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A piscina de dentro e a piscina de fora (da série Sem Medo de Perguntar)

Até uma grávida com a cabeça totalmente desparafusada consegue responder esta:

– Onde é, onde é? Que a baleia fica mais feliz?

– Na água!

Inchada, engordada, pés deformados, encalorada e abandonada (ai, drama!) como estou, a piscina virou meu habitat natural. De vez em quando encalho lá dentro e não consigo subir a escadinha para sair. Daí chamo o guindaste marido pra me içar ou empurrar. Ou as duas coisas. Aqui faz muito calor e o excesso de tecido adiposo (também conhecido como GORDURA)  me deixa mais quente ainda. É como se tivessem ligado o forno do mundo e eu estivesse sozinha lá dentro, sendo tostada.

Só na piscina a sensações de inchaço, peso e calor desaparecem. Dentro d´água consigo fazer movimentos que são impossíveis do lado de fora (caminhar sem parecer uma marreca, por exemplo), então me sinto muito bem, como se estivesse leve novamente.  Me sinto uma verdadeira sereia Ariel (se bem que tô mais pra peixe-boi, mesmo, honestamente).  Às vezes não faço nada, só me enrosco na bóia e fico deitada de barriga pra cima olhando o céu e conversando com o bebê. “Nada aí dentro, que eu nado aqui fora, filhote. Faz nada aí, que eu faço nada aqui. Filho de peixe, peixinho é. Só não dá salto mortal triplo de novo pra não acertar a costela da mamãe outra vez.”

A água diminui a ansiedade, o inchaço e ajuda a passar o tempo. Se está sol, aproveito para bronzear os mamilos para ajudar na amamentação, conforme ensinou minha médica. O lado ruim é que abre ainda mais o apetite. O lado bom é que a piscina é ótima desculpa pra comer mais.

Interessante que quando resolvemos engravidar, meu marido e eu decidimos primeiro que seria legal trocar o apertamento por uma casa grande, com quintal e piscina. Mas não estávamos pensando na gente. Ok, mentira, não somos tãooooo paternais assim, pensamos na gente também, é claro. Mas nosso objetivo principal foi proporcionar ao nosso filho uma infância tão boa quanto à nossa: com espaço para correr, brincar, andar de bicicleta. Tá certo que a piscina da nossa infância era o tanque de lavar roupas. Em casa tinha um daqueles redondos, enormes, do tipo que não fabricam mais. Minha mãe enchia até o topo e meus irmãos e eu fazíamos revezamento pra brincar dentro da água. Havia também um dia ou outro em que a mangueira d´água era liberada por alguns minutos e a gente fazia uma festa no quintal. Depois finalmente compraram uma piscininha de plástico, que era mais apertada do que quitinete japonesa, mas na época a gente aproveitava como se fosse uma piscina olímpica

O que eu não imaginava ao mudar para cá é que meu filho passaria tanto tempo dentro da piscina antes mesmo de nascer. Só assim para suportar os últimos dias da gravidez. Sem exagero. Quando entro lá, não quero mais sair. Por isso fiquei aflita quando a Dri Viaro chamou a atenção para uma questão: e se a bolsa estourar enquanto estou dentro da piscina? Não vou perceber que o líquido escorreu e colocarei a vida do meu filho em risco? Para piorar, essa dúvida surgiu num dia em que eu havia sentido uma pontada na virilha (parecia cólica menstrual) pouco antes de entrar na água. E o bebê ficou bem menos agitado depois que saí da piscina. Aí fiquei encafifada: será que a bolsa rompeu lá dentro da piscina? Será que aquela pontada era a bolsa?

Comentei sobre isso com meu marido e ele decretou: não entra mais na piscina. Claro, concordei imediatamente. Melhor derreter a tarde toda no sofá do que não ter paz dentro da piscina. Mas então comecei a raciocinar (é, de vez em quando ainda pega no tranco) e a me perguntar: se a piscina é perigosa, por que a médica não proibiu a hidroginástica? Afinal, a bolsa pode romper na hora da hidro também.

A melhor coisa a fazer nessas horas é ligar para a médica, mesmo correndo o risco de pagar mais um mico grávido. Quando ela atendeu, já fui me defendendo explicando:

Olha, doutora, não sei se é dúvida de marinheira de primeira viagem, é que eu senti uma pontada e aí me falaram isso, de que a bolsa pode romper e eu não vou sentir…

Depois de ouvir o meu relato, ela respondeu calma e didaticamente (como sempre) que não havia perigo. Para o meu alívio (e dos meus deformados pés grávidos) a piscina está liberada (desde que haja sempre um guindaste por perto).  Ela disse que mesmo que a bolsa rompa lá dentro, quando eu sair da piscina vou continuar sentindo o líquido escorrer, morninho, diferente de tudo. E que as pontadas agora nesta fase final são normais. Acrescentou que não vai haver dor. “A bolsa vai estourar e pronto”. Então aquela dor não foi a bolsa. Hmmmm….

Pedi desculpa por ter ligado pra perguntar algo assim, mas já que ela estava ali tãoooo disponível e didática, aproveitei para fazer outra pergunta-de-primeira-viagem:

– Depois que a bolsa rompe, o bebê continua mexendo ou fica quietinho? Ele está um pouco mais quietinho desde ontem.

– O bebê continua mexendo normalmente. Se ele ficar muito quieto, coma alguma coisa doce, deite de barriga pra cima e espere. Se não houver movimento nenhum na próxima meia hora, me ligue ou vá direto para a emergência fazer um exame.

Amo essa médica! Libera os mergulhos e ainda manda eu comer doce. É o mundo perfeito desta grávida aqui: leve e solta dentro da piscina enquanto saboreio uma bomba de chocolate.  Ué, só adaptei as ordens médicas!

23 comentários 19/11/2009

Por todos os buracos

RemediosGravidaChegaram milhares dezenas de emails, bilhetes, tuitadas, torpedos, scraps e sinais de fumaça com a mesma pergunta que não quer calar: qual é o nome do bendito fitoterápico que desentupiu meu  fiofó (não sabe do que estou falando? Leia aqui). Aviso aos navegantes da web: sou contra a auto-medicação, principalmente na gravidez. Mesmo um composto natural pode ser perigoso. Cada caso é um caso e o que faz bem para um pode fazer mal para o outro. Por isso: não tomem remédio (nem mesmo fitoterápico) sem o conhecimento do obstetra! O nome do medicamento indicado pela minha médica  é PlantaBem: uma caixa com 30 envelopes custa cerca de R$ 50 aqui.  Tomo o conteúdo de um envelope após cada uma das três principais refeições do dia .

Esse é só um dos compromissos medicamentosos da minha rotina. Sempre tive resistência a tomar remédios e não imaginava que justamente na gravidez me tornaria uma espécie de hipocondríaca, ainda que contra minha vontade. Ao longo da gravidez a conta da farmácia só fez aumentar e tomar todos os buracos do meu corpo grávido.

Pelo buraco da boca:

Primeiro veio o ácido fólico. Receitado pela médica no dia em que anunciei que pretendia engravidar. Um comprimidinho uma vez por dia. Ela disse que suspenderia o uso após o primeiro trimestre de gravidez, mas após o sangramento, decidiu mantê-lo até o final da gestação.

Depois veio a cápsula de polivitamínico. É uma pílula grande. Uma vez por dia também.

Pelo buraco da área de lazer:

Depois do sangramento, a médica receitou uma cápsula de hormônio (progesterona) todas as noites, antes de dormir. Não tem aplicador, nem nada. Pego o comprimidinho gelatinoso com a mão, enfio na vagina e empurro com o dedo, o mais fundo possível. Não se iluda, a coisa não é divertida como pode parecer. Depois o corpo absorve o que interessa e passa o resto do dia seguinte jogando fora o que não foi aproveitado (uma gosminha branca, meio leitosa, que parece corrimento, mas na verdade é o revestimento da cápsula gelatinosa). Ou seja: ao contrário do que eu pensava, a gravidez não serviu para eu me livrar dos absorventes.

Pelo buraco do fiofó:

Uma pomada que alivia os problemas e dores causados pelas hemorroidas. A caixa do medicamento vem com bisnaguinhas e aplicadores individuais. O paciente deve introduzir o aplicador no c* e apertar a bisnaguinha até que toda a pomada tenha entrado no fiofó. Agora imagina fazer isso com uma só mão,  se contorcendo de um jeito que não machuque a barrigona e tentando evitar que a pomada meleque tudo à sua volta. Diversão garantida.

Efeito Dominó

De acordo com a bula e a médica, a vitamina e o ácido fólico contribuíram para a prisão de ventre, o que ocasionou hemorroidas e, consequentemente, a necessidade de mais medicamentos (o fitoterápico regulador de intestino e a pomadinha no fiofó).

Se uma coisa leva a outra, nem quero imaginar que tipo de remédio logo terei de enfiar pelo nariz, o único buraco poupado até agora nesta gravidez.

Pois pelos buracos dos ouvidos já entrou cada droga: conselhos inúteis, críticas, histórias pavorosas de partos dolorosos e de bebês que tiveram cólicas todas as madrugas dos primeiros três meses de vida. Mas isso foi antes de eu descobrir o filtro gestacional.

22 comentários 07/11/2009

Grávida é ímã de criança birrenta

birraBebês deveriam vir com manual de instruções. Do tipo que acompanha um CD-Rom explicativo, que agregaria ainda exemplos sonoros de variedades de choros, para auxiliar pais de primeira viagem a entender o que os pequenos querem quando abrem o berreiro. Um dos capítulos que mais me interessariam no manual seria,  sem dúvida, o que explicasse o porquê das birras e me ensinasse uma fórmula eficiente para lidar com elas e eliminá-las. Desde que fiquei grávida parece que virei ímã de criança birrenta. Elas estão por toda parte. Nas filas dos cinemas, nas farmácias, nas ruas, nos estacionamentos dos shoppings, nas pracinhas e sorveterias. Algumas delas são fortemente atraídas até a minha casa e fazem seu show no meu quintal ou na minha sala, para o desespero das minhas cunhadas e amigas. Geralmente a birra das crianças delas acontece no momento em que elas estão me ensinando TU-DO sobre a maternidade. Afinal, sou grávida de primeira viagem e tenho muito a aprender com as experientes mamães que me cercam.

Mas é supermercado que acontecem os piores encontros com crianças birrentas. Sempre que empurro vagarosamente o carrinho lotado de coisas saudáveis (vai acreditando…) pelos corredores, acabo dando de cara com pelo menos uma situação assustadora.  Na maioria das vezes os pequenos terroristas estão jogados no chão e gritam-berram-grunhem coisas como “eu queeeeroooo!” e até “teeee odeeeeioooo” para pais atônitos e visivelmente envergonhados. Meu primeiro pensamento é “tomara que meu filho não seja assim!“. Mas no fundo eu sei que preciso estar preparada, pois dificilmente escaparei de uma experiência como essa.

Antes de engravidar, CONFESSO, julguei algum desses pais. “Que mulher mole, por que não dá logo uma bronca no filho?”, “Olha que absurdo, a criança dominando o adulto e conseguindo o seu precioso pacote de biscoito recheado”. Depois que fiquei grávida adotei a regra: não julgue o que não conhece. É que foi aí que entendi que não devemos cuspir pra cima, pois pode cair no nosso olho.

Não encontrei o tal precioso manual de instruções, mas achei algo muito próximo do meu sonho de consumo: uma lista com dicas incríveis sobre como lidar com situações de birra. Já salvei e guardei aqui no computador, pois sei que poderão ser bem úteis num futuro não muito distante.  As dicas estão no blog O Astronauta, da Flavia. Uma leitura recomendada para papais, mamães e afins.

13 comentários 04/11/2009

Sem saída (o caso do fiofó entupido)

cadeadoSabe aqueles comerciais de TV que mostram iogurtes, suplementos naturais, benzedeiras e talismãs que prometem “um intestino que funciona como um relógio”? Sempre me causaram um misto de angústia, alegria e descrençaAngústia pela vergonha alheia que sentia ao ver atores, diretores e outros profissionais envolvidos na cômica e difícil tarefa de vender um produto que garante ao consumidor a certeza de cagar com hora marcada.

Alegria pelas risadas que algumas propagandas conseguiam provocar em mim – e em outros telespectadores, bem sei – ao apresentar o assunto. Como o tema é, digamos, assim…meio “preso”, fazem de tudo para tratá-lo com humor e a coisa acaba ficando meio ridícula.

Descrença na eficácia do produto e na existência de gente tão entupida e desesperada quanto aqueles atores mostrados nas propagandas. Não dava pra acreditar que alguém realmente tivesse tanta dificuldade para sentar lá no vaso sanitário, abrir o desktop, esvaziar a lixeira e clicar na descarga. A não ser que fosse algum sujeito com uma grave doença no intestino, o que não justificaria tomar litros de iogurte, mas sim procurar um médico.

Paguei minha língua. E paguei com o c*. Se eu acreditasse em castigo divino ou na lenda de que algumas pessoas tem poder de rogar pragas nas outras, explicaria de forma esotérica o meu fiofó entupido a partir da 30.a semana de gestação.  Não que antes da gravidez eu fosse o tal “reloginho” da propaganda, mas “cagar ou não cagar” nunca foi “eis a questão” na minha vida. Era tão normal quanto tomar água ou puxar o freio de mão ao estacionar o carro. Coisa mecânica do dia a dia, que eu fazia sem prestar atenção. Bem diz o ditado que a gente só dá valor ao que tem depois que perde. E o poder de dar uma boa cagada antes de ir dormir é algo que a gente precisa valorizar, gente amiga!

Desconhecia a importância do assunto. Se ri dos entupidos, se zoei as propagandas de laxantes e iogurtes milagrosos, foi por pura ignorância. Só agora, aos 35 anos de experiência cagona (que começou com mecônios tímidos na década de 70, nas fraldinhas de pano que mamãe lavava) me dou conta de como o assunto “intestino” é constrangedor para a maioria das pessoas, inclusive para mim. Ao lavar o fiofó, senti com as pontas dos dedos que havia alguns carocinhos naquela área. Imagina o susto.

Passei um dia angustiada com aquilo, queria ligar pra médica mas não sabia por onde começar a explicação. Então procurei a ajuda da pessoa que melhor me conhece: por dentro e por fora. Por cima e por baixo. Na frente e atrás. Da perseguida ao fiofó. Aliás, ela até já havia passado talquinho no meu bumbum, antes da prática ser condenada, lá nos tempos dos alfinetes gigantes:

“Tô com bolinhas no c*, falei pra minha mãe.

Alívio quando mamãe sabe-tudo explicou que era normal. Pânico quando ela engatou no papel de enciclopédia materna e deu nome pra´quele fenômeno: “São hemorróidas, algumas mulheres tem isso na gravidez. Eu mesma tive, mas sumiram depois do parto”. Mais pânico quando ela disse que em alguns casos a coisa complica e uma prima havia até passado por uma cirurgia pra resolver o problema.  Imaginei num futuro não muito distante meu destino de humilhação:  uma sala de cirurgia, minha bunda pelada, arreganhada e erguida e um bando de médicos costurando meu fiofó. Pânico master blaster.

gravidabanheiroMas nem assim consegui ligar pra médica. Mamãe aconselhou e eu aumentei a ingestão de fibras e água. Comprei litros do tal iogurte que prometia desentupir minha saída. Nada adiantou. Uma semana depois tive consulta com a obstetra e fiquei surpresa com a minha dificuldade em falar do assunto. Aquela mulher já havia me visto pelada, já havia enfiado até a mão na minha vagina, daqui a algum tempo vai trazer meu filho ao mundo… e eu ali com vergonha de falar que tinha uns carocinhos no fiofó. Parecia que a garganta ( não o c*) estava entupida. Tá certo que o fiofó é feinho demais, tadinho. E faz um serviço que não cheira nada bem. Mas o assunto era importante, eu sentia dor e aquela situação estava atrapalhando minha vida. Mesmo assim a reclamação não saía. Dei algumas voltas até conseguir chegar ao assunto e falei baixinho, olhando para o lado:

– Acho que estou com uns…umas…é….alguma coisa…lá…(comicamente apontei para trás com o dedão) sabe… minha mãe falou que é normal, que ela teve, que sarou depois, que chamam de…é…acho que é…são …ahn…hemorróidas.

Achei que a notícia teria um impacto tremendo sobre a médica. Fiquei esperando uma mexida incomodada na cadeira ou uma pigarreada para disfarçar o constrangimento.

Sangra?

Lembra o pânico mega blaster? Foi promovido a chefe e demitiu todos os meus pudores:

– Essa porcaria pode sangrar, doutora????

Depois de um verdadeiro tratado sobre o que são hemorróidas, o tratamento, as possíveis complicações e a necessidade de manter o fiofó em ordem para a hora do parto normal, a médica prescreveu um medicamento fitoterápico para auxiliar no funcionamento do intestino e uma pomadinha que deve ser aplicada no fiofó toda noite, antes de dormir. Tudo de uso permitido na gravidez.

Meio sem graça, entreguei a receita médica ao marido. Um gentleman. Não fez perguntas. Mas deixou claro que estava por dentro do problema na saída do esgoto: junto com os remédios, trouxe também ameixas, aveia e mamão para a casa.

O fitoterápico fez efeito quase imediato e eu voltei a sorrir e a cantar. DesentupidaPassei a ver o mundo com outros olhos se é que você me entende.

Não dou mais risada dos comerciais de tv. Fico emocionada com eles, num sentimento de solidariedade aos que enfrentam congestionamentos gigantescos e horas eternas e suadas no banheiro. E um viva às ameixas! Hip hip hurra!!

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Saiba mais sobre o assunto no site do Dr. Drauzio Varella

28 comentários 01/11/2009

Não sou uma grávida alienígena

Tive um certo receio de publicar o post anterior (sobre minhas encanações e limitações na hora do sexo). Achei que seria apedrejada. Daí pensei: “sou anônima mesmo, vão jogar pedra no vazio”. Tem sido um alívio ler os comentários. Quantas mulheres passam e passaram (passarinho e passarão) por situações parecidas! Depois de ver (ler) a reação da maioria, me senti menos só, menos alienígena, anormal, esquisita, freak. Obrigada a todas (os) pela sinceridade!

20 comentários 23/10/2009

Método de alargamento para o parto natural

Que fique claro que isso foi ANTES da travada. Aliás, bem antes (ou seja, não foi isso que causou a dor na coluna). Na cama, num momento raro de sexo selvagem durante a gravidez (lá pelo final do 7.o mês de gestação), eu de barrigão para cima e meu marido em cima, todo empolgado numa performance que quase me fez esquecer minhas formas atuais. Tentando me sentir pelo menos um pouco sexy, fixei bem o olhar no rosto lindo do meu marido e procurei não abaixar os olhos para o meu corpo.

Lembra de como você sempre achou uma delícia fazer isso. Concentra em como esse homem é gostoso e apaixonado por você. Finja que não tem uma barriga enorme, dois peitos soltando colostro e um par de pães pés inchados. Ignora suas toneladas a mais,mulher.  Aproveita!Vai saber quando é que vocês vão ter tempo e ânimo pra isso depois que o bebê nascer e a vida for uma sequência de noites mal-dormidas, fraldas sujas e visitas ao pediatra.

Já tinha acatado a ordem da sexóloga Marta Suplicy e estava no maior clima “Relaxa e Goza”, aproveitando cada momento do rala e rola com o maridão, quando senti um chute bem no meio da barriga e uma cabeçada na altura da bexiga. Instintivamente olhei para a barriga.

(Sabe nos filmes e desenhos animados, quando tem alguém no alto de um prédio ou penhasco e dizem para não olhar para baixo? Daí a personagem olha para baixo, é tomada pelo medo e acaba despencando? Foi mais ou menos assim.)

Olhei para baixo e houve um efeito especial instantâneo: sumiu música, desapareceu tesão, perdi o rumo. A cada cutucada do bebê, menos vontade eu tinha. E o bebê não parava de mexer. Meu umbigo subia e descia como se fosse um balão sendo inflado e esvaziado. Marido percebeu, é claro, e perguntou se estava tudo bem.

Apontei o calombo na barriga, ele riu (sem parar o que estava fazendo).

– Será que ele tá sentindo alguma coisa?

– Deve estar gostando do balanço, né?  – respondi.

– É isso aí, filhão. Aprenda com o papai! Já vai nascer sabendo das coisas.

Depois de uma conversa dessas, quem é que continuaria o sexo como se nada tivesse acontecido?

Resposta óbvia: um homem, é claro.

Eu já tinha perdido o interesse, só conseguia prestar atenção nos movimentos do bebê, que parecia ainda mais empolgado depois do papo com o pai. Marido percebeu:

– Não quer mais? Quer que eu pare?

– Ah, eu não consigo me concentrar com o bebê chutando assim…

– Se você quiser eu posso continuar. Assim vou alargando tudo aqui embaixo pra facilitar quando o bebê for sair.

Aí foi o fim, né? Comecei a rir, ele riu mais ainda, deitou do meu lado e foi aquela gozação. Mas não no sentido sexual da palavra.

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Sexo na gravidez

-> A não ser que haja alguma razão específica, os médicos liberam o sexo durante toda a gravidez. Alguns podem recomendar que não haja relação sexual a partir do oitavo mês, mas isso varia.

-> Algumas grávidas tem muita vontade de fazer sexo. Outras perdem totalmente o interesse. Isso também varia. O que não varia é a mania que as grávidas ninfomaníacas tem de ficar falando sobre como ficaram taradas durante a gestação.

-> Até uma certa fase, a posição de “conchinha”, com papai e mamãe deitados lado a lado (papai atrás da mamãe) é muito confortável. Depois o barrigão pode incomodar. Papais com braços fortes conseguem ficar por cima até o final da gestação (mas precisam ser realmente sarados, pois precisam apoiar todo o peso em seus braços, para não apertar a barriga da mamãe). Outra posição possível é a mamãe por cima, esmagando o papai (é ótima, pois assim papai tem a chance de descobrir como é que a mamãe normalmente se sente e decide fazer um regime).

-> Os médicos dizem que um pouquinho de sangramento ou dor após a relação é normal.

27 comentários 20/10/2009

Cem gramas II, a missão

exercicioContinuo a divagar sobre o post Cem gramas (ou a Dança da Balança):

Quando engravidei pesava 60 kg. Não era nenhuma top model, mas as poucas gordurinhas estavam bem distribuídas. Tinha barriga tanquinho, coxas torneadas, bumbum sarado. Treze quilos a mais (e cem gramas…não vamos esquecer dos cem gramas!) em sete meses têm uma consequência direta e dolorida nas pernas, na circulação e nos ossinhos de uma vertebrada acostumada a carregar bem menos peso. Sem falar na falta de equilíbrio (emocional e físico).

Para me defender das broncas da médica (que esperava que eu engordasse 12 kg em 9 meses), desenvolvi muitas teorias e apresentei algumas para a minha obstetra-puxadora-de-orelha-de-grávidas-gordinhas.

>>> Pausa para um adendo

Tenho uma teoria sobre a obstetra também. Esbelta magrela como é, certamente ela tem raiva das pessoas carnudas e gostosinhas como eu. Aposto que sempre sonhou em ter estas coxas de mulher-melancia (melancia um tantinho “passada”, é verdade), estes peitos bovinos (existe vaquinos?) e esta anca de rinoceronte. Então a gente não pode levar muito a sério quando ela dá bronca por conta de inocentes quatro quilinhos (e cem gramas) a mais em um mês. Pessoa vingativa que é, ela dá bronca, critica a alimentação desta grávida esfomeada e ainda levanta suspeitas de doenças graves como diabetes gestacional falta de vergonha na cara.

A boa notícia é que a primeira foi descartada após a realização de um sádico exame durante o qual a vítima grávida  ingere um pote de açúcar e depois é furada seguidamente. A má notícia é que a segunda doença (falta de vergonha) não tem cura. Então meu acesso à sorveteria continua liberado. Já estou estudando com meus advogados um processo por danos morais e alimentícios contra o dono da sorveteria, um dos culpados pelos meus três quilos a mais no sexto mês de gestação e pelos quatro quilos (e cem gramas) a mais no sétimo mês. Se ganharmos a causa, vamos receber o pagamento todo em banana split.

Fim da pausa para o adendo<<<

Enfim, desenvolvi algumas teorias para justificar as mudanças estruturais (também conhecidas como “aumento rápido da gordura localizada” ou “como me tornei uma rolha de poço”) durante a gravidez:

1)  Projeto Arquitetônico

Sou muito “miudinha”. Ombros pequenos, cintura muito fina (acho que deveria ter escrito que eu era muito miudinha), pouco bumbum. De repente, este corpo miúdo deu de cara com a grata missão de gerar, alimentar e carregar um menino que, segundo os exames já mostraram, deve nascer com um peso e uma altura acima da “média”. Como esse trabalho está sendo realizado na região do abdômen, é natural que o corpo providencie um alargamento das bases (coxas, bundas, pernas e pés) da estrutura. Afinal, não é preciso ser um Niemeyer para entender que a base precisa ser proporcionalmente forte para suportar o peso que é colocado sobre ela. Então o que alguns chamam de gordura excessiva, eu prefiro(arquitetalmente falando) chamar de Processo de Ampliação da Base do Sistema Gestacional.

>> (A magra obstetra riu dessa teoria, mas acho que foi pra disfarçar o fato de que ela não entende nada sobre projetos arquitetônicos)

MulherPolvo

-2) Ritmo lento

Sempre fui muito dinâmica. Pessoa-polvo mesmo. Fazia mil coisas ao mesmo tempo. Trabalhava o dia todo, estudava e cuidava da casa. Conseguia, simultaneamente, passar roupa, falar ao telefone, estruturar um novo projeto no computador, cozinhar feijão, matar um pernilongo, depilar as pernas, tirar as cutículas, reclamar do calor, assistir à televisão, criticar os impostos (deixem minha poupança em paz) e monitorar a máquina de lavar roupa. Além disso, fazia caminhada e natação. Quando engravidei, a médica profetizou: deitarás e gerarás. Viu? Tudo culpa daquela magrela invejosa, de novo! Durante os três primeiros meses de gravidez, por sugestão dela, reduzi o ritmo. Não corri, não pulei, não passei rodo no chão da casa. Parei com os exercícios, ingeri vitaminas e ácido fólico. Os primeiros três meses da gestação são os mais frágeis, descanse e observe sua barriga crescer, disse a médica. Foi o que eu fiz. Deitei no sofá com um bom livro e alguns excelentes dvds e curti. Não! Ela não tinha orientado algo do tipo “aproveite que está em casa e abra a geladeira de meia em meio hora para atacar o pudim de leite condensado, o sorvete de manga e o leite gelado com cereal de chocolate”. Isso foi ideia minha! Mas é preciso frisar que em nenhum momento ela deixou claro que isso poderia ser prejudicial, ela nunca disse algo do tipo: “fique longe do sorvete de manga!”

Então eu pergunto: na minha inocência de grávida de primeira viagem, como eu poderia saber que aquelas doces criaturas que moravam na geladeira eram na verdade seres malignos dotados do poder de inchar coxas e bundas?

No final das 12 semanas de gestação, quando finalmente eu pretendia retomar as atividades cotidianas e cansativas como caminhada no parque e pilhas de roupas para passar, houve um sangramento e a médica recomendou repouso absoluto. Friso novamente que ela agiu de má fé ao não me avisar que repouso absoluto na casa da minha mãe significaria quinze dias deitada sendo cevada com os meus quitutes favoritos preparados pela melhor chef do mundo.

>> (Essa teoria também não convenceu minha cética e invejosa médica. Ela argumentou que eu engordei pouco nos primeiros quatro meses. O ganho de peso excessivo só foi registrado a partir do quinto mês, quando eu já havia retomado minhas atividades normais e iniciara a prática de exercícios físicos)

3) Exercício físico aumenta a fome

O argumento da médica em relação à minha segunda teoria abriu meus olhos. Claro: foi justamente quando comecei a fazer hidroginástica que meu apetite aumentou drasticamente e passei a engordar sem pudor (como se outrora tivesse tido algum). Fala aí: quem é que nunca ouviu dizer que atividade na água dá fome? Viu? Culpa da médica mais uma vez. Lá veio ela, envolta em seu modelito ajustado à cintura tamaho 38, dizer que seria ótimo se eu fizesse hidroginástica. Fui para a água pular que nem um peixe-boi peixe-vaca na Piracema, nadando contra a corrente, só pra exercitar todo músculo… e o que aconteceu? Fome triplicada. Em vez de “comer por dois”, depois das aulas passei a comer por três:  por mim, pelo bebê e pela professora de hidro, outra magricela vingativa que me faz andar de um lado para o outro na piscina durante quarenta minutos, sob berros de“mais rápido, mais força, ânimo”.

>> (Nem tive coragem de apresentar essa teoria à médica. Ainda resta alguma vergonha nesta carinha rechonchuda).

DietaSorvete4) Fui vítima de um complô!

Não tive enjoo, nem azia, nem vômitos. Todas essas coisas desagradáveis que impedem a grávida de comer. O que eu tive desde o início, e tenho até hoje, foi fome. Muita fome. Disfarçadas de amigas, mãe, cunhadas e sogra, as cúmplices da minha médica esquelética ficavam (e ainda estão aqui) à minha volta repetindo mantras gestacionais:

– você não está gorda, está grávida!

– você precisa comer por dois!

– depois que o bebê nascer você “perde” tudo rapidinho!

Conclusões do caso:

1)Fora de cogitação fazer dieta durante a gravidez, né? Meu bebê está forte e saudável graças à minha dedicação em nutri-lo diariamente com frutas, legumes, arroz integral, cereais, leite, sorvete, pudins, pães, empadinhas, esfirras e outros suprimentos calóricos. O jeito é seguir com a dieta, pois não posso modificá-la agora. Isso poderia causar um trauma grave no bebê. Ele pode decidir chutar meu estômago com muita força cada vez que eu me recusar a comer um danoninho ou um flan de chocolate.

2) Lá no início da gravidez, quando a médica disse que eu poderia/deveria engordar uns 12 kg no total durante toda a gestação, eu pensei:

– Gente, essa mulher é demais! Cheia de diplomas, super ocupada, profissional dedicada, e ainda encontrou tempo para desenvolver seu talento como comediante.

agora descobri que ela não estava contando piada.

bebefortesaudavel

4)A médica se revelou boa pessoa ao me tranquilizar. Minha maior preocupação com o excesso de peso era prejudicar o bebê ou a hora do parto.  Mas a obstetra garantiu que os quilos a mais não interferem em nada. Sem falar que minha pressão está sempre baixa. Meu bebê está saudável, perfeito e muito serelepe (mexe o tempo todo!!) e isso é o mais importante para mim. Então: tô nem aí, tô nem aí, tô nem aí…

41 comentários 06/10/2009

Treinamento para futuros papais e mamães

PreparadoParaIssoRecebi por e-mail antes de engravidar e divido com vocês:

EXERCÍCIOS PRÁTICOS PARA TREINAMENTO DE FUTURAS MAMÃES E FUTUROS PAPAIS

1. Vestindo a roupinha
Compre um polvo vivo de bom tamanho. Vá vestindo a criatura,sem machucá-la, nesta ordem: fraldas, blusinha, macaquinho,casaquinho, sapatinhos e touquinha. Converse com o polvo bem baixinho enquanto o veste. Não é permitido amarrar os tentáculos. Tempo de execução da tarefa: uma manhã inteira.
2. Tomando sopinha
Faça um buraquinho num melão, pendure o melão no teto com um barbante comprido e balance-o vigorosamente. Agora tente enfiar a colherinha com a sopa no buraquinho. Levante a mão mantendo a colher cheia e aproxime-a do melão como se a colher fosse um aviãozinho. Não é permitido gritar. Insista até ter enfiado pelo menos metade da sopa pelo buraquinho. Limpe o melão, limpe o chão, limpe as paredes, limpe o teto, limpe os móveis à volta. Tempo para execução da tarefa: uma tarde inteira.
3. Passeando na pracinha
Vá para a pracinha mais próxima e sente-se em um dos bancos. Levante-se, agache-se e pegue uma bituca de cigarro. Atire longe a bituca, dizendo com firmeza: NÃO. Sente-se outra vez. Levante-se, agache-se e pegue um palito de picolé sujo. Atire longe o palito, dizendo com firmeza: NÃO. Sente-se outra vez. Levante-se, agache-se e pegue um papel de bala. Atire longe o papel de bala, dizendo com firmeza: NÃO. Sente-se outra vez. Faça isso com todas as porcarias que encontrar no chão da pracinha. Os mais rígidos em matéria de educação deverão levar apressadamente cada porcaria encontrada à lixeira mais próxima antes de se sentar. Tempo para execução: o dia inteiro.
4. Passando a noite com o bebê
Pegue um saco de arroz de 5 Kg e passeie pela casa com ele no colo das 20 às 21 horas. Deite o saco de arroz. Às 22h pegue novamente o saco e passeie com ele até as 23h. Deite o saco e vá se deitar.Levante à 1h30 e passeie com o saco até às 2:h. Deite o saco e você. Levante às 2h15 e vá ver a sessão corujão porque não consegue mais pegar no sono.Deite às 3h. Levante às 3h30, pegue o saco de arroz e passeie com ele até as 4h15. Deite de novo. (Cuidado paTreinantera não usar o saco como travesseiro). Levante às 6h e pratique o exercício de alimentar o melão. É permitido chorar. Freqüência: pelo menos 3 vezes por semana.

5. Repita tudo o que disser pelo menos cinco vezes.
6. Repita a palavra NÃO a cada 10 minutos, fazendo o gesto com o dedo indicador.
7. Destaque uma parcela significativa do seu orçamento e não ouse tocar nela; destina-se ao leite em pó, às frutinhas, às fraldas, aos brinquedos, às roupinhas…
8. Não transe, não vá ao cinema, não beba, não saia com amigos.
9. Faça os exercícios durante uma semana, descanse um dia e recomece. Faça então durante duas semanas, descanse um dia e recomece. Vá progressivamente aumentando o número de semanas.
10. Nem cogite enlouquecer.

Quantos bebês mesmo você dizia que gostaria de ter???

17 comentários 04/10/2009

Cem gramas

InimigaMortal

Tirei essa foto aí acima na última consulta com a obstetra, há duas semanas. Hoje  a coisa deve estar certamente está bem pior – e mais pesada. Foi assustador ver esses números no visor da balança. Um mês antes ele havia mostrado quatro quilos a menos! Na mesma hora, desconfiada das reais intenções daquela balança sacana, perguntei em voz alta:

– Como é que pode uma pessoa engordar quatro quilos em um mês? E treze quilos em sete meses?

Ela respondeu aumentando cem gramas depois da vírgula. Inaceitável! Ladra! Bandida! Cretina! Dei um passinho bem curto para trás e o “dois” virou “um” novamente.  Como é que eu vou confiar numa balança que aumenta cem gramas quando a gente muda de lugar enquanto está em cima dela? Em vez de confiar, tentei usar aquilo a meu favor. Fiquei dançando sobre a balança pra pra ver se conseguia diminuir um pouco mais o peso denunciado pelo visor. Tentando encontrar um ponto que tirasse pelo menos um quilo. Mas ela só ía de 73,1 kg para 73,2 kg. E vice-versa. Ai, ser monótono! Só parei com aquele arrasta-pé ridículo em cima do aparelho quando me dei conta que havia uma grávida atrás de mim, esperando sua vez de enfrentar nossa inimiga mensal. Fui egoísta e não dividi com ela minha descoberta sobre a falha que permitia reduzir até 100 gramas. Não quis correr o risco de ser a única a levar bronca da obstetra (de novo!) naquele dia.

25 comentários 30/09/2009

Parto em partes

Há meses só penso nele. Já passei noites em claro por não conseguir parar de imaginar os detalhes, os sons, cheiros, movimentos. Leio sobre ele, converso com todo mundo sobre ele. Aguardo sua chegada com ansiedade. Quando será? De madrugada? À noite? No meio do almoço? Vai doer ? (ah, essa resposta eu sei: vai, vai doer muito) Vou chorar? (essa resposta eu também sei).

O parto.

No início da gravidez ele era um tema secundário. Mas conforme a barriga foi crescendo, o parto ganhou espaço na minha lista de assuntos preferidos e ultimamente lidera o ranking da ansiedade.

Li e ouvi todo tipo de coisa sobre todo tipo de parto. Relatos tristes, dolorosos e assustadores. Histórias lindas, tranquilas e inspiradoras.  Algumas ajudam a decidir o que ainda não foi definido e colaboram para eu me preparar para esse momento tão especial e, ao mesmo tempo, tão desconhecido. Outras me oprimem e fazem tudo parecer mais difícil.

Sinto  medo e ao mesmo tempo estou curiosa e ansiosa. Como  tivesse sido acordada no meio da noite por um som distante. Então caminho na penumbra, sozinha,  por esse corredor silencioso. Não sei mais se despertei mesmo ou se ainda estou sonhando. No fim do corredor meu futuro me espera. Tantas pessoas já seguiram por aqui e me contaram como é. Mas nenhum final foi igual ao outro. São histórias parecidas, mas totalmente diferentes. E elas não eram como eu sou. Não há como prever o final da minha caminhada. Não caio na armadilha de fazer comparações. Somos seres únicos e cada linha da nossa história é escrita com uma tinta inimitável. As diferenças não nos tornam melhores ou piores, mas nos fazem singulares.

O medo do desconhecido acena para mim durante todo o trajeto. Isso me assusta  e me fascina. Será totalmente diferente de tudo o que já fiz na vida. Tenho medo do que terei de enfrentar. Mas não quero (e nem tenho como) voltar.

Sigo em frente. Transpiro coragem e medo. Sou frágil e valente. Volto a ser menina e me emociono como somente as crianças são capazes de fazer. Deixo a imaginação me carregar, mas mantenho meus adultos pés no chão. Somos muitas mulheres em uma só, que caminha na direção de uma nova e definitiva identidade: mãe. No final do corredor todas nós seremos fundidas nesse novo e mágico ser, dotado de poderes especiais. Passo a passo me aproximo da minha verdade. Raras vezes o medo me faz desejar ir mais devagar. Já a ansiedade me apressa e atormenta: os ponteiros não se movem. O corredor parece ainda maior. A sombra do medo disputa espaço com as luzes da fé e do amor.

Serei capaz? Qual o melhor caminho? Como será depois?

As dúvidas se dividem e multiplicam num louco balé, como células. Algumas se agarram aos meus cabelos, sobem pelas minhas pernas, se enroscam na minha garganta. Numa batalha cansativa e necessária – que me fortalece – esmago uma a uma. Mas outra surgem e o combate nunca termina. Uma luta gratificante que me transforma passo a passo.

Me aproximo aos poucos do momento em que vou parir meu filho e minha vida vai parir a mãe que meu filho gerou. Quando chegar lá, descobrirei enfim o segredo universal do amor.

16 comentários 28/09/2009

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