tranquilidade. Acredite: quanto menos gente souber, mais tranquilidade você terá.” Saí até meio assustada de lá. Jisus Craisti, será que essa doutora lê pensamentos? Vai ver faz ultrassom da cabeça da gente.  Adorei ter minha decisão endossada por uma especialista do ramo. Fechei a boca (pra falar da gravidez, cla-ro, por que pra comer…jisus..não ficou fechada nenhum segundo desde o início da gestação).

Há 15 dias, quando levei um baita susto e pensei que tinha perdido o bebê, fiquei grata por não ter falado da gravidez para muita gente. Estava muito frágil e abalada. Não aguentaria o telefone tocando e uma romaria de amigos curiosos lá na casa dos meus pais. Sem falar nos comentários totalmente sem propósito. Tem gente que fala cada uma nessas horas! Só a família sabia e mesmo assim tive que escutar coisas do tipo:

– Se perder esse, você faz outro. ( Ah é, só pegar outro na prateleira, né?)

– Fica calma. A amiga da prima da minha vizinha teve sangramentos a gestação inteira, passou os nove meses deitada, só levantava pra ir ao banheiro, mas teve um bebê lindo. Você vai conseguir! (isso que é consolo, né?)

– Isso aí aconteceu por que você levou aquele susto com a panela de pressão. (ai Jisus, por que eu fui contar isso?)

Ah, normal, isso aí faz parte (isso veio de uma cunhada, suuuuper preocupada com meu bem estar, que só falou comigo 15 dias depois do ocorrido, pelo telefone)

– Viu? Você não come carne vermelha, é nisso que dá! (nem foi um pecuarista que disse isso..)

Aconteceu assim:

 Minha colega de trabalho ficou grávida menos de um ano depois. Teve um menino. Ele é lindo e danado. Ela está quase surtando com as coisas que ele apronta. Dessa vez ela não contou pra ninguém.Só depois do terceiro trimestre.

Dá vontade de gritar sobre a gravidez aos quatro ventos. De contar pra todo mundo. Na fila do supermercado, no ponto de ônibus, na rua. Pra matar essa vontade, criei este blog, entrei em vários fóruns sobre gravidez,  criei uma conta no Twitter. Fiz vários amigos e amigas “grávidos” que nem me conhecem, mas torcem por mim. Uma delícia!

Não estou dizendo pra ninguém fazer o que eu fiz. Cada um sabe a dor e a delícia de ser a grávida que é.  Tem gente que conta sobre a gestação até antes de engravidar. Hoje eu vou dar pro meu marido pra ver se a gente engravida, tô no dia fértil. E no fim dá tudo certo (exceto algumas vezes, quando esse tipo de comunicado pode soar como um convite pra um ménage a trois)

Minha sogra fez (e faz) diversos comentários esquisitos sobre gravidez. Vou falar sobre eles aqui no blog qualquer hora dessas. Ainda bem que passei umas oito semanas da gestação sem precisar ouvi-los. Mas a verdade é que continuo não ouvindo muito o que ela diz, pois sempre ligo o filtro.

26 comentários 08/06/2009

Frescuras de grávida

tapeosouvidosmeubemA primeira coisa que uma grávida precisa adquirir é um filtro de ouvido. É um sisteminha muito útil que filtra todas as opiniões desnecessárias e os conselhos absurdos que ela vai ouvir durante a gestação. Principalmente nos primeiros meses, quando parece que ela enfrenta uma verdadeira “Competição de Grávidas”.  Quem tiver o azar de enfrentar todos os sintomas clássicos e ficar cansada, enjoada ou começar a selecionar muito o que come, certamente vai ouvir de “amigas” e mulheres da família frases nada encorajadoras como:

Nossa, eu nunca tive enjoo.

– Ah, eu tinha uma disposição. Trabalhei até o final nas três gestações, não fiquei fazendo corpo mole.

– Gravidez não é doença, isso tudo é frescura de grávida.

– Tive todos os meus filhos em casa, sozinha, de parto normal. Eu mesma cortei o cordão umbilical.

Antes que você consiga pronunciar “amniótico” já terá ouvido dezenas de relatos de super-grávidas, que tentar fazer você se sentir a mais ‘mole’ das gestantes.

Grávidas precisam ir mais devagar

Grávidas precisam ir mais devagar

Bobagem. Filtre isso. Não aborva nada dessas besteiras. Não entre nessa de competir para mostrar que você pode passar a gravidez num salto 15, ir a todas as festas, trabalhar como uma escrava e ainda estar sempre sorridente e disponível. Quer se divertir na gravidez? Desligue o filtro e anote o que vou te contar sobre estes nove maravilhosos meses em que o mundo deve girar em volta de você, só pra variar um pouquinho. Claro que para descobrir isso tive que conversar com mulheres que já são mães, gostam de mim e agem de forma honesta e carinhosa.

Aproveite tudo o que tem direito!

Aproveite tudo o que tem direito!

Este é o SEU momento. Depois que o bebê nascer, vai ser o momento dele. Daí sim vai ser a hora do trabalho duro começar. (A não ser que você seja abençoada com um séquito de babás, lavadeiras, passadeiras, motorista e um marido compreensivo que faz questão de executar a sessão “arroto do bebê”.  Neste caso, pare de perder tempo lendo este post e volte pros seus afazeres glamurosos).  Portanto: aproveite! Faça tudo o que quiser fazer. Quer dormir o dia todo? Acredite: o pessoal do trabalho vai entender. Ah, o seu trabalho é em casa mesmo? Melhor ainda: o marido que vá comprar comida pronta ou pesquise receitas na internet. Está a fim de soltar os cachorros em alguém? Solte e ponha a culpa nos hormônios. Se você tem outros filhos pra cuidar, curta os pimpolhos quando estiver com pique. Quando não estiver, acione as amigas, o pai, os avós.

Se cuide. Gaste horas fazendo coisas que você gosta, passando seus cremes, vendo tv, lendo, conversando com as amigas. Deite no sofá da sala, faça uma voz de apelo e grite: “benhêêê traz um coooopoooo d´águaaaaa?Seu filho precisa se hidrataaaar” . Abuse mesmo. Tenha desejos. Não coma e não beba nada que seja prejudicial para a sua gravidez (mesmo que a sua sogra garanta que é bom). Descanse. Cansou de descansar? Vá dar uma volta, fazer algo que te deixe feliz. Gaste seu tempo, seu dinheiro e sua energia com você. Desencane do que os outros querem. Seja egoísta pelo menos desta vez. Por que quando o bebê nascer, você vai ter de se doar inteira, estar presente o tempo todo. Então aproveite a viagem de despedida dessa vida boa!

Essas mulheres que se mataram para dar conta de tudo durante a gravidez, certamente não curtiram a gestação como você vai curtir. Quando vejo uma grávida estressada em seu celular, se equilibrando no salto e atrasada para uma reunião, penso logo no tipo de energia que o bebê está recebendo naquele momento. Também penso no que o corpo daquela mulher está sofrendo para conseguir dar conta de todas as exigências.

Uma senhora amiga minha, que já é avó, confessou que se arrepende muito

Aproveite para dormir, depois vai ser difícil!

Aproveite para dormir

de não ter curtido mais as gestações. Ela estava sempre tão preocupada em continuar sendo quem ela era antes, em provar para o mundo que ela não era uma molenga, que não se deu conta do que estava fazendo com o próprio corpo. Ela contou que continuou trabalhando como uma louca, cuidando da casa, do marido, de tudo e todos. Duas gestações depois ela se deu conta de que tinha forçado o próprio corpo, de que tinha ultrapassado o limite.  No final, ela ganhou dois lindos filhos. Mas também herdou varizes, dores crônicas nas costas e um problema no estômago. Admitiu para mim que, se tivesse curtido a gravidez, em vez de enfrentar a gestação como se fosse um obstáculo, estaria muito melhor agora. Teria gastado mais tempo com cremes para a própria pele, em vez de ficar preocupada com a faxina da casa. Teria também descansado mais o corpo e feito coisas agradáveis e relaxantes. “Não faça como eu fiz, meu bem.”

Então durma até mais tarde, coma só o que achar que deve, viva em função da sua gravidez.  Pense bem: tem uma pessoa dentro de você, sugando energias, proteínas, exigindo cuidados. Isso combina com trânsito engarrafado ou uma faxina pesada no banheiro? Claro que não. Isso combina com boa alimentação, repouso, coisas relaxantes. Vão dizer que é frescura, e daí? Algumas vezes vai ser frescura mesmo. Mas só você vai saber a diferença.

7 comentários 18/05/2009

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