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Treinamento para futuros papais e mamães

PreparadoParaIssoRecebi por e-mail antes de engravidar e divido com vocês:

EXERCÍCIOS PRÁTICOS PARA TREINAMENTO DE FUTURAS MAMÃES E FUTUROS PAPAIS

1. Vestindo a roupinha
Compre um polvo vivo de bom tamanho. Vá vestindo a criatura,sem machucá-la, nesta ordem: fraldas, blusinha, macaquinho,casaquinho, sapatinhos e touquinha. Converse com o polvo bem baixinho enquanto o veste. Não é permitido amarrar os tentáculos. Tempo de execução da tarefa: uma manhã inteira.
2. Tomando sopinha
Faça um buraquinho num melão, pendure o melão no teto com um barbante comprido e balance-o vigorosamente. Agora tente enfiar a colherinha com a sopa no buraquinho. Levante a mão mantendo a colher cheia e aproxime-a do melão como se a colher fosse um aviãozinho. Não é permitido gritar. Insista até ter enfiado pelo menos metade da sopa pelo buraquinho. Limpe o melão, limpe o chão, limpe as paredes, limpe o teto, limpe os móveis à volta. Tempo para execução da tarefa: uma tarde inteira.
3. Passeando na pracinha
Vá para a pracinha mais próxima e sente-se em um dos bancos. Levante-se, agache-se e pegue uma bituca de cigarro. Atire longe a bituca, dizendo com firmeza: NÃO. Sente-se outra vez. Levante-se, agache-se e pegue um palito de picolé sujo. Atire longe o palito, dizendo com firmeza: NÃO. Sente-se outra vez. Levante-se, agache-se e pegue um papel de bala. Atire longe o papel de bala, dizendo com firmeza: NÃO. Sente-se outra vez. Faça isso com todas as porcarias que encontrar no chão da pracinha. Os mais rígidos em matéria de educação deverão levar apressadamente cada porcaria encontrada à lixeira mais próxima antes de se sentar. Tempo para execução: o dia inteiro.
4. Passando a noite com o bebê
Pegue um saco de arroz de 5 Kg e passeie pela casa com ele no colo das 20 às 21 horas. Deite o saco de arroz. Às 22h pegue novamente o saco e passeie com ele até as 23h. Deite o saco e vá se deitar.Levante à 1h30 e passeie com o saco até às 2:h. Deite o saco e você. Levante às 2h15 e vá ver a sessão corujão porque não consegue mais pegar no sono.Deite às 3h. Levante às 3h30, pegue o saco de arroz e passeie com ele até as 4h15. Deite de novo. (Cuidado paTreinantera não usar o saco como travesseiro). Levante às 6h e pratique o exercício de alimentar o melão. É permitido chorar. Freqüência: pelo menos 3 vezes por semana.

5. Repita tudo o que disser pelo menos cinco vezes.
6. Repita a palavra NÃO a cada 10 minutos, fazendo o gesto com o dedo indicador.
7. Destaque uma parcela significativa do seu orçamento e não ouse tocar nela; destina-se ao leite em pó, às frutinhas, às fraldas, aos brinquedos, às roupinhas…
8. Não transe, não vá ao cinema, não beba, não saia com amigos.
9. Faça os exercícios durante uma semana, descanse um dia e recomece. Faça então durante duas semanas, descanse um dia e recomece. Vá progressivamente aumentando o número de semanas.
10. Nem cogite enlouquecer.

Quantos bebês mesmo você dizia que gostaria de ter???

17 comentários 04/10/2009

Que é que ocê foi fazê no mato, Maria Chiquinha?

vacaAra, cumadis e cumpadis,  estou de volta ao mundo civilizado depois de um fim de semana no meio do mato, longe de tv, internet, micro-ondas (o único que fez falta), telefone…Na sexta-feira meu marido chegou em casa com a novidade: havia conseguido o sábado e a segunda-feira de folga e queria ir para o sítio de um primo dele que fica lá onde a gente vira a primeira às isquerda depois do fim do mundo. E ainda tem de atravessar uma ponte.

Nas primeiras horas no sítio não passei muito bem, fiquei sentindo um aperto no peito.  Quase cheguei à conclusão de que estava sofrendo overdose de oxigênio, quando marido disse: “respira, amor, o carro já está parado”. Aí me dei conta que tinha prendido a respiração no início da viagem, com medo da estrada. Bem…não exatamente da estrada, que era até bem pavimentadinha e muito bem cercada de um monte de árvores e outras coisas verdes lindas de se ver, graças à chuvarada dos últimos dias. Tive mesmo foi pânico das carretas imensas que vinham na direção contrária e dos malucos em velocidade absurda que insistiam em ultrapassar nos locais proibidos. Como fomos obrigados a parar de 40 em 40 minutos para eu marcar território fazer xixi, ultrapassamos os mesmos caminhões várias vezes. O número de pit stops foi tão grande que estou pensando até em montar um novo blog, com a avaliação minuciosa do banheiro de cada posto daquela rodovia e também das principais moitas-latrinas (afinal, nem sempre tem um banheiro por perto quando a grávida precisa de um..quem não tem banheiro, caga no caça com matinho mesmo) do caminho.

Foram dias maravilhosos, com os pés descalços, muito sol, passarinhos cantando, água direto da mina e muito beijo na boca. Tá certo que foi um fim de semana romântico a três, mas tenho certeza de que esse chamego todo entre o papai e a mamãe fizeram muito bem para o bebê. Na manhã de domingo tomamos um típico café da manhã do sítio com leite de caixinha e queijo Danúbio. É que grávida não deve consumir leite e queijo que não sejam pasteurizados e marido foi solidário, também recusou os deliciosos mimos in natura quando o caseiro do sítio apareceu com eles para nos recepcionar.  O matuto fez cara de magoado e saiu suspirando um “essa gente da cidade grande não sabe o que é bom”. Pior que sabemos, sim, mas também sabemos que o que é bom pra gente pode ser ruim pro bebê.

Depois do café, sentamos na varanda para assistir ao espetáculo de mais um dia surgindo. Coisa mais linda aquele céu todo colorido com tons de dourado, alarajando, azul e rosa.

Cada risco parece feito com um pincel gigante, disse meu poeta-marido.

Ao que remedei com minha lógica tecnológica moderna:

– Ou com o Photoshop CS3.

Os pássaros no céu, nas árvores e nas cercas formavam um coral lindo. Coloquei as mãos na barriga e pensei o quanto queria que meu bebê pudesse assistir aquele espetáculo.  Ele certamente ficaria encantado com toda aquela beleza, luz e sons. Estava assim, imersa em amor e leveza, quando algumas vaquinhas se aproximaram devagar, puxando a relva mais suculenta perto da cerca. O silêncio era tanto que podíamos ouvir o ruminar dos animais.

– Essa aí deve ter um bezerrão que mama muito – disse marido, apontando uma vaca malhadinha.

– Como é que você sabe? – perguntei, impressionada esse lado Globo Rural (que eu desconhecia) do meu amado

– Olha só o tamanho dessas tetas, amor…não te lembra ninguém?

Eu não sabia se ria ou mugia para ele. Então fiz os dois. Primeiro gargalhei. Depois soltei um mugido digno de mamífera premiada em feira agropecuária. As vaquinhas pararam de comer e me olharam ressabiadas, de certo olhando minha peitaria e imaginando que eu faria uma grande concorrência no mercado de leite e queijo da região.

18 comentários 01/09/2009

Ministério da saúde da gestante adverte: não grite com o potinho

Na montanha-russa de sensações da gravidez há umas descidas apavorantes, que parecem não ter fim. Mas eu achava que o percurso recheado de ladeiras havia terminado no primeiro trimestre. Não. Enquanto a bagunça dos hormônios durar, certamente haverá razões para me esvair em lágrimas. Hora seguidas, com pausas de alguns segundos para assoar o nariz e respirar. Litros de lágrimas derramados mesmo quando ninguém consegue enxergar qual é a razão para tanto choro e nem eu mesma sei apontar algum motivo concreto. Por que

peito e bundas imensas; coxas alargadas; incapacidade de dormir uma noite inteira sem acordar para fazer xixi; falta de sexo; não alcançar os dedos dos pés; pernas inchadas; flatulência; manchas no rosto; preocupação constante com a saúde e o desenvolvimento do bebê; nove quilos a mais para carregar; medo do parto; pavor de hospital; ansiedade pela chegada do bebê; insegurança em relação ao desempenho como mãe; medo de não poder /saber amamentar; pavor de sentir dor; perda do equilíbrio; ameaça de gripe suína; cãimbras; gravidez com fortes restrições orçamentárias; prisão de ventre; inabilidade para fazer tudo o que fazia antes com a mesma rapidez e eficiência; dores nas costas; entre outros…

não são exatamente motivos para uma pessoa chorar. São?

Certamente foi o grito com o potinho que provocou esse derramamento infindável de lágrimas. Por que quando ele pergunta O que foi? e eu respondo sinceramente: Não sei, não é nada, é tudo, ele não acredita e não entende:

– Mas você ainda está assim por que eu gritei com o potinho? Amor…para de chorar.

E quando alguém diz pra eu parar de chorar, por que é que eu choro mais ainda?

Melhor seria conseguir parar de chorar e dizer algo como:

– É, eu fiquei com dó do potinho.

Pelo menos faria algum sentido. Haveria uma razão visível. A verdade é que tinha sido um dia muito feliz. Havia conversado com amigas reais e virtuais, tinha tomado um bom café da manhã. Não estava mais tão frio e o sol aparecera para finalmente secar a roupa do varal. Meu bebê havia recebido uma dúzia de roupas novas e lindas da vovó e eu estava animada com a festa de aniversário do meu irmão. Mas uma nuvenzinha havia me acompanhado o dia todo, tentando nublar o dia ensolarado. Primeiro fingi que não vi. Depois balancei a cabeça e liguei o ventilador, tentando dissipá-la. Ainda estava um pouco impressionada com o relato de uma amiga que teve um parto meio sofrido e difícil. Estava aliviada por saber que ela e o bebê já estavam bem, em casa, em segurança, mas de alguma forma aquela história havia deixado uma manchinha de tristeza na minha alma branquinha de gestante feliz de propaganda do Omo Dupla Ação.

E a tal nuvenzinha foi crescendo e se aproximando cada vez mais. Na TV, uma notícia sobre um recém-nascido jogado no lixo e uma grávida que morreu de gripe suína. Outra amiga que teve nenê há três meses liga e reclama pelo telefone que o marido não está ajudando em nada, que ela está enlouquecendo, que o bebê ficou doente, não havia leite suficiente, que ela não dorme direito há duas semanas. Entre os e-mails está a notícia de que o novo contrato de $erviço que eu esperava fechar esta semana não deu certo (e eu contava com a grana para comprar um berço novo, em vez de aceitar aquele móvel que já tem uns sete anos de uso e a a sogra cisma em oferecer duas vezes por semana).

Então no meio dessa ameaça de temporal, o marido chega para jantar. Me atrapalhei com o horário mais uma vez e nada está pronto. Ele disfarça, finge que está tudo bem, mas claro que ficou chateado. Fiquei muito mais que ele.

Quando foi que eu me tornei tão incapaz de administrar uma casa e organizar tarefas tão simples quanto cozinhar uma panela de arroz e grelhar um bife?

Tenho vontade de sentar e chorar, mas seguro. Me sinto feia, gorda e não vou ganhar dinheiro nenhum este mês para ajudar com as contas. Será que nem a droga do jantar eu posso servir no horário para colaborar com quem estava ralando lá fora o dia todo para que eu pudesse ter minha gestação em paz? A nuvem se aproxima.

O jeito carinhoso dele me deixa ainda mais triste. Eu não faço o jantar e ainda ganho beijo. Eu sou péssima. A nuvem cresce.

E ele está com cara de quem enfrentou um dia péssimo no trabalho. Mas não fala nada, não reclama. A barreira de segurança para manter a grávida fora da rede de notícias sobre o ambiente profissional carregado de nervosismo e cobranças foi erguida e ele não ousa atravessá-la, para o bem da mamãe e do bebê. Muito protetor, muito lindo. Mas nem sendo assim tão cuidadoso, encontra o jantar pronto na hora certa. Eu sou péssima. A nuvem está quase tão gorda quanto eu.

Ele disfarça, diz que tudo bem, que vai comer qualquer outra coisa e apanha um potinho de amendoim no armário.  O potinho cai no chão e os amendoins vão parar em todos os cantos da cozinha: embaixo da geladeira, do fogão, da mesa.

– CARALHO, QUE PORRA DE POTINHO MALDITO!!! OLHA SÓ QUE SUJEIRA!! QUE MERDA!!!

A tempestade cai sobre minha cabeça. Começo a chorar e não paro mais. Sei que os gritos não são comigo. Sei que os palavrões não são para mim. Em qualquer outra ocasião eu teria abraçado esse homem tão maravilhoso e dito: “ei, o que há, se abre comigo, o que tá acontecendo?”

Por que eu sei que se um frágil potinho consegue provocar tamanha ira,  alguma coisa está errada. Talvez no trabalho. Talvez na conta bancária. Talvez sejam os mesmos motivos que têm me feito perder o sono nos últimos meses: será que vamos dar conta de cuidar direito deste bebê? Estamos preparados? Teremos dinheiro suficiente? Seremos bons pais? Algum dia faremos sexo selvagem como antes?

Mas a barreira de proteção em volta da gestante sensível não permite que um homem tão forte tenha dúvidas ou medos. Muito menos problemas no trabalho ou com a conta bancária. Ele nunca diz nada, não reclama, não procura minha ajuda. Então acaba sobrando para o potinho. Mas os gritos desencadeiam uma sequência de raios e trovoadas e o temporal desaba.

– O que foi? Por que tá chorando?

– Não sei. Não é nada, é tudo. Assustei.

– Amor, é só um potinho…não precisa chorar.

E a enxurrada me carrega ladeira abaixo. Lavar o rosto e pensar em outra coisa ajuda por algumas horas e funciona como uma rolha para bloquear a torneira de lágrimas. Mas assim que ele adormece ao meu lado, convencido de que o ataque de choro passou, levanto e me arrasto até o sofá.  Choro até cochilar, então acordo e ainda estou perdida no meio daquela nuvem escura. Sinto o bebê mexer e digo a ele que está tudo bem. Mas ao escutar minha voz tremida começo a chorar de novo. Lembro do dia em que conheci aquele homem lindo, o começo do namoro, o casamento, a decisão de ter um filho e logo me vem a imagem do parto..snif..a ameaça da gripe suína..chuif… medo de morrer no hospital,…snif.. de não saber amamentar..chuif..de nunca mais emagrecer… de não ser uma boa mãe…chuif..snif… de não ter dinheiro para pagar uma boa escola…essa porcaria de sistema público de ensino…e a gente paga tantos impostos…será que vai faltar dinheiro este mês?…snif…chuif…eu perdi aquele contrato…li hoje sobre o preço das vacinas…não queria aquele berço velho…será que meu bebê vai ser saudável?…buááááááááááááá

Não sei se foi a dificuldade para respirar enquanto chorava ou se foi o desconforto do sofá: logo estou cheia de ondas de gases que circulam pelo meu corpo e não encontram a saída. São como grandes agulhas que penetram minhas entranhas. A cada movimento do bebê a situação piora. Abro a porta e vou caminhar no quintal, no meio da madrugada, mão acariciando a barriga.  A luz da varanda projeta minha imagem gorda e descabelada na parede. Sinto os nós do tecido da calcinha de algodão extra G por baixo da camisola imensa e confortável. Um arroto. Uma lágrima. Outro arroto. Muitas lágrimas. A noite fria, o silêncio (menos na hora dos arrotos, é claro), a solidão. Como foi que eu vim parar aqui????? Buáááááááááá

Ah é…foi culpa do potinho.

34 comentários 26/08/2009

Isso é bobagem…

malas_sem_rodinhas

Malas sem rodinhas

Almoço de domingo. Grávida e sua mãe conversam sentadas na varanda, longe do tumulto dos adultos e da correria das crianças. Falam de tudo um pouco e acabam caindo no assunto do momento entre as duas: gravidez.

Filha: “Ai, mãe, tô engordando demais, você engordou assim nas gravidezes?”

Mãe: “Não engordei muito, não. Mas isso é bobagem…não se preocupe, você emagrece rapidinho depois do parto, principalmente se amamentar. Some tudo!”

Filha: “Ai, mãe, tô passando potes de creme e bebendo muita água que nem todo mundo ensinou, mas apareceram umas estrias logo acima do bumbum”

Mãe: “Não se importe com isso, amor…isso é bobagem…depois some tudo!”

Filha: “Ai, mãe, será que vou dar conta de amamentar? Quero tanto…Mas tenho medo de não saber fazer direito”

Mãe: “Filha, amor…isso é bobagem, você logo pega o jeito, é só fazer com amor e perseverança. Esse medo some…você vai ver..depois do parto, some tudo!”

Um dos primos se aproxima das duas, conversa um pouco e logo faz um trocadilho idiota com o nome escolhido para o bebê. Depois que ele se afasta, a mãe comenta:

“Isso é bobagem. Mas infelizmente, não some depois do parto” – (suspiro) – “Gente mala pra dar opinião, fazer piadinha e dizer asneira pra você sempre vai ter. Esse tipo de problema não some no final da gravidez”.

29 comentários 18/08/2009

Ser mãe é dureza

maeHeroinaSer mãe é desdobrar fibra por fibra o coração
É não pregar o olho a noite inteira no serão
É andar na correria preparando mamadeira
Ao som de uma tremenda choradeira

É fralda toda noite todo dia pra trocar
Porém na poesia esqueceram de contar
Ser mãe é muito bom para um poeta inocente
Mas ele se quiser que experimente

Ir ao cinema já perdi a esperança
Não tenho em casa uma babá de confiança
E tome fralda e mamadeira pra lavar
Enquanto papaizinho vai pra rua passear

Pra meu castigo, meu consolo vejam só
Um belo dia sou chamada de vovó
Mas a verdade é prova de juízo
A gente por vontade padecer num paraíso

(Inezita Barroso)

6 comentários 24/07/2009

Piti de grávida (nove meses de TPM)

Turma reunida, marido comandando a churrasqueira, música ligada, todos falam ao mesmo tempo sem parar, ando pra cá e pra lá, encho copos, distribuo talheres, corto tomates, lavo verduras, checo se todos estão bem servidos, coloco mais farofa no potinho, ofereço suco para quem não bebe cerveja e refrigerante, paro aqui e ali para responder alguma coisa, fazer comentário, dar uma risada. Enfim, o de sempre nos fins de semana na minha casa. Menos por um detalhe: agora tô grávida e esse vai e vem já não é mais tão divertido. Logo dói aqui, dói ali, fico cansada rapidamente, não dormi bem à noite, paro várias vezes pra fazer xixi. Mesmo assim, continuo minha dança da anfitriã, enquanto os ouvidos filtram tudo o que chega:

“Menina, pára um pouco, você tá grávida! (**Jura? Se você não me avisa, eu nem tinha notado…sabia?**)

–   “Larga isso, deixa que a gente faz” (sei sei sei)

– “Descansa um pouco”, “Você pode comer isso?”, “Você precisa comer! Eu não vi você comendo nada ainda…”

– “Quantos quilos engordou?”

– “Acho que essa barriga é menina”

– “Quando eu tava grávida fazia diferente”, blá blá blá

Aí marido pede: faz creme de alho? Já tinha montado um prato lindo de alhosalada, ía finalmente repousar meu rechonchudo corpinho, mas acho a idéia boa, afinal,  a turma gosta, são só uns minutinhos pra preparar o creme. “Faço. Descasca o alho que faço.” Pego liquidifcador, jogo um pouquinho (50ml) de leite lá dentro, o dente de alho picado pelo marido. Ligo o aparelho e vou acrescentando óleo. Enfim, o de sempre nos churrascos de finais de semana. Vejo que a boca do marido se move, ele fala alguma coisa pra mim. Mas não entendo. É gente que conversa pra todo lado, música ligada, liquidificador rugindo. O quêêêê? Preciso gritar pra ele ouvir. Ele grita de volta: Tá pondo muito óóóóleo. Grito que não é não. Mas ele continua falando: que exagerei, foi muito leite, agora é muito óleo, que assim fica ruim. Respiro fundo e grito que é óleo de girassol, que não tô pondo muito, que tô fazendo como sempre fiz.

Mas ele continua falando, gravidagordabravareclamando. A amiga ao lado sai em minha defesa, fala que é assim mesmo. A outra pergunta se o leite é desnatado e vem em cima de mim pra olhar de perto o creme no liquidificador. O barulho parece maior, olho meu prato de salada esquecido num canto. Fome. Sinto as pernas doerem. Os olhos ardem e me lembram que foi uma noite horrível, não dormi quase nada, por que tive tantos gases que dava pra abastecer o gaseoduto da Bolívia durante  meses. Sem falar no cachorro do vizinho que latiu em primeira marcha durante quatro horas seguidas de madrugada.

O creme de alho tá quase no ponto, mas marido fala mais alguma coisa e alguém concorda que é muito óleo, que aquilo faz mal pra saúde. “Ainda mais grávida, não deve comer essas coisas”. Aparece outro pra dizer que é assim mesmo que prepara, viu a ex-mulher fazer uma vez. Marido chega perto e fala de novo que tô fazendo muito creme, por que exagerei na quantidade de leite e (apesar do meu olhar ameaçador, cheio de hormônios agressivos e perigosos) espia por cima do meu ombro pra ver mais de perto como é que tá ficando tudo.

chegaaaaaaAí o barulho do liquidificador parece mais alto, a barriga fica mais pesada, os olhos ardem, a música me irrita. Berro: CHEGAAAAAA! Arranco o troço da tomada e grito como se o liquidificador ainda estivesse ligado: JÁ QUE VOCÊ SABE FAZER, ENTÃO FAÇA! Minha voz ecoa. Silêncio total. A música some, todo mundo fica  quieto, até o cachorro do vizinho parece que não late mais. Ouço apenas uns estalinhos da brasa na churrasqueira.

Ponho a mão na barriga (peguei mania disso), tenho vontade de chorar. Alguém me consola, me põe sentada numa cadeira. Os homens olham assustados, as mulheres me observam ternamente, algumas movem a cabeça para frente e para trás lentamente. Sinto o rosto vermelho. Não sei se é do choro contido ou de vergonha. Aparece um copo d´água com açúcar. “Não fica assim, calma..” Alguém assume o liquidificador e conclui a tarefa que eu abandonei. Me sinto péssima. Tenho vontade de pedir desculpas, mas não consigo. Não quero mais comer. Nem falar. Nem nada. Vontade de enfiar a cabeça num buraco e só sair depois do puerpério.

Aos poucos os sons vão voltando. Alguém faz uma piada. Creme de alho é servido. Experimento minha salada e a fome reaparece. Fingem que não aconteceu nada ou realmente não ligam. Falam do tempo, do Sarney, do Michael Jackson. Meu piti parece ter sido esquecido. Tô quase recuperada, quando chega um convidado atrasado. Cumprimenta todo mundo e marido serve carne para ele, junto com creme de alho. O convidado observa desconfiado: que é isso? Marido (realmente sem noção do perigo) arrisca perder todos os dentes da boca e ainda dormir no sofá, mas responde assim, todo crítico de novo, provocando:

–   “É creme de alho, é gostoso, experimenta…se bem que este ficou forte demais.”

Grrrrrrrrr….Será que se eu jogar o liquidificador na cabeça dele ganho TacaOLiquidificadorredução de pena por causa dos hormônios em ebulição? Brincadeirinha, eu jamais faria isso. O liquidificador é novinho em folha (e é excelente).

24 comentários 05/07/2009

Leite de caixinha estragado

vacamagra2

Mamífera que sou, amo leite. Estou falando de leite MESMO, não esse negócio branco que vem dentro de caixinhas de papelão. Já leu o que está escrito na caixinha  do chamado leite longa vida? Tem muitas coisas ali dentro que são colocadas justamente para garantir a tal longa vida. Mas eles juram que ali dentro tem leite também (ufa! que alívio).  Mas nem sempre foi assim: tomei leite de verdade, saído diretamente da vaca para a minha casa, durante muitos anos.

Deve ter gente que leu isso aí e não entendeu nada ( o leite sai da vaca? como assim???). Para vocês, leitores modernos, que acham que vaca é só uma palavra usada para ofender a mãe do juiz de futebol, aqui vai uma dica: pesquise no Google.

Tem gente que fala mal do leite in natura, por que “não é pasteurizado, pode estar contaminado, blá blá blá”. Ah, tá? O produto pausterizado pode não ter bactérias, mas pode ter soda caústica.  O que será que é pior? Tô num mato sem cachorro pasto sem vaca: se ficar a bactéria pega, se correr a soda cáustica come. Enfim, de qualquer forma, grávida que estou não poderia mesmo tomar o leite de verdade, justamente por causa do risco de contaminação por bactérias. Nem posso consumir queijos e outros derivados in natura. Ordem da médica: grávidas só podem consumir derivados de leite que sejam pasteurizados.

Momento cultural: O que é pasteurização? O produto é aquecido a temperaturas altíssimas e, em seguida, resfriado. Esse processo mata a maior parte das bactérias normalmente presentes no leite cru, sem (garantem os entendidos) alterar suas propriedades ou características)

Voltando às vacas gordas, deixei de consumir leite integral há anos. É que vacadeoculosdepois de uma certa idade, a gordura começa a acumular em setores específicos do corpo, como o culote, a barriga e a bunda. Quando isso começou a acontecer, troquei o arroz e o pão branco pelos integrais. O açúcar refinado pelo mascavo. Os doces por frutas (nem sempre, admito). E cla-la-ro, substituí o leite integral pelo desnatado. Aí começou o problema: não inventaram ainda a vaca light. (óquêi, eu sei o motivo desse sorrisinho malicioso na sua cara, você leu vaca light e logo lembrou da vizinha magrela que paquera seu marido,né? Bom, ela não serve como exemplo, por que não resolve o meu problema do leite desnatado)

Por isso, na época em que decidi ser menos gorda mais saudável, aderi ao leite desnatado de caixinha. Meu marido que é pão-duro mais econômico que eu, sempre aparece em casa com umas marcas assustadoramente desconhecidas. Ao ler as informações sobre a origem do produto na caixinha fico com a pulga atrás da orelha (bom, de qualquer forma, melhor a pulga atrás do que dentro da orelha, pois dentro incomodaria mais). Sou mais exigente que o Tio Patinhas (meu marido) e só compro marcas mais conhecidas, que geralmente são muito mais caras. (É daí que vem o ditado “o barato sai caro”).  Sei que compar a marca mais cara não é garantia de qualidade, mas deve ser mais seguro. Afinal de contas, uma empresa que já conquistou espaço no mercado tem um nome a zelar e não vai misturar soda cáustica e água oxigenada no leite, vai? (putz…pior é que vai, né? Aliás, FOI durante muito tempo e só descobriram em 2007, lembra?)

Ferva antes de beber

batavodesnatadoQuando vou às compras, só trago para casa leite desnatado de marcas bem conhecidas como Nestlé, Danone e Batavo (entre outras top de linha).  Mas há uns dias levei um baita susto e por pouco não ingeri leite estragado. Comprei duas caixinhas de leite desnatado Batavo. Abri uma, enchi uma xícara e coloquei no micro-ondas para esquentar. Quando o leite ferveu, ouvi o barulho de uma pequena explosão. Pensei que havia algum defeito no micro-ondas, mas o problema era o leite. O produto dentro da xícara havia adquirido um aspecto diferente, estava com cara de leite “coalhado”, sabe como é? Cheio de pedacinhos (como queijo) boiando e um cheiro esquisito. Olhei a caixinha que havia acabado de abrir e constantei:

a) o leite estava dentro da validade (só venceria no semestre seguinte)

b) não havia nenhum risco, amassado ou furo na caixa, portanto a embalagem não havia sido violada

c) o produto que estava na caixinha tinha cheiro e aparência normal, se eu tivesse tomado o leite sem ferver, teria ingerido o produto estragado sem perceber Abri a outra caixa, que havia comprado junto com aquela e coloquei um pouco do leite para ferver. Normal. O leite “subiu”, o cheiro era bom, o gosto também.

Encontrei na caixinha o número de atendimento ao cliente (0800) da Batavo e liguei para lá. Comuniquei o que havia acontecido. A atendente foi simpática, fez várias perguntas sobre a compra do leite (onde havia comprado, quando, etc.) e anotou meus dados pessoais. Ela pediu para eu guardar a caixinha de leite na geladeira que um representante passaria para pegar e deixaria outra (não estragada) no lugar. Cinco dias depois foram buscar a caixinha do leite estragado e deixaram uma outra unidade no lugar. Acho que fui bem legal com o pessoal da Batavo, né? Quem mais iria gastar tanto tempo para avisar que havia algo errado com um produto? Meu marido disse para eu jogar aquilo fora e deixar pra lá. Mas pensei que seria legal se a empresa tivesse a chance de detectar um problema e trabalhar para evitá-lo no futuro.

Ninguém da Batavo entrou em contato comigo depois disso para me explicar o que houve. O que eu imagino é que aquela caixa havia sofrido algum tipo de tratamento inadequado (na produção, armazenamento oleitegarrafavidrou distribuição). Pode ter ficado guardada num lugar não muito fresco e arejado no depósito do supermercado, por exemplo.

O problema (estamos chegando finalmente à moral da história) é que na caixinha de leite está escrito  “Não precisa ferver”. Sempre levei isso a sério e tomei muito leite de caixinha sem ferver: misturava direto no achocolatado, nos cereais, na massa do bolo. Imagina só se naquele dia eu não tivesse fervido o leite? Numa época “normal” da minha vida, talvez a consequência fosse uma desinteria brava. Mas no meio de uma gravidez, ingerir um produto estragado pode ser fatal para a gestação. A partir daquele dia, passei a retirar todo o leite da caixinha, fervê-lo e guardá-lo em garrafas de vidro devidamente esterilizadas. Assim tenho sempre leite geladinho para adicionar aos sucrilhos, mas sem correr o risco de ingerir um produto estragado. Continuo comprando as marcas que considero boas, inclusive a Batavo, pois aquela caixinha provavelmente foi adulterada no armazenamento errado no supermercado. Moral da história (eba, chegou!!): ferva o leite.

Post Scriptum: Olha só que coincidência. Estava escrevendo sobre o que aconteceu e descobri que o Pai dos Trigêmeos (ele é conhecido assim) havia publicado no  Blog dos Trigêmeos (que eu adoro e visito sempre) um texto muito legal sobre o mesmo assunto: as esquisitices do leite de caixinha. Vale a pena conferir: clique aqui.

10 comentários 25/06/2009

Me ajudem a decidir: compro ou não compro?

Estou pensando em comprar uma lavadora Eggo (Brastemp) para lavar as roupinhas do bebê. O problema é que não conheço ninguém que tenha a lavadora. Estou comcompro ou não? medo de investir esse dinheiro (que não está SOBRANDO aqui na família classe média abaixo da média) em algo inútil.  Minha idéia é reservá-la apenas para lavar as roupas do bebê, assim garanto mais higiene nessa atividade. Achei pouca informação de usuários na internet. Algumas pessoas falando bem; uma consumidora reclamou que a lavadora não centrífuga e outro consumidor falou que a Eggo “destruiu” as roupas do bebê.  Alguém tem uma opinião formada sobre o produto? (A Brastemp anuncia a Eggo como uma lavadora de 1kg apropriada para lavar roupas delicadas como lingeries, roupas de bebês e de ginástica).

E aí? Compro ou não?

36 comentários 11/06/2009

Cabeça de grávida: como destruir uma panela de pressão

Alguém aí gosta de grão de bico bem passado?

Alguém aí gosta de grão de bico bem passado?

Quando uma grávida esquece uma panela de pressão no fogo e vai dormir, pode colocar a culpa nos hormônios. Se alguém questionar, bata o pé e informe que minha obstetra explicou isso na última consulta. Aliás, ela fez um alerta: “Anote tudo o que for importante; se colocar uma panela no fogo ou um bolo no forno, ponha o despertador para tocar; se tiver um compromisso que não pode faltar, espalhe lembretes pela casa. Digo isso por que é inevitável: você vai esquecer coisas que jamais esqueceria antes de engravidar”.

Ela explicou que há um hormônio (esqueci o nome) que afeta uma área do cérebro (não lembro qual), que provoca um negócio (não consegui guardar o nome) que faz a grávida ficar assim: perigosamente esquecida e distraída. Isso é tão normal que já existe o termo “cabeça de grávida”, usado por homens e mulheres (que não estão grávidos) para explicar que estão meio “lentos” em determinada fase da vida. Então anote aí pra não esquecer: ficar esquecida e distraída é normal, é só mais um sintoma da gravidez!

Quando coloquei a água e o grão de bico na panela de pressão, deveria ter programado o celular pra tocar e me avisar em seguida. Mas esqueci de fazer isso. Estava com muito sono (outro sintoma da gravidez explicado pelos hormônios) e fui tirar um cochilo. Fui despertada pelo cheiro de queimado que tinha invadido a casa. Detalhe: a cozinha fica do lado de fora da casa. Imagina só como estava catastrófica a situação lá no fogão. Dois minutos depois de acordar é que lembrei da panela. Dei um pulo e comecei a correr. Daí lembrei (viu, de vez em quando o cérebro reage! Há esperança) que estava grávida e seria melhor não correr. Então fui andando depressa, dum jeito bem ridículo, segurando a barriga por baixo e rezando pra panela não explodir quando eu entrasse na cozinha.

O alumínio ficou parecendo teflon, não acha?

O alumínio ficou parecendo teflon, não acha?

Imagina só o alívio quando vi que tinha esquecido de colocar a tampa na panela (viu? de vez em quando esquecer é bom pra saúde). Então ela estava torrada, destruída. Mas pelo menos não tinha corrido o risco de explodir. Joguei tudo fora, liguei rindo pra minha mãe (que me deu uma panela de pressão nova pra compensar o fiasco) e comi um sanduíche integral. Quando meu marido chegou cansado em casa, acabei esquecendo de contar pra ele o que tinha acontecido. (viu, de vez em quando faz bem pro casamento esquecer certas coisas)

Hoje passei o dia todo olhando pro blog e pensando: sobre o que eu tinha planejado escrever mesmo? Só agora, quando fiz download das imagens que estavam na máquina fotográfica é que lembrei: ah, o grão de bico bem passado. (viu, não estou tão ruim, até lembrei de tirar foto pra por no blog).

14 comentários 21/05/2009

A diarista e a cerveja

gravidafaxinaEncontrar uma boa diarista, que seja de confiança e faça um bom trabalho, pode render traumas que nenhuma terapia resolve. Quem nunca sofreu com isso que atire o primeiro espanador. Amargo até hoje a dor de ter sido trocada por uma cervejinha gelada. No começo do ano, eu estava de mudança marcada pra nova casa. Seria no domingo. Então uma semana antes contratei uma moça que me indicaram pra limpar a casa na véspera. Casa vazia, NENHUM móvel. Era limpar dentro dos armários dos quartos, da cozinha, lavar chão, banheiros. Enfim, tirar a “nhaca” da reforma. Eis que no dia anterior à faxina (na sexta-feira) liga a tal diarista, às 18h(!!) pra dizer que não ía poder trabalhar no sábado. Não explicou o porquê, não pediu desculpas. Só ligou e falou “não vou”.

Como já estava planejado que eu passaria o sábado empacotando o restante da mudança,não poderia eu mesma assumir a missão de deixar a casa limpa. Bem que deu vontade. Peguei o telefone e saí à caça. Liguei pra minha mãe, vó, tias, amigas, inimigas. Em seguida, ligava pra todas as diaristas que elas indicavam e recebia um “não”. É que todo mundo já tinha serviço marcado pro dia seguinte. Em algumas tentativas, levei até bronca. “A senhora ligou muito em cima da hora, precisa marcar com antecedência, sabe?”, ouvi de muitas delas.

Me sentindo rejeitada, desesperada e já convencida de que teria que passar a madrugada empacotando a mudança e depois ainda enfrentar um sábado de faxina, fiz mais uma tentativa. Claudina era muito bem recomendada. Disseram que era um verdadeiro “trator”, do tipo que não deixa mancha por onde passa. Fiquei apaixonada, com vontade de contratá-la de segunda a sábado, com registro em carteira,vale transporte e seguro médico. Ai, se eu pudesse!

Telefonei, me apresentei e expliquei pra Claudina o serviço. Não tinha móveis, não tinha que tirar pó de porta-retrato, nem limpar geladeira. Era uma casa vazia, com uma mangueira gigantesca pra jogar água em tudo, à vontade. Eu poderia buscá-la em casa de carro, cedinho. Levaria almoço ao meio-dia. Daria o dinheiro do ônibus pra ela voltar pra casa depois.
Claudina fez mil perguntas, gostou do valor que eu ofereci, mas falou assim:
Dá pra ser na segunda-feira?
– Claro que não. Vou mudar no domingo, preciso da casa limpa amanhã (sábado).
-Ah, então não vai dar. Sabe o que é? Hoje é sexta-feira, noite sagrada pra mim, eu saio pra tomar uma cervejinha. Não trabalho no sábado nem por um milhão de reais.

   Depois o povo reclama que tá sem dinheiro, sem trabalho, que não tem oportunidade.
   Minhas amigas, minha mãe e minha vó, com dó de mim e com medo que eu batesse a cabeça na parede e estragasse a pintura nova da casa, se uniram, fizeram um mutirão e deixaram a casa brilhando.

   Claudina ligou uma semana depois.

   – Oi, lembra de mim? Então, eu tô disponível esses dias, a senhora precisa de faxina?
   
    Perdi a voz por alguns segundos, mastigando a raiva daquela mulher que eu nem sabia como era, pois nunca tinha visto a cara.
    – Ô Claudina, não vô precisar não, viu. É que esta semana foi sagrada pra mim e eu gastei todo o dinheiro da faxina em cervejinha gelada. Tchau!

(Post Scriptum –  Este texto é, na verdade, fruto de uma visita que fiz ao blog da Adriana Viaro, onde ela conta sobre como teve sorte ao encontrar uma diarista perfeita. Na hora lembrei da história da Claudina. Daí escrevi um longo comentário lá e ao terminá-lo percebi que havia criado um post)

12 comentários 19/05/2009

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