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Muito exercício depois daquela pizza

gravidabalanca5Tudo que é proibido é mais gostoso. Por isso que os três pedaços de pizza que comi ontem tinham um sabor di-vi-no. Depois de ser chamada de GORDA pelo chefe nerd, passei a sexta-feira concentrada em não comer nada muito calórico.  Mas isso me deu mais fome e mais vontade de comer tranqueirada. Rolou açaí, pizza e até chocolate (que eu não havia comido desde o início da gestação).

Já tentou fazer uma auto-proibição? Não dá certo. Funciona exatamente ao contrário. É que nem quando a gente não quer pensar numa pessoa. Aí é que a imagem da pessoa não sai da nossa cabeça. Ou quando a gente odeia uma música e a porcaria gruda que nem chiclete e fica tocando dentro no nosso cérebro, como se tivesse um ipod instalado no hipotálamo, ligado no repeat this song forever.

Ontem estava chateada, me achando enorme e não queria comer coisas calóricas. Foi aí que deu uma vontade insuportável de comer carboidratos e doces. Não resisti muito, por que sabe como é…desejo de grávida, o bebê poderia nascer com cara de manjericão se eu não comesse pizza…enfim, aquele problema de sempre. Comi muito e fiquei com peso na consciência.. Precisaria andar de ponta cabeça, plantando bananeira (se fosse capaz de algo assim)  de tão pesada que a consciência ficou depois daquele ataque de comilança.

Mas antes de dormir prometi a mim mesma que hoje faria bastante exercício gravidacompraspara gastar todas aquelas calorias de ontem. Por isso acordei cedo, tomei banho, vesti meu kit grávida (calça confortável, bata larguinha e sapatos de salto baixinho) e fui bater perna no shopping e fazer compras no supermercado. Tem exercício mais completo que esse? A gente anda, sobe escada (óquêi, é mintchura, por que tem escada rolante), faz levantamento de peso (tá pensando que é fácil carregar aquelas sacolas) e ainda aproveita pra fazer pesquisa in loco de como as grávidas são tratadas por esse mundão afora.

smiley5Estou pensando em montar um ranking de atendimento à gestante nos supermercados e lojas de departamentos que visito. Hoje passei também por pequenas lojas do shopping, mas é algo muito local,  não vou citá-las. Vou falar das grandes redes. Filas preferenciais testadas até agora:


smiley3Supermercado Tome Leve – foi tão mal no teste que mereceu até um post só pra contar o sufoco (clique aqui pra ler o post).  Além de não passarem no teste, os responsáveis pelo supermercado ainda ignoraram um e-mail que enviei para reclamar do mau atendimento. Nunca recebi resposta.

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Carrefour – Fiquei encantada por que eles tem uma fila EXCLUSIVA para gestantes, idosos, gente com crianças de colo e deficientes. Entendeu a diferença? Ela não é preferencial. Mesmo que não tenha ninguém na fila, a caixa não pode atender ninguém que não se encaixe no perfil exclusivo. Ganharam pontos positivos também por que a moça do caixa foi uma fofa, bateu papo, riu das minhas piadas sem graça e não fez cara feia quando errei a senha (depois que engravidei esse negócio de lembrar senha tá cada dia mais difícil). Mas perderam pontos por que o ar condicionado estava desligado e naquele dia fazia uns 40 graus à sombra. Tava um bafo lá dentro. Eu comprei metade do que precisava por que não aguentei ficar na loja.

smiley3Americanas – foi hoje o teste, num dos shoppings aqui da minha cidade. Eu já havia andado muito e estava cansadíssima. Doía tudo: pernas, costas, barriga. Aí vi aquela fila imensa, naquele formato que eu acho que é padrão das Americanas: uma fila única, estreita, cercada por estandes cheios de produtos supérfluos (chocolates, balas, biscoitos, brinquedinhos made in China, etc.). A gestante é obrigada a “furar fila” se quiser fazer valer sua preferência. Não consigo fazer isso. É uma situação desagradável. Aquele monte de gente em pé, de saco cheio de esperar…daí chega a gostosona aqui,vai abrindo espaço, empurrando todo mundo com a barriga para chegar lááááááá na frente da fila? Esperei a minha vez com os não-grávidos (entre eles idosos, gente com criança e tal). Só dois caixas estavam atendendo. Imagina  a lentidão. É óbvio que o caixa preferencial (ou exclusivo, que é melhor ainda) deveria ser separado, para não obrigar a gestante (idosos, etc.) a aguentar a cara feia de quem está na fila.

smiley1Wal-Mart – foi hoje o teste também (viu como eu fiz exercício???). Aprovadíssimo por que coloca até cadeiras na entrada da fila preferencial! Cla-la-ro que sentei numa delas ao lado de um simpático idoso e um pai que carregava seu primeiro filho no colo, um menino lindo de 9 meses. O problema é que na nossa frente havia um casal (eles tinham entre 50 e 53 anos de idade, no máximo) com uma compra imensa. Não pareciam idosos, grávidos, deficientes. E não tinham criança de colo. Mas a caixa atendeu os dois sem questionar o que faziam ali. Só não reclamei por que estava confortavelmente instalada numa cadeira e entretida com o menininho do meu vizinho de fila.

11 comentários 20/06/2009

Fila preferencial para barrigudos

barrigaÉ hora do rush no supermercado em dia de promoção de leite e cerveja.  A movimentação dentro da loja é repleta de perigos e ameaças inesperadas. Cotovelos, carrinhos e cestinhas vêm em direção à minha barriga. Enquanto protejo meu frágil pacotinho interno com o braço ou desvio heroicamente dos golpes, imagino que isso daria um videogame daqueles bem polêmicos, como os que ensinam a atropelar as pessoas. Pontos para o adolescente, ele consegue acertar as minhas costas.

Depois de pegar todas as coisas essenciais para a felicidade de uma grávida (danone, leite, frutas, legumes, verduras, sucos, creme contra estrias, sucrilhos e um pote de nutella) rumo para a última parte do desafio: conseguir sair do supermercado. As filas são imensas e cada consumidor tem um carrinho abarroado para chamar de seu. Vai demorar.  De longe vislumbro apenas três pessoas na fila preferencial. Não completei três meses de gestação ainda e a barriguinha parece mais desleixo de mulher sedentária do que resultado de uma noite sem camisinha.

Fico sem graça de entrar na fila preferencial. Podem pensar que estou fingindo a gravidez pra aproveitar, penso. Ah, mas venho aqui pelo menos uma vez por semana, eles vão ver a barriga crescer e vão se roer de remorsos por terem pensado mal de uma grávida, decido, em ritmo de vingança futura. Por sorte está muito calor e estou usando um vestido velhinho de malha que marca bem o abdomen. Estufo a barriga para garantir pelo menos mais um mês de gestão e empurro meu carrinho corajosamente até a fila preferencial.

É fim de dia, estou cansada, as costas e as pernas doem. É um alívio estar aqui e não na imensa fila ao lado. No começo da ‘minha’ fila,  uma senhora grisalha leva apenas  fubá,  algumas maçãs e um pacote de macarrão numa cestinha.  A compra dela vai passar rápido. Atrás dela um homem de uns 70 anos ou mais leva um carrinho quase cheio. Isso é hora de fazer compra do mês?

Atrás dele – logo à minha frente – um homem de cerca de 40 anos ou menos também tem um carrinho abarrotado: cerveja, petiscos, queijo, pão e outras guloseimas. Encaro bem o sujeito e ele me encara de volta. Então levo meus olhos vagarosamente até à plaquinha bem na frente dele, onde está muito bem explicadinho que ali é um lugar preferencial para idosos, deficientes, pessoas com crianças de colo e gestantes. Fizeram até desenhos, pra garantir que todo mundo entenda o recado. Ele acompanha meu olhar, visualiza a plaquinha, me olha de volta e não diz nada. Grrrr…isso por que eu, que SOU gestante, estava com vergonha de vir pra MINHA fila. É o cúmulo da cara de pau. Olho para a plaquinha e me vejo: lá estou eu desenhada, uma barrigudona em traços de azul. Bom, não sou eu ainda. Mas serei, em breve. Por enquanto sou apenas uma barrigudinha.

Fuzilo novamente o homem com o olhar, na esperança de que ele perceba que, além de grávida, minha compra é muito menor. Mas ele não se mexe. Vejo então o gerente da loja vindo em nossa direção. Não conheço o cara pessoalmente, mas o vejo sempre pra lá e pra cá no supermercado, dando ordens e broncas. Ahá, agora você vai ver o que é bom pra tosse, seu bebedor de cerveja e comedor de queijo. O gerente se aproxima e aperta demoradamente a mão do ladrão de lugar na fila preferencial. Marco Antônio, como vai? E aí, hein, o Ronaldo tá salvando vocês! Eles trocam algumas palavras no dialeto masculino futebolístico e o gerente vai embora, depois de dar uma olhada curiosa pra minha barriga. Marco Antônio, com o aval do manda-chuva do lugar, passa suas compras lentamente pelo caixa, paga com o cartão de crédito e vai embora tranquilamente, sem que nenhuma sirene toque.

Pergunto para a moça do caixa: de quantos meses de gravidez aquele cara que acabou de passar aqui está? Ela ri e não diz nada. Pergunto se ela não tem orientação pra avisar que a fila é preferencial. Tenho, mas tinha pouca gente na fila, não tem problema quando é assim. Seguro o pote de Nutella na mão quando ouço isso e penso em arremessar na sorridente funcionária do supermercado e depois colocar a culpa nos hormônios. Me controlo. É, meu bem, só que eu sou gestante e ele estava na minha frente, isso parece um problema pra mim, retruco. Mas ela dá de ombros! Pago minhas compras e ao chegar ao  estacionamento, vejo Marco Antônio encostado em um carro, tomando uma ecerveja  conversando com outro sujeito.

Só aí, ao visualizar Marco Antônio de perfil é que me dou conta da injustiça que cometi. Ele certamente está muito mais grávido que eu, a julgar pelo tamanho da barriga que carrega. Uma pança de pelo menos oito meses de gestação.

9 comentários 13/05/2009

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