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A piscina de dentro e a piscina de fora (da série Sem Medo de Perguntar)

Até uma grávida com a cabeça totalmente desparafusada consegue responder esta:

– Onde é, onde é? Que a baleia fica mais feliz?

– Na água!

Inchada, engordada, pés deformados, encalorada e abandonada (ai, drama!) como estou, a piscina virou meu habitat natural. De vez em quando encalho lá dentro e não consigo subir a escadinha para sair. Daí chamo o guindaste marido pra me içar ou empurrar. Ou as duas coisas. Aqui faz muito calor e o excesso de tecido adiposo (também conhecido como GORDURA)  me deixa mais quente ainda. É como se tivessem ligado o forno do mundo e eu estivesse sozinha lá dentro, sendo tostada.

Só na piscina a sensações de inchaço, peso e calor desaparecem. Dentro d´água consigo fazer movimentos que são impossíveis do lado de fora (caminhar sem parecer uma marreca, por exemplo), então me sinto muito bem, como se estivesse leve novamente.  Me sinto uma verdadeira sereia Ariel (se bem que tô mais pra peixe-boi, mesmo, honestamente).  Às vezes não faço nada, só me enrosco na bóia e fico deitada de barriga pra cima olhando o céu e conversando com o bebê. “Nada aí dentro, que eu nado aqui fora, filhote. Faz nada aí, que eu faço nada aqui. Filho de peixe, peixinho é. Só não dá salto mortal triplo de novo pra não acertar a costela da mamãe outra vez.”

A água diminui a ansiedade, o inchaço e ajuda a passar o tempo. Se está sol, aproveito para bronzear os mamilos para ajudar na amamentação, conforme ensinou minha médica. O lado ruim é que abre ainda mais o apetite. O lado bom é que a piscina é ótima desculpa pra comer mais.

Interessante que quando resolvemos engravidar, meu marido e eu decidimos primeiro que seria legal trocar o apertamento por uma casa grande, com quintal e piscina. Mas não estávamos pensando na gente. Ok, mentira, não somos tãooooo paternais assim, pensamos na gente também, é claro. Mas nosso objetivo principal foi proporcionar ao nosso filho uma infância tão boa quanto à nossa: com espaço para correr, brincar, andar de bicicleta. Tá certo que a piscina da nossa infância era o tanque de lavar roupas. Em casa tinha um daqueles redondos, enormes, do tipo que não fabricam mais. Minha mãe enchia até o topo e meus irmãos e eu fazíamos revezamento pra brincar dentro da água. Havia também um dia ou outro em que a mangueira d´água era liberada por alguns minutos e a gente fazia uma festa no quintal. Depois finalmente compraram uma piscininha de plástico, que era mais apertada do que quitinete japonesa, mas na época a gente aproveitava como se fosse uma piscina olímpica

O que eu não imaginava ao mudar para cá é que meu filho passaria tanto tempo dentro da piscina antes mesmo de nascer. Só assim para suportar os últimos dias da gravidez. Sem exagero. Quando entro lá, não quero mais sair. Por isso fiquei aflita quando a Dri Viaro chamou a atenção para uma questão: e se a bolsa estourar enquanto estou dentro da piscina? Não vou perceber que o líquido escorreu e colocarei a vida do meu filho em risco? Para piorar, essa dúvida surgiu num dia em que eu havia sentido uma pontada na virilha (parecia cólica menstrual) pouco antes de entrar na água. E o bebê ficou bem menos agitado depois que saí da piscina. Aí fiquei encafifada: será que a bolsa rompeu lá dentro da piscina? Será que aquela pontada era a bolsa?

Comentei sobre isso com meu marido e ele decretou: não entra mais na piscina. Claro, concordei imediatamente. Melhor derreter a tarde toda no sofá do que não ter paz dentro da piscina. Mas então comecei a raciocinar (é, de vez em quando ainda pega no tranco) e a me perguntar: se a piscina é perigosa, por que a médica não proibiu a hidroginástica? Afinal, a bolsa pode romper na hora da hidro também.

A melhor coisa a fazer nessas horas é ligar para a médica, mesmo correndo o risco de pagar mais um mico grávido. Quando ela atendeu, já fui me defendendo explicando:

Olha, doutora, não sei se é dúvida de marinheira de primeira viagem, é que eu senti uma pontada e aí me falaram isso, de que a bolsa pode romper e eu não vou sentir…

Depois de ouvir o meu relato, ela respondeu calma e didaticamente (como sempre) que não havia perigo. Para o meu alívio (e dos meus deformados pés grávidos) a piscina está liberada (desde que haja sempre um guindaste por perto).  Ela disse que mesmo que a bolsa rompa lá dentro, quando eu sair da piscina vou continuar sentindo o líquido escorrer, morninho, diferente de tudo. E que as pontadas agora nesta fase final são normais. Acrescentou que não vai haver dor. “A bolsa vai estourar e pronto”. Então aquela dor não foi a bolsa. Hmmmm….

Pedi desculpa por ter ligado pra perguntar algo assim, mas já que ela estava ali tãoooo disponível e didática, aproveitei para fazer outra pergunta-de-primeira-viagem:

– Depois que a bolsa rompe, o bebê continua mexendo ou fica quietinho? Ele está um pouco mais quietinho desde ontem.

– O bebê continua mexendo normalmente. Se ele ficar muito quieto, coma alguma coisa doce, deite de barriga pra cima e espere. Se não houver movimento nenhum na próxima meia hora, me ligue ou vá direto para a emergência fazer um exame.

Amo essa médica! Libera os mergulhos e ainda manda eu comer doce. É o mundo perfeito desta grávida aqui: leve e solta dentro da piscina enquanto saboreio uma bomba de chocolate.  Ué, só adaptei as ordens médicas!

23 comentários 19/11/2009

Sem saída (o caso do fiofó entupido)

cadeadoSabe aqueles comerciais de TV que mostram iogurtes, suplementos naturais, benzedeiras e talismãs que prometem “um intestino que funciona como um relógio”? Sempre me causaram um misto de angústia, alegria e descrençaAngústia pela vergonha alheia que sentia ao ver atores, diretores e outros profissionais envolvidos na cômica e difícil tarefa de vender um produto que garante ao consumidor a certeza de cagar com hora marcada.

Alegria pelas risadas que algumas propagandas conseguiam provocar em mim – e em outros telespectadores, bem sei – ao apresentar o assunto. Como o tema é, digamos, assim…meio “preso”, fazem de tudo para tratá-lo com humor e a coisa acaba ficando meio ridícula.

Descrença na eficácia do produto e na existência de gente tão entupida e desesperada quanto aqueles atores mostrados nas propagandas. Não dava pra acreditar que alguém realmente tivesse tanta dificuldade para sentar lá no vaso sanitário, abrir o desktop, esvaziar a lixeira e clicar na descarga. A não ser que fosse algum sujeito com uma grave doença no intestino, o que não justificaria tomar litros de iogurte, mas sim procurar um médico.

Paguei minha língua. E paguei com o c*. Se eu acreditasse em castigo divino ou na lenda de que algumas pessoas tem poder de rogar pragas nas outras, explicaria de forma esotérica o meu fiofó entupido a partir da 30.a semana de gestação.  Não que antes da gravidez eu fosse o tal “reloginho” da propaganda, mas “cagar ou não cagar” nunca foi “eis a questão” na minha vida. Era tão normal quanto tomar água ou puxar o freio de mão ao estacionar o carro. Coisa mecânica do dia a dia, que eu fazia sem prestar atenção. Bem diz o ditado que a gente só dá valor ao que tem depois que perde. E o poder de dar uma boa cagada antes de ir dormir é algo que a gente precisa valorizar, gente amiga!

Desconhecia a importância do assunto. Se ri dos entupidos, se zoei as propagandas de laxantes e iogurtes milagrosos, foi por pura ignorância. Só agora, aos 35 anos de experiência cagona (que começou com mecônios tímidos na década de 70, nas fraldinhas de pano que mamãe lavava) me dou conta de como o assunto “intestino” é constrangedor para a maioria das pessoas, inclusive para mim. Ao lavar o fiofó, senti com as pontas dos dedos que havia alguns carocinhos naquela área. Imagina o susto.

Passei um dia angustiada com aquilo, queria ligar pra médica mas não sabia por onde começar a explicação. Então procurei a ajuda da pessoa que melhor me conhece: por dentro e por fora. Por cima e por baixo. Na frente e atrás. Da perseguida ao fiofó. Aliás, ela até já havia passado talquinho no meu bumbum, antes da prática ser condenada, lá nos tempos dos alfinetes gigantes:

“Tô com bolinhas no c*, falei pra minha mãe.

Alívio quando mamãe sabe-tudo explicou que era normal. Pânico quando ela engatou no papel de enciclopédia materna e deu nome pra´quele fenômeno: “São hemorróidas, algumas mulheres tem isso na gravidez. Eu mesma tive, mas sumiram depois do parto”. Mais pânico quando ela disse que em alguns casos a coisa complica e uma prima havia até passado por uma cirurgia pra resolver o problema.  Imaginei num futuro não muito distante meu destino de humilhação:  uma sala de cirurgia, minha bunda pelada, arreganhada e erguida e um bando de médicos costurando meu fiofó. Pânico master blaster.

gravidabanheiroMas nem assim consegui ligar pra médica. Mamãe aconselhou e eu aumentei a ingestão de fibras e água. Comprei litros do tal iogurte que prometia desentupir minha saída. Nada adiantou. Uma semana depois tive consulta com a obstetra e fiquei surpresa com a minha dificuldade em falar do assunto. Aquela mulher já havia me visto pelada, já havia enfiado até a mão na minha vagina, daqui a algum tempo vai trazer meu filho ao mundo… e eu ali com vergonha de falar que tinha uns carocinhos no fiofó. Parecia que a garganta ( não o c*) estava entupida. Tá certo que o fiofó é feinho demais, tadinho. E faz um serviço que não cheira nada bem. Mas o assunto era importante, eu sentia dor e aquela situação estava atrapalhando minha vida. Mesmo assim a reclamação não saía. Dei algumas voltas até conseguir chegar ao assunto e falei baixinho, olhando para o lado:

– Acho que estou com uns…umas…é….alguma coisa…lá…(comicamente apontei para trás com o dedão) sabe… minha mãe falou que é normal, que ela teve, que sarou depois, que chamam de…é…acho que é…são …ahn…hemorróidas.

Achei que a notícia teria um impacto tremendo sobre a médica. Fiquei esperando uma mexida incomodada na cadeira ou uma pigarreada para disfarçar o constrangimento.

Sangra?

Lembra o pânico mega blaster? Foi promovido a chefe e demitiu todos os meus pudores:

– Essa porcaria pode sangrar, doutora????

Depois de um verdadeiro tratado sobre o que são hemorróidas, o tratamento, as possíveis complicações e a necessidade de manter o fiofó em ordem para a hora do parto normal, a médica prescreveu um medicamento fitoterápico para auxiliar no funcionamento do intestino e uma pomadinha que deve ser aplicada no fiofó toda noite, antes de dormir. Tudo de uso permitido na gravidez.

Meio sem graça, entreguei a receita médica ao marido. Um gentleman. Não fez perguntas. Mas deixou claro que estava por dentro do problema na saída do esgoto: junto com os remédios, trouxe também ameixas, aveia e mamão para a casa.

O fitoterápico fez efeito quase imediato e eu voltei a sorrir e a cantar. DesentupidaPassei a ver o mundo com outros olhos se é que você me entende.

Não dou mais risada dos comerciais de tv. Fico emocionada com eles, num sentimento de solidariedade aos que enfrentam congestionamentos gigantescos e horas eternas e suadas no banheiro. E um viva às ameixas! Hip hip hurra!!

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Saiba mais sobre o assunto no site do Dr. Drauzio Varella

28 comentários 01/11/2009

Perereca Adormecida (da série Sem Medo de Perguntar)

PererecaBelaAdormecidaContinuamos com a divertida, informativa e totalmente cheia de micos série “Sem Medo de Perguntar”. Depois da introdução ao assunto, durante a qual explicamos o valioso método da cadernetinha de perguntas aliada a cara-de-pau da gestante, continuamos nossa série com as inúmeras perguntas que médicos, enfermeiros, amigos, blogueiros, pais, mães, vizinhos e oráculos podem ter de responder ao topar com uma gestante de primeira viagem.

No consultório, há duas semanas, virando mais uma página da cadernetinha de perguntas:

Bom, doutora, vamos lá, minha décima quinta pergunta de hoje…

Minha médica é tão paciente (entendeu o trocadilho? médica…paciente…dãããã) que não suspira, nem revira os olhinhos, nem me xinga. Ela curva o corpo para a frente e faz um genuíno ar de interesse. Não sei se ela é maravilhosa mesmo assim ou se é uma atriz nata (Oi, Globo! Oi, Hollywood!). A sala de espera entupida de barrigudas zangadas pela demora e minha querida médica lá dentro, batendo papo comigo, esclarecendo ca-da-du-vi-da-zi-nha. Com direito a maquete do útero quando necessário e uns desenhos caprichados naquele bloco enorme de papel que cobre metade da mesa.

Minha…é….vagina…ela está meio que…quer dizer…totalmente…adormecida. Anestesiada mesmo. Eu não sinto nada lá.

Sei que é quase ridículo, mas fico com vergonha de falar certas coisas até com a médica. Talvez se fosse por telefone ou e-mail. Mas olhos nos olhos quero ver o que você faz… não é fácil pra mim. Não tem nada  a ver com timidez. É um lance pudico que me acompanha e do qual não consigo me livrar.

Isso é normal – disse a médica sorrindo, mas não como se achasse graça da pergunta, mas sim como se fosse muito fofa a minha vagina adormecida é  seu corpo já se preparando para a saída do bebê. Isso é ótimo, mais um indicativo de que está tudo bem com vocês!

Mas ainda não completei nem sete meses, não é um pouco cedo pra tudo estar tão…tão…em ritmo de saída já?

– Não! Não! É assim mesmo!

Então tá. Só espero que a dita-cuja lá embaixo não esteja esperando um beijinho para acordar. Por que a coisa promete ser bem mais intensa que uma simples bitoquinha de príncipe encantado. Você vai acordar na marra, bela adormecida!

12 comentários 25/09/2009

Uma ameaça de 3 centímetros

E no meio do útero havia um mioma. Havia um mioma no meio do útero. NaFlorMurcha verdade não é bem no meio. Não entendi direito onde é. O que sei é que está em outra parede, muro,divisória do útero, sei lá como foi que a médica falou, só sei que está longe do lugar no qual meu bebê está crescendo. Ufa! Honestamente, não entendi muito bem a explicação da médica por que não consegui prestar atenção, só me concentrei na parte do “não oferece perigo para o seu bebê, não vai interferir na gravidez”. Depois disso, minha cabeça entrou num turbilhão de alegria e minha vontade era sair correndo dali, respirar um ar puro. Aliviada por saber que não havia risco para meu filho, sorri, agradeci e peguei minha bolsa. Foi o tempo do cérebro processar um pequeno interrogatório. Sentei novamente e disparei:

– Mas e se eu decidir ter outro filho depois? O mioma pode prejudicar?

Quem pergunta o que não deve, ouve o que não quer, já dizia minha avó.

Então a médica respirou fundo, me olhou ternamente e começou a falar pausadamente. Isso me assustou. Conheço essa mulher há anos. Sabia que ela estava se preparando para dizer algo que eu não ficaria feliz em ouvir:

Talvez. Mas só saberemos disso mais pra frente, depois do parto. Quando seu útero voltar ao tamanho normal, faremos alguns exames e vamos acompanhar para ver o que acontece.

Um baque. Eu nem pensava em ter outra gestação. Mas aquilo me deixou triste como se eu tivesse planejado gerar um time de futebol. Saber que pode haver uma espécie de bomba-relógio anti-gestação circulando comigo por aí teve um efeito devastador. Me arrependi de ter perguntado. Estava feliz por saber que não afetava a atual gravidez. Por que fui perguntar sobre uma suposta gestação que em princípio nem deveria mesmo existir? Ah, é o tal controle sobre o próprio corpo, que desejamos tanto ter, mas parece escapar o tempo todo das nossas mãos. Ou do nosso útero. Já que havia estragado tudo com aquela pergunta, aproveitei para questionar um pouco mais:

– Esse mioma apareceu na gravidez? Por que ele não tinha sido detectado em outras ultrassonografias?

– Provavelmente já estava aí, não dá para ter certeza. Agora o útero está crescendo e o mioma está sendo “esticado” (ela fez sinal de aspas com os dedos) junto.

Perguntei ainda se esse mioma tinha alguma coisa haver com aquele hematoma que havia causado sangramento no início da gravidez. Ela disse que não.

A médica ainda falou um pouco mais sobre isso, que eu não deveria me preocupar agora, que o importante é que o bebê está bem, tudo está correndo bem, para eu me concentrar nisso e deixar para me preocupar com o mioma depois, por que faremos exames, etc.

Mas quem consegue esquecer uma conversa assim? Penso no mioma várias vezes por dia. Ele me causa arrepios e indignação. Não faz nada, está lá quietinho. Mas é uma possível ameaça silenciosa para a família numerosa que eu nem havia planejado ter antes de saber que talvez não possa mesmo gerá-la. Alguém entende esse sentimento? Eu não.

18 comentários 21/09/2009

Da série: sem medo de perguntar

interrogatorioJá ouviu falar na fase dos “porquês”?  Quem convive com crianças de 3 a 6 anos sabe como é. Regredi. Estou nesta fase. Sou uma grávida perguntadeira do tipo cara-de-pau. Não tenho medo de fazer pergunta imbecil, nem de resposta atravessada ou pagação de mico. Expressões faciais que denotam sentimentos como “ai, que burrice” ou “não acredito que você perguntou isso” também não me incomodam. Informação é um bem muito precioso, principalmente para grávidas de primeira viagem. A pergunta mais comum no repertório de indagações de uma gestante é dita quase sempre em tom de aflição:

– “PelamordeDeusmoço: Onde é o banheiro???!”

Mas a criatividade da gestante não tem limites. Principalmente se é a primeira gravidez. Comprei livros, revistas, manuais. Visito diariamente blogs e sites especializados. Mas nunca estou saciada:  a busca por informações não tem fim. É viciante. Quanto mais pergunto, mais quero perguntar. A fase infantil dos “porquês” faz muito sentido para mim agora. Sou solidária às crianças curiosas. No meu caso, a curiosidade vai além das questões sobre gravidez, parto e puerpério. O bebê é a maior fonte de dúvidas: como amamentá-lo, como fazê-lo dormir, qual a melhor fralda, escolinha ou babá? A criança nem nasceu e a mãe já está lá, parindo dúvidas diariamente. Sei que a maior parte das respostas que encontro agora acabarão nem sendo úteis na hora em que o bebê finalmente chegar. Mas mesmo assim me abasteço com elas, na esperança de me sentir menos ansiosa e mais confiante.

A obstetra é minha maior vítima. Durante quatro semanas anoto diariamente as questões que vão aparecendo na minha criativa cabeça grávida. Quando finalmente chega o dia da consulta mensal, a lista é tão grande que assume ares de interrogatório policial. Sabe aquela cena clássica em um galpão todo escuro, com a vítima amarrada debaixo de uma luz fortíssima e sendo metralhada com perguntas? É daquele jeito. Me posiciono na cadeira, abro o caderninho e disparo minhas dúvidas contra a médica.

Didática, paciente e certamente se divertindo muito, a obstetra responde a tudo tranquilamente, como se lá fora não houvesse uma sala de espera lotada de barrigudas, cada uma delas também munida de uma lista recheada de dúvidas. Sempre saio do consultório aliviada por ter desvendado mais alguns mistérios da gestação. Mas como uma pergunta leva a outra, ainda dentro da clínica me ocorre mais uma dúvida (ou duas). Aproveito que o caderninho ainda está na minha mão, vasculho a bolsa em busca de uma caneta e já inicio ali mesmo a lista de perguntas para a próxima consulta.

14 comentários 25/08/2009

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