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Ansiedade

Sobre O Tempo

(Pato Fu)

Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio

Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã

Tempo, tempo, tempo mano velho
Tempo, tempo, tempo mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai, vai

Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final

Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã

Tempo, tempo, tempo mano velho
Tempo, tempo, tempo mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai, vai

Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada

Só me derrube no final…
Vai, vai, vai, vai, vai, vai

—————————————————————————————–

Essa é a música que toca dentro da minha cabeça enquanto zanzo pela casa, todas as noites, insone e gasosa, como uma alma penada tamanho GG. Em vez de correntes, arrasto meus pés gordos e inchados, enfiados nas sandálias velhas herdadas de uma amiga ex-grávida. Canso logo e deito de novo. Mas os pensamentos vêm todos de uma só vez até a minha cabeça. Me atacam como moscas varejeiras sobre uma manga madura caída no meio da grama.

Quando será? Como será? Vai doer? Estarei sozinha? Saberei que é a hora? Vai correr tudo bem? Meu bebê será perfeito? Saberei cuidar dele? Será que aquela camisola vai servir? Eu não devia ter comido aquela tigela de sorvete com granola por que se eu parir no meio da noite vou vomitar tudo. Ele vai ter cólicas? Como é mesmo que limpa o saquinho do bebê? Ainda bem que não é menina, todo mundo fala que limpar pererequinha é mais complicado. Será que é melhor depilar amanhã pra garantir? Será que eu coloquei calcinhas em número suficiente na mala? Eu derrubo tudo no chão, como é que vou segurar uma coisinha tão pequena e frágil? Que vontade de comer comida chinesa…aff…são 3h da manhã já…hmmm…será que alguém entrega nesse horário? Olha esses pés…olha esses pés… Ai, uma pontada, será que é… ah…era um pum… Nossa, esse cara na tv me lembra aquele ex-namorado…ainda bem que eu não casei com ele, já pensou um filho cabeçudo assim no parto normal? Quando será que vou fazer sexo de novo? Será que ele vai ter alguma alergia? Nossa, que ansiedade, será que é hoje? Pensando bem, aquela manta…hmm…melhor checar a mala do bebê…de novo. Será que ele é cabeludo? Ai, que céu lindo, muito lindo…será que é hoje? Tô com premonição…ou são gases? Será que ele vai mamar numa boa, sem problemas? Pensamento positivo…pensamento positivo…se concentra, só pensa em coisas boas para atrair coisas boas… Melhor imaginar o pior acontecendo, melhor ser realista, assim se acontecer o pior estarei preparada… Meu Deus, vou dormir, não aguento mais ver esse filme no Universal Channel, há 4 madrugadas só dá ele na programação. Que saudade eu vou ter desta barriga. Olha esses pés!!! Não tem ninguém no Messenger!  Será que ele vai ter cólicas? Como é mesmo que limpa o umbiguinho?

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36 comentários 24/11/2009

Grávida é ímã de criança birrenta

birraBebês deveriam vir com manual de instruções. Do tipo que acompanha um CD-Rom explicativo, que agregaria ainda exemplos sonoros de variedades de choros, para auxiliar pais de primeira viagem a entender o que os pequenos querem quando abrem o berreiro. Um dos capítulos que mais me interessariam no manual seria,  sem dúvida, o que explicasse o porquê das birras e me ensinasse uma fórmula eficiente para lidar com elas e eliminá-las. Desde que fiquei grávida parece que virei ímã de criança birrenta. Elas estão por toda parte. Nas filas dos cinemas, nas farmácias, nas ruas, nos estacionamentos dos shoppings, nas pracinhas e sorveterias. Algumas delas são fortemente atraídas até a minha casa e fazem seu show no meu quintal ou na minha sala, para o desespero das minhas cunhadas e amigas. Geralmente a birra das crianças delas acontece no momento em que elas estão me ensinando TU-DO sobre a maternidade. Afinal, sou grávida de primeira viagem e tenho muito a aprender com as experientes mamães que me cercam.

Mas é supermercado que acontecem os piores encontros com crianças birrentas. Sempre que empurro vagarosamente o carrinho lotado de coisas saudáveis (vai acreditando…) pelos corredores, acabo dando de cara com pelo menos uma situação assustadora.  Na maioria das vezes os pequenos terroristas estão jogados no chão e gritam-berram-grunhem coisas como “eu queeeeroooo!” e até “teeee odeeeeioooo” para pais atônitos e visivelmente envergonhados. Meu primeiro pensamento é “tomara que meu filho não seja assim!“. Mas no fundo eu sei que preciso estar preparada, pois dificilmente escaparei de uma experiência como essa.

Antes de engravidar, CONFESSO, julguei algum desses pais. “Que mulher mole, por que não dá logo uma bronca no filho?”, “Olha que absurdo, a criança dominando o adulto e conseguindo o seu precioso pacote de biscoito recheado”. Depois que fiquei grávida adotei a regra: não julgue o que não conhece. É que foi aí que entendi que não devemos cuspir pra cima, pois pode cair no nosso olho.

Não encontrei o tal precioso manual de instruções, mas achei algo muito próximo do meu sonho de consumo: uma lista com dicas incríveis sobre como lidar com situações de birra. Já salvei e guardei aqui no computador, pois sei que poderão ser bem úteis num futuro não muito distante.  As dicas estão no blog O Astronauta, da Flavia. Uma leitura recomendada para papais, mamães e afins.

13 comentários 04/11/2009

Treinamento para futuros papais e mamães

PreparadoParaIssoRecebi por e-mail antes de engravidar e divido com vocês:

EXERCÍCIOS PRÁTICOS PARA TREINAMENTO DE FUTURAS MAMÃES E FUTUROS PAPAIS

1. Vestindo a roupinha
Compre um polvo vivo de bom tamanho. Vá vestindo a criatura,sem machucá-la, nesta ordem: fraldas, blusinha, macaquinho,casaquinho, sapatinhos e touquinha. Converse com o polvo bem baixinho enquanto o veste. Não é permitido amarrar os tentáculos. Tempo de execução da tarefa: uma manhã inteira.
2. Tomando sopinha
Faça um buraquinho num melão, pendure o melão no teto com um barbante comprido e balance-o vigorosamente. Agora tente enfiar a colherinha com a sopa no buraquinho. Levante a mão mantendo a colher cheia e aproxime-a do melão como se a colher fosse um aviãozinho. Não é permitido gritar. Insista até ter enfiado pelo menos metade da sopa pelo buraquinho. Limpe o melão, limpe o chão, limpe as paredes, limpe o teto, limpe os móveis à volta. Tempo para execução da tarefa: uma tarde inteira.
3. Passeando na pracinha
Vá para a pracinha mais próxima e sente-se em um dos bancos. Levante-se, agache-se e pegue uma bituca de cigarro. Atire longe a bituca, dizendo com firmeza: NÃO. Sente-se outra vez. Levante-se, agache-se e pegue um palito de picolé sujo. Atire longe o palito, dizendo com firmeza: NÃO. Sente-se outra vez. Levante-se, agache-se e pegue um papel de bala. Atire longe o papel de bala, dizendo com firmeza: NÃO. Sente-se outra vez. Faça isso com todas as porcarias que encontrar no chão da pracinha. Os mais rígidos em matéria de educação deverão levar apressadamente cada porcaria encontrada à lixeira mais próxima antes de se sentar. Tempo para execução: o dia inteiro.
4. Passando a noite com o bebê
Pegue um saco de arroz de 5 Kg e passeie pela casa com ele no colo das 20 às 21 horas. Deite o saco de arroz. Às 22h pegue novamente o saco e passeie com ele até as 23h. Deite o saco e vá se deitar.Levante à 1h30 e passeie com o saco até às 2:h. Deite o saco e você. Levante às 2h15 e vá ver a sessão corujão porque não consegue mais pegar no sono.Deite às 3h. Levante às 3h30, pegue o saco de arroz e passeie com ele até as 4h15. Deite de novo. (Cuidado paTreinantera não usar o saco como travesseiro). Levante às 6h e pratique o exercício de alimentar o melão. É permitido chorar. Freqüência: pelo menos 3 vezes por semana.

5. Repita tudo o que disser pelo menos cinco vezes.
6. Repita a palavra NÃO a cada 10 minutos, fazendo o gesto com o dedo indicador.
7. Destaque uma parcela significativa do seu orçamento e não ouse tocar nela; destina-se ao leite em pó, às frutinhas, às fraldas, aos brinquedos, às roupinhas…
8. Não transe, não vá ao cinema, não beba, não saia com amigos.
9. Faça os exercícios durante uma semana, descanse um dia e recomece. Faça então durante duas semanas, descanse um dia e recomece. Vá progressivamente aumentando o número de semanas.
10. Nem cogite enlouquecer.

Quantos bebês mesmo você dizia que gostaria de ter???

17 comentários 04/10/2009

Mãevó

DuasBarrigasSala de espera lotada. É dia de atendimento apenas de gestantes, então as cadeiras acomodam principalmente barrigudas, algumas acompanhadas, outras sozinhas (como eu). Sempre levo um livro para suportar a longa espera, mas geralmente não tenho tempo de abri-lo. Alguém acaba puxando papo e o tempo passa rapidamente enquanto trocamos informações sobre a gravidez. O assunto quase sempre começa do mesmo jeito monótono:

– De quanto tempo você tá?

– É menino ou menina?

– Primeiro filho?

Encaro com resignação essa primeira parte por que sei há chance da coisa  ficar interessante depois. É como almoçar um prato de legumes de olho na sobremesa. Histórias pitorescas costumam acompanhar aquelas barrigas na sala de espera e gosto de ouvi-las.

Na última consulta uma jovem de 18 anos puxou papo comigo. Ela estava acompanhada pela mãe, que de vez em quando fazia algum comentário, mas sem participar muito da conversa.  Durante o interrogatório preliminar eu soube que aquele era o primeiro filho, sete meses de gestação, era uma menina, ainda não havia escolhido o nome, a gravidez não havia sido planejada, ela e o namorado não queriam casar, nem morar juntos.

No meio da conversa, a secretária da obstetra vem até a porta da sala de espera e chama mais um nome. A fila anda. A mãe da jovem levanta e diz:

– Eu! Aqui! – e  acompanha a secretária.

Tentei entender a situação. Era dia de consulta apenas de gestantes. Nesse dia, a médica não atende pacientes que não estejam grávidas. A filha era a barriguda da família. Por que a mãe entrou e a grávida ficou sentada ali na minha frente, sem se mexer? Acho que tinha um ponto de interrogação gigante na minha cara ou a menina lia pensamentos:

– Hoje eu não tenho consulta, é só a minha mãe.Ela até queria que eu entrasse com ela, mas acho que sozinha ela fica mais à vontade, né?

Ela voltou então a falar de enjoos, berços ideais e estrias. Cerca de 20 minutos depois a mãe voltou e sentou ao lado dela. A jovem grávida perguntou:

– E aí, mãe? Está tudo bem?

É…está, né? – a mãe suspirou.  Depois de um tempo ela acrescentou:  – De acordo com exame, estou de 15 semanas.

Não me controlei:

– Você também está grávida???

A expressão da mãe era um misto de vergonha, orgulho e resignação. Então ela contou em detalhes a história da sua vida. Tinha 47 anos, havia casado muito cedo. Mãe de três filhos, havia enfrentado na última gestação uma grande complicação e os médicos garantiram que ela nunca poderia engravidar novamente. Nunca mais se preocupou com métodos contraceptivos. A menstruação era irregular, praticamente inexistente. Nos últimos meses seu peso havia aumentado, estava sentindo muita fadiga e o corpo parecia inchado. Sem falar no calor insuportável. Deduziu que era a menopausa que chegava acompanhada da notícia de que ela seria avó. Procurou a médica, que indicou alguns exames. O resultado surpreendeu a família toda:

Loucura, não é? Eu aqui  feliz, me preparando para ser avó e recebo uma notícia dessas.

A filha sorriu:

Não é o máximo? Tio e sobrinho vão ter quase a mesma idade.

Nossa conversa foi interrompida pela secretária, que chamou meu nome dessa vez. Me despedi e entrei no longo corredor da clínica, encantada. Como sempre, a sala de espera não havia me decepcionado.

13 comentários 27/09/2009

Grávida que rouba (ex-)grávido tem 100 anos de perdão

BebePlantaFurtei mais um post. Já é o segundo esta semana, então acredito que em breve serei eleita para algum cargo importante no Congresso e terei de rumar grávida e serelepe para Brasília. Pelo menos quando tasco a mão no post alheio tenho a decência de identificar o autor e fornecer links diretos para criatura e criador. Desta vez usurpei um texto de um ex-grávido, agora já papai de uma menininha linda. Adoro ler o que os meninos escrevem sobre gestação e afins, pois é sempre uma ótica totalmente nova (e geralmente bem  menos dramática) da minha.  Leia abaixo e diga se não dá vontade de furtar:

Uma bebê é como uma planta, exceto que não combate zumbis.

Você tem que regar bastante mas não demais, pra não afogar.
Você tem que conversar sem esperar resposta, mesmo que te achem louco.
Você tem que evitar que seja esburacada por bichos.
Sua vida envolve lidar com adubo.

mas olha como é legal:
Tinha uma sementinha com peso insignificante que morava no meu saco.
Nove meses depois disso aparece um brotinho barulhento de quase três quilos.
Em menos de um ano ela triplica de peso e vira uma linda flor.
E florzinha, às vésperas de completar onze meses, aprendeu a dar abraço!
Dá vontade de chorar de tão bom que é…

(Clique aqui para conhecer o blog Diário de Um Grávido, dono do texto)

12 comentários 17/09/2009

@Cardoso é que era mulher de verdade…

mariamariana“Parto normal é que nem piscina gelada. Depois que entrou seu único consolo é chamar os manés de fora pra pularem também”.Péééééraaaa, segurem as pedras mais um pouco que é pra dar tempo de avisar que não escrevi a frase acima. Esse foi um dos dardos que o polêmico @Cardoso disparou hoje no Twitter depois que descobriu aquela entrevista da Maria Mariana (que achava que era mulher de verdade que nem a Amélia….) na qual ela distribuiu rótulos e ressuscitou mantras machistas que julgávamos decompostos a esta altura do milênio. Na época as declarações dela me irritaram  – como a tantas outras mulheres que batalham para triunfar em seus turnos.

Como hoje passei a manhã limpando a casa desenvolvendo uma vacina para curar a gagueira e a tarde passando roupa no meu MBA, não marquei presença no Twitter e perdi todo o bafo. Tive de me contentar com o rescaldo da polêmica. Melhor que passar fome é comer um zoiudo requentado,  por isso me deliciei com o que encontrei nos arquivos do Twitter e dos blogs. Saboreei as tiradas ácidas do @Cardoso e também a forma como a maioria das pessoas reagiu à entrevista da Maria Amélia Mariana. A melhor de todas as respostas veio de uma mãe blogueira que traduziu em palavras alguns pensamentos e sentimentos que ainda não encontram a saída pelas minhas mãos e continuam presos em mim, à espera de um dia ser texto.

Um trecho do que ela escreveu:

Passei toda minha gestação ansiando por um parto normal.
Normal mesmo!
Meu sonho, na época, era ter uma vó parteira, dessas que fazem o parto em casa com uma tesoura que passa de geração para geração.
Louca?
Pode ser.
Mas eu achava que isso reforçava a importância de ser mãe.
Louca mesmo.
Também acreditava que pra ser mãe tinha que amamentar.
Sonhava em amamentar minha filha até uns dois anos de idade.
Achava lindo. Ainda acho.
Quando eu ouvia alguma mãe contando que não tinha leite ou que o bebê não pegou o peito eu pensava, quietinha, “coitada, essa aí não nasceu pra ser mãe”.
Resumindo a história, eu paguei por toda a minha ignorância.
Minha filha nasceu 20 dias antes do prazo, numa cesariana feita às pressas em decorrência de pré eclâmpsia.
Quase morri e, pra piorar, o médico não pode esperar nem 15 minutos pra anestesiar fazer efeito e eu, por vias tortas, senti as piores dores do parto. Dor de navalha cortando a carne.
Mas, como a maternidade é um verdadeiro milagre e quase sempre que nasce um filho nasce também uma mãe, seja de parto normal ou cesariana, o chorinho da pequena diluiu a minha dor e a lembrança que ficou do momento, apesar dos riscos, é de amor.
Pra melhorar a brincadeira ou, se preferirem, pra diminuir meu carma e minha arrogância pré-maternal, meu leite só durou duas semanas.

Clique aqui e leia o texto todo da Maitê, no blog Penso em Tudo, que descobri hoje e já está nos meus Favoritos.

14 comentários 14/09/2009

ERA UMA VEZ…

InfanciaFeliz…uma menina muito amada, filha de pais maravilhosos, criada entre irmãos carinhosos (que trocavam porradas diariamente entre eles, mas ai se alguém de fora tentasse fazer o mesmo com um dos irmãos, nem pensar. O lema era “só eu posso bater no meu irmão”), que cresceu ouvindo sobre como seus pais haviam desejado aquela família, haviam planejado aquela casa cheia de crianças, uma nascendo logo após a outra e formando aquela barulhenta EuComiaLivros“escadinha” infantil. Era uma vida simples,  mantida com o salário de dois professores (na época isso ainda era profissão respeitada no Brasil). Mas era organizada e feliz. Pouca TV, muitas brincadeiras, muito carinho, amor e os livros. Ah…eles estavam por toda parte: nos quartos, sala, banheiro, quintal. Tropeçávamos nos grossos volumes com histórias sobre a turminha do Sítio do Picapau Amarelo, em coleções completas de clássicos infantis e em exemplares de uma didática literatura de iniciação sexual como o divertido “De Onde Viemos?”.

A menina podia conversar sobre o que quisesse com seus pais. Eles falavam sobre namorados, sexo, bebês, camisinha, doenças, anticoncepcional. Não havia mistério. Bastava perguntar e obter a resposta honesta, a explicação real. Nada de fantasia e enrolação. Tudo isso num tempo em que ainda não havia internet e nem os programas de tv com temas pré-adolescentes. Os amigos da menina não tinham aquela liberdade com os próprios pais. Era na casa da menina que eles buscavam soluções para algumas dúvidas mortais: “beijar engravida?”, “por que minha prima ficou menstruada e eu não?”, “o que é camisinha?”, “meus peitos vão crescer um dia?”

Os pais da menina sempre entenderam que o diálogo era a melhor forma de evitar que os filhos fizessem alguma besteira por pura falta de informação.  Sabiam que deixar todas as vias de contato abertas criava uma rede de confiança dentro de casa, capaz de evitar que os filhos caíssem nas armadilhas do mundo lá fora. O maior medo dos pais era um possível envolvimento com drogas, o risco de doenças sexualmente transmissíveis e gravidezes indesejadas.

PaiZelosoAlém de muita conversa, havia também um trabalho rigoroso de fiscalização da conduta de cada um dos filhos. As regras em relação ao horário para chegar em casa à noite, por exemplo, eram muito rígidas. Claro que isso rendeu discussões e lágrimas todas as vezes em os adolescentes foram proibidos de ir a uma festa ou viagem com a turma. Brigas históricas aconteceram quando a menina arranjou o primeiro namorado e no dia em que o caçula disse que queria usar brinco. Eram pais que exigiam muito dos filhos no comportamento, no cuidado com a saúde e nos estudos.

Grávida de seu primeiro filho, a menina pensa em tudo o que os pais fizeram e ainda fazem por ela:

– Quanto trabalho eles tiveram!

Eles realmente educaram seus filhos. E isso não é fácil. Exige alto investimento de tempo, energia, dedicação, paciência. Tudo sem retorno garantido. Um trabalho feito para benefício do mundo, já que essas crianças preparadas com tanta dedicação e carinho logo se tornaram adultas e foram trilhar seus caminhos. Quando saíram de casa, estavam preparados, tinham a “cabeça feita”. Mesmo que os “amigos” provocassem: “Ah, como você é careta!”, os irmãos não mudavam de opinião, seguiam o que acreditavam, o que haviam aprendido. Nada de drogas, nem excessos alcoólicos (ok, talvez um ou dois porres em festas da universidade). As conversas sobre sexo seguro e maternidade/paternidade responsável foram as que renderam mais frutos. Aliás, não renderam. Os irmãos se tornaram adultos, formados em boas universidades, com bons empregos, bem casados e…sem filhos.

Os pais deles pediam:

– Ok, agora chega de tanto cuidado, queremos netos!

Mas os irmãos estavam munidos de muitas informações sobre o que é ter uma família. Tinham consciência da responsabilidade que é gerar uma vida. Todos ficaram anos planejando os filhos, em busca de mais preparo emocional e financeiro. Haviam aprendido com seus pais que o primeiro pensamento no momento da descoberta de um gravidez deve ser sempre:

– Que alegria!

E nunca:

– Que merda!

Algo que só é possível quando a criança é planejada e muito desejada. Loucos de vontade de ser avós, os pais dos irmãos já estavam quase arrependidos de tudo o que haviam ensinado sobre responsabilidade e controle de natalidade:

– Chega, queremos netos!

O pioneiro foi o caçula, seguido de perto pelos outros.  A menina adorava os sobrinhos, mas ainda não sentia-se preparada. Ela já havia encontrado o amor da sua vida  e juntos eles haviam decidido que um dia teriam um filho. Mas protelavam, sempre à espera do melhor momento, que não chegava nunca.  A cada dia surgia uma nova razão para adiarem a chegada do filho: precisavam de um carro melhor, um dos dois havia ficado desempregado, uma doença que exigia cirurgia e tratamento, a pós-graduação precisava ser concluída, a possibilidade de mudança de cidade no ano seguinte.

No fundo ela sabia que o problema era outro: medo de não ser uma boa mãe, de não estar pronta para assumir a responsabilidade de ter em suas mãos a vida de outra pessoa, o futuro de alguém, o poder de moldar um destino. Receio de não ser capaz de lidar com a intensidade do amor incondicional que invadiria a sua vida e a de seu companheiro. Ela tinha os melhores pais do mundo e sonhava em ser capaz de oferecer aquilo a seu filho também. E se falhasse?

O tempo foi passando, ela tinha agora 34 anos. Teria ficado tarde? Seria melhor deixar para lá?

Perguntas respondidas numa noite de verão. Haviam acabado de completar seis anos de casados, estavam deitados lado a lado, num daqueles momentos de total cumplicidade e ternura dos amores sãos. Ele falou:

– Vamos ter um filho.

Ela queria, mas…

– …as prestações da casa…e essa  crise mundial…tem uma ameaça de demissão no ar…e eu já tenho 34 anos..não ficou tarde demais?

Ele olhou bem para ela e não precisou usar palavras. No olhar dele estavam descritas todas as razões. Era a hora de calar a mente e deixar o coração falar. Havia amor, maturidade, união e uma casa espaçosa com um bom quintal. Vai dar certo! Seremos capazes! – eles disseram um ao outro, sem precisar abrir a boca.

E então veio o melhor da festa:  fazer o filho. Duas pessoas apaixonadas e concentradas numa missão cheia de amor. O melhor sexo da vida deles. Estavam adorando a perspectiva de passar algum tempo naquele divertido e prazeroso prTestePositivoojeto:

– Ah, nós vamos ficar alguns meses nisso, tentando fazer esse filho. Certeza!

Apenas duas semanas e meia depois ela descobriu que estava grávida e contou ao marido:

– Que alegria! – exclamaram juntos.

E viveram felizes para sempre. Nos meses seguintes a alegria foi  interrompida várias algumas vezes por crises de angústia, choro, gases, incertezas, insônia, cãimbras.

E jamais será possível escrever nesta história o tradicional “FIM” dos contos que começam com “ERA UMA VEZ..”, pois a maternidade/paternidade é uma aventura sem final, é um aprendizado que começa ainda quando os futuros papais são apenas meninas e meninos.

19 comentários 11/09/2009

Recado de uma bruxa

Reproduzo abaixo o texto enviado pela Madrasta do Texto Ruim, do blog Objetivando Disponibilizar, do qual sou leitora assídua (é, nem só de gravidez v Bruxaivem as grávidas). Não nos conhecemos pessoalmente. Um dia ela deixou uma mensagem aqui ou eu deixei uma mensagem lá, não sei, e assim começou a nossa troca de e-mails sobre os mais diversos assunto, inclusive gravidez. Há alguns dias ela deu à luz seu primeiro bruxinho filho e compartilhou comigo algumas descobertas que fez sobre amamentação. Pedi que escrevesse um post sobre o assunto, para publicar aqui no blog. Entre uma troca de fralda e um feitiço, ela atendeu ao meu pedido. Espero que o texto dela contribua para aumentar a discussão e o entendimento sobre o que é amamentar e o que é ser mãe. Boa leitura:

Amamentação – sem romantismos ou frescuras, por favor!

Saudações! Sou a madrasta do texto ruim. Dou consultoria contra amebas escreventes no meu caldeirão, o Objetivando Disponibilizar.  Gosto muito dessa menina Dona Grávida, viu? Ela escreve direitinho, o texto dela flui que é uma beleza, enfim, fomos muito com a cara uma da outra – muito embora tanto eu como ela sejamos apenas duas personagens coincidentemente encarnadas por duas grávidas, e nunca tenhamos nos visto pessoalmente. Vai entender… coisas de Internet, oras!

Por isso, eu me ofereci pra falar algumas verdades aqui no cantinho dela sobre amamentação. É que o meu feiticeirinho acabou de nascer, então eu vivi pela primeira vez a experiência da amamentação. E eu posso ser mãe e ex-grávida, mas burra eu não sou! E não suporto ser tratada como tal. (Já disse que sou uma bruxa? Não? Olha, eu sou uma bruxa, viu? E o meu humor é de bruxa, mesmo!)

Por isso, acho profundamente irritante ver um mundo e meio recitando aqueles lugares-comuns sobre amamentação que, de tanto entrarem na linha de produção de textinhos-padrão sobre o tema, já viraram quase um mantra. Senão, vejamos: o que você já leu sobre amamentação?

– é-muito-bom-para-o-bebê

– reforça-os-vínculos-entre-mãe-e-filho

– melhora-a-capacidade-de-aprendizado-da-criança

– desenvolve-a-estrutura-facial-do-seu-filhote

– ajuda-seu-organismo-a-voltar-ao-que-era-antes-da-gravidez

– faz-com-que blá-blá-blá whiskas sachet blá-blá-blá…

Poi Zé, grávidas leitoras deste blog. Tudo isso já foi dito. E tudo isso é BebeAbocanhaPeitoverdade.

Mas tem mais umas verdades que só resolvem te contar mais ou menos quando sua gestação já está no fim – e cuja realidade você sente bem na ponta do bico dos seus seios na hora da terceira ou quarta mamada.

É o seguinte: amamentação é um lance maravilhoso. Mas como tudo nesta vida, tem um lado bom e um lado ruim. O lado bom é o lado de um serzinho lindo, fofo, indefeso, que depende de você pra tudo na vida – limpar a bunda de cocô inclusive. Esse serzinho, por quem você vai se apaixonar enlouquecidamente assim que o conhecer, é dotado de uma força i-na-cre-di-tá-vel em suas gengivas. E o sistema de vácuo disponível em sua minúscula boquinha veda seu mamilo, almas, encostos, amebas e afins, e só devolve o seu mamilo pra você quando ele bem entender.

Se você não conseguiu captar a mensagem do parágrafo anterior, traduzo: o lado ruim da amamentação é todo seu, fófis!

A primeira vez que o seu filho lhe abocanhar o mamilo vai ser supertranquila. Afinal de contas, ele acabou de nascer, dá um desconto, né?

Mas no segundo dia de vida do seu filho, ainda na maternidade, você (mais precisamente o seu mamilo) vai descobrir o poder das gengivas recém-nascidas e a força do vácuo da boca do seu filhote. Nesse momento, você vai perguntar a Deus por que Ele não envolveu aquelas arredondadas e sensíveis regiões do seu marido no processo de amamentação. É nesse momento que você vai ter certeza de que Deus é um cara que pende pro lado dos homens (porque, convenhamos, não há nada mais prático do que fazer xixi de pé, sacudir e guardar as coisas depois, né?)

Ao sentir uma das maiores dores da sua vida e questionar as lamparinas do juízo de Deus, você vai (tentar) respirar fundo e vai repetir para si mesma: “Calma, calma, isso passa! Que nem na minha primeira vez! Doeu mas passou!”

Só que, ao contrário do seu hímen, o seu mamilo não vai embora. Ele fica. E não pense que o seu filho vai ser bonzinho contigo, ó mãe fresca, porque ele não vai. Ele vai travar aquelas gengivinhas poderosérrimas nos seus mamilos e vai lhe sugar o colostro, o leite, a vida, as idéias (esse acento vale até 2012), as forças…

No que o seu filhote lhe suga tudo, seu colostro vira leite. E você tem febre por conta disso. E o seu peito fica duro e dói todinho. Solução? Massageie os peitos! Massageie com força, principalmente onde estiver mais duro. E o seu peito dói mais ainda!

Nessa hora, você vai xingar o @#%#$%$%@#$@#$ que teve a @#$#$%@#$%@$% idéia de fazer da amamentação esse tormento. E, ao ver que o seu filho tá fazendo força demais e não consegue sugar todo o leite que precisa, e chora de fome, você vai se desesperar e chorar. E vai fazer toda a massagem que lhe for indicada, até o peito amaciar e seu filho conseguir voltar a mamar em você. Parabéns, você virou mãe! Vou lhe poupar daquela historinha de “padecer no paraíso”, outro lugar-comum que me dá nos nervos.

Para amenizar a dor, só há uma coisa que toda mulher de juízo e bom-senso deve incluir no kit do bebê: procure nas melhores casas do ramo por um troço que se chama protetor de mamilos, feito em silicone. Na minha humilde (/pedante) opinião, o cara que inventou essa engenhoca pode se candidatar a vice-Deus.

Como num passe de mágica, seus peitos não irão mais empedrar como dantes (com trocadilho, por favor – Dante, inferno… entendeu? ;o), seus pobres (e sofridos, e chupados, e mamados, e doloridos, e rachados) mamilos irão ficar protegidos (passe uma pomadinha de lanolina que indicam na maternidade pra ajudar, também) do atrito contra sutiãs e toalhas, e irão cicatrizar mais rápido.

Mas, como muito bem disse o meu pai, você que se dane! Quem importa agora é o seu filho, é ele quem tem todas as prioridades do mundo. Dane-se tudo, sua obrigação maior é alimentar e dar todo o sustento ao seu filho. Até porque, pelo menos pelos próximos seis meses você será mais vaca do que mulher (antes de protestar comigo por ter sido transformada em vaca, lembre-se que se você tiver muito leite vai ser convidada a se valer de um lance chamado “ordenha manual”. E agora, vai protestar?).

Pense assim, e os céus irão lhe recompensar após alguns dias de sofrimento: seus mamilos irão cicatrizar (com a ajuda da engenhoca do vice-Deus), seus peitos irão inchar e você conseguirá usar aqueles decotões liiiiindos, que só a Gisele Bündchen podia usar. Força no decote e na pomadinha de lanolina, e vamos em frente, companheiras neo-vacas!

Ah, sim! Seu filho também vai crescer forte, bonito, saudável, com o sistema imunológico fortalecido, etc, etc, etc…

40 comentários 03/09/2009

Isso é bobagem…

malas_sem_rodinhas

Malas sem rodinhas

Almoço de domingo. Grávida e sua mãe conversam sentadas na varanda, longe do tumulto dos adultos e da correria das crianças. Falam de tudo um pouco e acabam caindo no assunto do momento entre as duas: gravidez.

Filha: “Ai, mãe, tô engordando demais, você engordou assim nas gravidezes?”

Mãe: “Não engordei muito, não. Mas isso é bobagem…não se preocupe, você emagrece rapidinho depois do parto, principalmente se amamentar. Some tudo!”

Filha: “Ai, mãe, tô passando potes de creme e bebendo muita água que nem todo mundo ensinou, mas apareceram umas estrias logo acima do bumbum”

Mãe: “Não se importe com isso, amor…isso é bobagem…depois some tudo!”

Filha: “Ai, mãe, será que vou dar conta de amamentar? Quero tanto…Mas tenho medo de não saber fazer direito”

Mãe: “Filha, amor…isso é bobagem, você logo pega o jeito, é só fazer com amor e perseverança. Esse medo some…você vai ver..depois do parto, some tudo!”

Um dos primos se aproxima das duas, conversa um pouco e logo faz um trocadilho idiota com o nome escolhido para o bebê. Depois que ele se afasta, a mãe comenta:

“Isso é bobagem. Mas infelizmente, não some depois do parto” – (suspiro) – “Gente mala pra dar opinião, fazer piadinha e dizer asneira pra você sempre vai ter. Esse tipo de problema não some no final da gravidez”.

29 comentários 18/08/2009

Linda estrada sem fim

estradasemfimQuase nunca chego ao fim. É difícil terminar o que comecei. Foi assim com o curso de inglês e o scrapbook sobre a família. Perdi as contas de quantas vezes dei início à cruzada da Carteira Nacional de Habilitação: foi uma novela até finalmente chegar ao final do processo e conseguir meu direito de fazer barbeiragens dirigir. Aprender a costurar, Alemão, a ler mão, computação, artesanato,  piano, violão: habilidades que nunca desenvolvi completamente, abandonadas no altar. A Pós-Graduação também ficou pela metade.

E a organização das zilhares de fotos e vídeos armazenados no computador está nos planos há sete anos. A arrumação do closet que eu comecei há dois meses foi interrompida horas depois do início, quando encontrei uma caixinha cheia de bilhetinhos da época em que namorava meu marido. Passei horas lendo e me divertindo com aquelas bobagens românticas e quando vi já era noite. Deixei pra continuar a faxina no dia seguinte, mas nunca mais encontrei tempo e agora já está tudo bagunçado de novo.

Avalio o passado e constato que nunca completei um álbum de figurinhas.

Poucas coisas até hoje me proporcionaram o prazer de saber o que é chegar ao final do caminho: me formar em uma boa universidade foi uma delas. Comecei e terminei o curso de Graduação sem nunca ter pensado em abandoná-lo. (Bom..talvez uma vez ou duas, mas universidade pública enfrenta muitas greves e eu tinha só 17 anos!)  O meu trabalho também tem esse raro poder de me conduzir até o final. Quando estou envolvida com um projeto profissional,  tenho entusiasmo do começo ao fim, mesmo que o trabalho exija minha dedicação durante anos. (Pensando bem..já abandonei chefes saudosos ao encontrar um desafio maior à minha frente).

Nunca me senti presa a nada.

Meu casamento também tem sido um projeto a longo prazo, ao contrário dos namoros relâmpagos que tive antes. Mas confesso que no começo, ao me deparar com as meias jogadas pela sala e a sogra sentada no sofá dando palpites, pensei encerrar o compromisso antes do prazo (o prazo vocês sabem, está decretado no contrato, naquela cláusula do “até que a morte os separe”), mas o amor imenso que sinto (e o preço que os cartórios cobram pra consumar o divórcio) me fez voltar atrás.

Ser mãe é o primeiro projeto fora do âmbito profissional que vou levar até o final. E esse final é: nunca! Me dei conta disso ontem, durante o banho, quando olhei para a barriga (a minha, claro!)  e senti um princípio de pânico e, em seguida, uma imensa gratidão,  ao perceber que desta vez não dá para desistir no meio do caminho. Não tem volta, não tem fim. Filho é para sempre. Aliás, é para além de sempre. Eterno é pouco. Infinito é ínfimo. Filho é muito mais e nem inventaram ainda uma unidade de medida adequada para mensurar essa relação.

Mães e pais iludidos sobre seus sentimentos acabam descobrindo tarde demais que é impossível interromper esse projeto. Abortar, abandonar o bebê em algum lugar, entregá-lo para adoção, rejeitá-lo, tratá-lo mal, expulsar o filho adolescente de casa, fingir que ele não existe, nada disso vai eliminar da vida de uma pessoa o fato de que ela é mãe ou pai. É um vínculo mais forte que o aço, mais resistente que a morte. Não há distância que possa destrui-lo, não há palavra que consiga sufocá-lo. Ainda que os filhos partam, mesmo que os anos passem. Até quando o amor parece ter desaparecido ou nunca existido. A experiência de ser pai e mãe permanece, seja na memória ou no coração.

Saí do banho renovada e murmurei agradecida para a minha barriga: Obrigada, meu filho, por mudar esse hábito que eu não gostava em mim, por me ensinar a ir até o final, a não desistir. Por fazer de mim uma pessoa melhor, de quem eu gosto muito mais agora. Por me fazer tão feliz e por ser eternamente parte de mim.

30 comentários 14/08/2009

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