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Sem saída (o caso do fiofó entupido)

cadeadoSabe aqueles comerciais de TV que mostram iogurtes, suplementos naturais, benzedeiras e talismãs que prometem “um intestino que funciona como um relógio”? Sempre me causaram um misto de angústia, alegria e descrençaAngústia pela vergonha alheia que sentia ao ver atores, diretores e outros profissionais envolvidos na cômica e difícil tarefa de vender um produto que garante ao consumidor a certeza de cagar com hora marcada.

Alegria pelas risadas que algumas propagandas conseguiam provocar em mim – e em outros telespectadores, bem sei – ao apresentar o assunto. Como o tema é, digamos, assim…meio “preso”, fazem de tudo para tratá-lo com humor e a coisa acaba ficando meio ridícula.

Descrença na eficácia do produto e na existência de gente tão entupida e desesperada quanto aqueles atores mostrados nas propagandas. Não dava pra acreditar que alguém realmente tivesse tanta dificuldade para sentar lá no vaso sanitário, abrir o desktop, esvaziar a lixeira e clicar na descarga. A não ser que fosse algum sujeito com uma grave doença no intestino, o que não justificaria tomar litros de iogurte, mas sim procurar um médico.

Paguei minha língua. E paguei com o c*. Se eu acreditasse em castigo divino ou na lenda de que algumas pessoas tem poder de rogar pragas nas outras, explicaria de forma esotérica o meu fiofó entupido a partir da 30.a semana de gestação.  Não que antes da gravidez eu fosse o tal “reloginho” da propaganda, mas “cagar ou não cagar” nunca foi “eis a questão” na minha vida. Era tão normal quanto tomar água ou puxar o freio de mão ao estacionar o carro. Coisa mecânica do dia a dia, que eu fazia sem prestar atenção. Bem diz o ditado que a gente só dá valor ao que tem depois que perde. E o poder de dar uma boa cagada antes de ir dormir é algo que a gente precisa valorizar, gente amiga!

Desconhecia a importância do assunto. Se ri dos entupidos, se zoei as propagandas de laxantes e iogurtes milagrosos, foi por pura ignorância. Só agora, aos 35 anos de experiência cagona (que começou com mecônios tímidos na década de 70, nas fraldinhas de pano que mamãe lavava) me dou conta de como o assunto “intestino” é constrangedor para a maioria das pessoas, inclusive para mim. Ao lavar o fiofó, senti com as pontas dos dedos que havia alguns carocinhos naquela área. Imagina o susto.

Passei um dia angustiada com aquilo, queria ligar pra médica mas não sabia por onde começar a explicação. Então procurei a ajuda da pessoa que melhor me conhece: por dentro e por fora. Por cima e por baixo. Na frente e atrás. Da perseguida ao fiofó. Aliás, ela até já havia passado talquinho no meu bumbum, antes da prática ser condenada, lá nos tempos dos alfinetes gigantes:

“Tô com bolinhas no c*, falei pra minha mãe.

Alívio quando mamãe sabe-tudo explicou que era normal. Pânico quando ela engatou no papel de enciclopédia materna e deu nome pra´quele fenômeno: “São hemorróidas, algumas mulheres tem isso na gravidez. Eu mesma tive, mas sumiram depois do parto”. Mais pânico quando ela disse que em alguns casos a coisa complica e uma prima havia até passado por uma cirurgia pra resolver o problema.  Imaginei num futuro não muito distante meu destino de humilhação:  uma sala de cirurgia, minha bunda pelada, arreganhada e erguida e um bando de médicos costurando meu fiofó. Pânico master blaster.

gravidabanheiroMas nem assim consegui ligar pra médica. Mamãe aconselhou e eu aumentei a ingestão de fibras e água. Comprei litros do tal iogurte que prometia desentupir minha saída. Nada adiantou. Uma semana depois tive consulta com a obstetra e fiquei surpresa com a minha dificuldade em falar do assunto. Aquela mulher já havia me visto pelada, já havia enfiado até a mão na minha vagina, daqui a algum tempo vai trazer meu filho ao mundo… e eu ali com vergonha de falar que tinha uns carocinhos no fiofó. Parecia que a garganta ( não o c*) estava entupida. Tá certo que o fiofó é feinho demais, tadinho. E faz um serviço que não cheira nada bem. Mas o assunto era importante, eu sentia dor e aquela situação estava atrapalhando minha vida. Mesmo assim a reclamação não saía. Dei algumas voltas até conseguir chegar ao assunto e falei baixinho, olhando para o lado:

– Acho que estou com uns…umas…é….alguma coisa…lá…(comicamente apontei para trás com o dedão) sabe… minha mãe falou que é normal, que ela teve, que sarou depois, que chamam de…é…acho que é…são …ahn…hemorróidas.

Achei que a notícia teria um impacto tremendo sobre a médica. Fiquei esperando uma mexida incomodada na cadeira ou uma pigarreada para disfarçar o constrangimento.

Sangra?

Lembra o pânico mega blaster? Foi promovido a chefe e demitiu todos os meus pudores:

– Essa porcaria pode sangrar, doutora????

Depois de um verdadeiro tratado sobre o que são hemorróidas, o tratamento, as possíveis complicações e a necessidade de manter o fiofó em ordem para a hora do parto normal, a médica prescreveu um medicamento fitoterápico para auxiliar no funcionamento do intestino e uma pomadinha que deve ser aplicada no fiofó toda noite, antes de dormir. Tudo de uso permitido na gravidez.

Meio sem graça, entreguei a receita médica ao marido. Um gentleman. Não fez perguntas. Mas deixou claro que estava por dentro do problema na saída do esgoto: junto com os remédios, trouxe também ameixas, aveia e mamão para a casa.

O fitoterápico fez efeito quase imediato e eu voltei a sorrir e a cantar. DesentupidaPassei a ver o mundo com outros olhos se é que você me entende.

Não dou mais risada dos comerciais de tv. Fico emocionada com eles, num sentimento de solidariedade aos que enfrentam congestionamentos gigantescos e horas eternas e suadas no banheiro. E um viva às ameixas! Hip hip hurra!!

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Saiba mais sobre o assunto no site do Dr. Drauzio Varella

28 comentários 01/11/2009

Cem gramas

InimigaMortal

Tirei essa foto aí acima na última consulta com a obstetra, há duas semanas. Hoje  a coisa deve estar certamente está bem pior – e mais pesada. Foi assustador ver esses números no visor da balança. Um mês antes ele havia mostrado quatro quilos a menos! Na mesma hora, desconfiada das reais intenções daquela balança sacana, perguntei em voz alta:

– Como é que pode uma pessoa engordar quatro quilos em um mês? E treze quilos em sete meses?

Ela respondeu aumentando cem gramas depois da vírgula. Inaceitável! Ladra! Bandida! Cretina! Dei um passinho bem curto para trás e o “dois” virou “um” novamente.  Como é que eu vou confiar numa balança que aumenta cem gramas quando a gente muda de lugar enquanto está em cima dela? Em vez de confiar, tentei usar aquilo a meu favor. Fiquei dançando sobre a balança pra pra ver se conseguia diminuir um pouco mais o peso denunciado pelo visor. Tentando encontrar um ponto que tirasse pelo menos um quilo. Mas ela só ía de 73,1 kg para 73,2 kg. E vice-versa. Ai, ser monótono! Só parei com aquele arrasta-pé ridículo em cima do aparelho quando me dei conta que havia uma grávida atrás de mim, esperando sua vez de enfrentar nossa inimiga mensal. Fui egoísta e não dividi com ela minha descoberta sobre a falha que permitia reduzir até 100 gramas. Não quis correr o risco de ser a única a levar bronca da obstetra (de novo!) naquele dia.

25 comentários 30/09/2009

Troca-se: conselhos por fraldas

blablablaSe em vez de conselhos as pessoas me dessem pacotes de fraldas, ajudariam muito mais. Vou lançar a campanha: “poupe seu conselho e em vez dele me dê um pacote de fraldas”. Fraldas são mais úteis. Mas como conselho é mais barato, melhor ir acostumando com a idéia de que todo mundo à minha volta vai contribuir com pelo menos um. Dizem que piora depois que o nenê nasce. Afinal, todo brasileiro é técnico de futebol. E toda brasileira é pediatra. A Letícia, do blog Mamie Bella, traduziu em palavras o que tenho experimentado em sensações desde que engravidei. Então lá vai um conselho para você, amiga grávida: vale a pena ler o que a Letícia escreveu.  Clique aqui para ir lá se aconselhar sobre conselhos.

2 comentários 25/06/2009

História de uma ogra grávida

Já que o assunto esta semana é o Filtro Gestacional Para Ouvidos Grávidos, vou contar uma história que uma amiga, M,  me contou. Como quem conta um conto aumenta um ponto, posso ter melhorado ou piorado um pouco. Mas foi basicamente isso o que aconteceu:

fionaograG (vou usar só as iniciais dos nomes para preservar a grávida e também a coitadinha da minha amiga, que pode acabar levando uns sopapos se a ogra descobrir que ela botou a história na internet) é uma mulher que não costuma ter papas na língua. Ela fala o que pensa, faz o que quer, tem um jeito nada delicado de agir. Uma verdadeira ogra.  G é um trabuco ambulante (palavras da minha amiga, M,  que foi quem me contou a história).  Para ser mais fidedigna, revelo que M usou a seguinte expressão para definir G: “Namorada do Shrek é Hello Kitty perto dela”.

Casada, grávida de seu primeiro filho, G começou a sentir os efeitos poderosos da barriga sobre os demais mortais e questionou M: “Amiga, me explica uma coisa: por que grávidas são tratadas como marcianas, como seres ultraespeciais? Algum bicho deve ter me picado, as pessoas estão tão cor-de-rosa comigo, eu não sei o que eu fiz a Deus para merecer isso!”

Pausa para reflexão: Quem não gosta de receber sorrisos de desconhecidos na rua o tempo todo, nem de ser alvo de delicadezas inesperadas, não pode engravidar. Grávidas atraem essas coisas! E isso acontece por que a barriga chega primeiro que a grávida, então as pessoas veem (agora não tem mais acento, né?)  a barriga primeiro, entendeu? Sim, estão sorrindo para a barriga, não para a grávida. É mais fácil entender o que acontece se a gente pensar na vida depois do nascimento do bebê. O carrinho vai na frente, então as pessoas vão olhar lá dentro e sorrir para o bebê. Vai parecer que estão sorrindo para o carrinho. É a mesma coisa agora. Estão sorrindo para o bebê. É que essa gente toda veio de Krypton (planeta natal do Superman) e tem visão de raio-x. Eles veem o bebê sorrindo dentro da barriga e devolvem o gracejo. Bom, é só uma teoria que eu desenvolvi recentemente.

Well… de volta às vacas magras, ou melhor, às ogras grávidas. Um dia G entrou no reduto das profissionais do ramo quando o assunto é irritar uma grávida: uma loja de artigos para gestantes e bebês.

“Tenho medo dessas vendedoras, elas são de outro planeta! Vão me abduzir! Elas são tão melosas que chegam a enjoar a gente, credo!”, já pensou G, logo de cara, ao ser bombardeada com o questionário básico:

– Está de quantos meses?

– É menino ou menina?

– Já escolheu o nome?

Ela respondeu a todas as perguntas com até considerável paciência, meio que acuada pela revoada de frufruzinhas (não sei bem o que é isso, foi o termo que M usou para descrever as melosas vendedoras).

E então veio a fatídica:

– PARTO NORMAL OU CESARIANA?

Por inexperiência, ingenuidade, ou simplesmente por que seu lado Rambo estava louco pra entrar numa briga,  ela caiu na cilada e acendeu a polêmica ao responder ( secamente, como era praxe no seu jeito ogro de ser):

– Vou fazer cesária.

Claro que ela ouviu imediatamente um:

– Aaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh, não! Parto normal é muito melhor porque blablablablablabla…

– Sim, sim, eu entendo, mas eu vou fazer cesária – respondeu. Seca, direta, objetiva, ameaçadora, mas ainda com algum nível de paciência e educação (adjetivos raros quando se trata de G, talvez a gravidez tenha deixado essa mulher mais doce, mais suave..quem sabe. Ok, impossível, gravidez não faz milagre.)

Sem saber o perigo que corria, a insistente vendedora continuou seu discurso:

– Mas o parto normal é melhor porque blablablablabla…

– OK. – G respirou profundamente.  Mas eu vou fazer cesária.

– Mas como pode? O parto normal blablablablabla

Palavras de G: “Respondi educadamente SETE VEZES que eu preferia a cesariana. Quando a mala insistiu pela oitava vez na história do parto normal, eu virei pra ela e gritei:

– PORRA, A BUC&@#$#$%$%@ É MINHA, CAR@#%#$%# “.

Em seguida, diante de vendedoras e clientes perplexos, G virou e foi embora. Sem comprar nada. Se ela tivesse ficado por lá, aposto que teria ouvido uma vozinha delicada e melosa justificar o ataque de indelicadeza daquela grávida estranha, meio “macha” mesmo: “Devem ser os hormônios, tadinha”. Afinal, todo bom vendedor sabe que o cliente tem sempre razão!

14 comentários 10/06/2009

Segredo de grávida

segredo2Dá para contar nos meus dedos quantas pessoas sabem da minha gravidez, que já já vai completar 16 semanas (4 meses). Tá bom..tá bom…vamos incluir em “meus dedos” os dedinhos do bebê também, que são meus por direito, já que ele mora sem pagar aluguel. Usocapião. Mas antes do primeiro ultrassom, apenas meu marido e eu sabíamos. Bom, na verdade minha mãe também sabia, mas meu marido não sabia que minha mãe sabia por que se não ele iria exigir que a gente contasse para a mãe dele também. Para não perder tempo tentando explicar que não dá para esconder um segredo desses de uma mãe como a minha — que tem GPS de última geração acoplado a radares ultrassônicos que nem a NASA tem ainda — preferi contar uma mentirinha saudável para o maridão, salvar o casamento e escapar da mágoa eterna da minha mãe. Ok. Confesso que no fundo queria mesmo é me livrar por mais uns dias dos comentários assustadores da sogra. 

Só depois do primeiro ultrassom contamos para os parentes mais chegados: irmãos, cunhados, avós, SOGRA, pais (contamos de novo para a minha mãe, que merecia um Oscar ao fingir surpresa e alegria com a inesperada notícia! Hollywood não sabe o talento que tá perdendo!). A partir daí começamos a precisar dos dedinhos do bebê que -Graças a Deus – já estavam bem formadinhos, como revelou a segunda ultrassonografia. Por que um segredo deixa de ser segredo quando a gente conta pra UMA pessoa. Imagina se a gente conta pra uma dúzia de linguarudos.

Mesmo assim, para minha surpresa, os amigos ainda não sabem de nada. Nem no trabalho do meu marido, nem no meu (trabalho em casa e converso com a chefia por telefone e internet, o que facilita as coisas).  Agora vai ficar meio difícil esconder, por que a barriga aumentou de uma hora pra outra. Sem brincadeira. Acordei barriguda hoje e percebi que não dá mais para dizer que é culpa do chope do happy hour de sexta-feira.

Por que tanto segredo?

segredo1Quando contar e para quem contar é uma decisão que cabe ao casal. Mas essa regra depende muito do casal. Aqui, como sempre,  decidi tudo sozinha e em seguida comuniquei a regra. Ainda amecei: se você falar pra alguém, eu nego.  Tem gente que acha isso loucura, tem amigo que vai fica magoado para todo o sempre (espero que o todo sempre acabe antes do dia de me visitar e trazer fraldas de presente), mas não tô nem aí. A barriga é minha.

Já pensava em agir assim, quando ficasse grávida. Mas um acontecimento reforçou minha decisão. Senta que lá vem história: era uma vez, uma mocinha que trabalhava comigo e era louca pra casar e engravidar. Um dia ela desencalhou e uma semana depois chegou toda saltitante no escritório, anunciando aos quatro ventos “Estou grááááávida”. Foi cercada pela mulherada em idade fértil (a maioria encalhada também), afundada em abraços, beijinhos, parabéns, parabéns.  Quando finalmente o tufão de congratulações acabou, perguntei: de quantas semanas você está? A moça respondeu: Ah, duas semanas, no máximo. Acabei de fazer o teste da farmácia. Deixa eu ligar pra marcar horário com a médica.

Fiquei pasma. Ela nem tinha certeza se estava grávida, só tinha feito o teste da farmácia! Mas disfarcei, como manda a regra do bom convívio social.

Fez exames, confirmou a gestação, tudo lindo, maravilhoso. Duas semanas depois ela não apareceu pra trabalhar.  Sentava na cadeira ao meu lado, senti a falta, liguei na casa dela. Chorava tanto, tadinha:

Perdi o bebê. 

Lamentei, consolei, desejei mil coisas boas. Fiquei muito triste. Sabia o quanto ela sonhava com aquele bebê. A vida não era justa. Não comentei com ninguém sobre aquilo. Dias depois, ainda meio abatida, ela voltou para o trabalho. Sentou ao meu lado aos prantos. Do portão de entrada até chegar à mesa dela, perdeu as contas de quantas pessoas sorridentes ela decepcionou. Vinha todo mundo ávido, tacava a mão na barriga dela e disparava frases feitas: E o bebê? Tá comendo por dois? Como tá a gravidinha mais linda do escritório?

A cada dois passos ela tinha de parar, ouvir o gracejo e responder: perdi o bebê. Ela tinha voltado para o escritório na esperança de enfiar a cabeça no trabalho e por alguns instantes parar de pensar no que tinha acontecido.  Ela queria esquecer. Mas todos faziam questão de lembrá-la de que a gravidez não tinha dado certo. Ninguém tinha culpa,  claro. As pessoas não estavam sendo insensíves. Elas simplesmente não sabiam. Mas não acredito que teria sido muito diferente se soubessem. As pessoas iriam falar sobre o assunto com ela, de qualquer jeito, tentando consolar alguém que estava inconsolável.

Enfim. Depois disso, decidi que se ficasse grávida, só contaria para todo mundo depois de algum tempo. Se algo desse errado, haveria menos gente para me lançar olhares de pena. Também seria um jeito de fugir dos conselhos por alguns meses, já que todo brasileiro é obstetra e pediatra.

Depois que um teste de farmácia confirmou minha gravidez, fui à uma consulta com minha ginecologista. Ela pediu vários exames e aconselhou: “Deixe para contar sobre a gravidez para os outros depois do terceiro mês, se você conseguir guardar segredo. O primeiro trimestre é muito frágil e grávida precisa de tranquilidade. Acredite: quanto menos gente souber, mais tranquilidade você terá.” Saí até meio assustada de lá. Jisus Craisti, será que essa doutora lê pensamentos? Vai ver faz ultrassom da cabeça da gente.  Adorei ter minha decisão endossada por uma especialista do ramo. Fechei a boca (pra falar da gravidez, cla-ro, por que pra comer…jisus..não ficou fechada nenhum segundo desde o início da gestação).

Há 15 dias, quando levei um baita susto e pensei que tinha perdido o bebê, fiquei grata por não ter falado da gravidez para muita gente. Estava muito frágil e abalada. Não aguentaria o telefone tocando e uma romaria de amigos curiosos lá na casa dos meus pais. Sem falar nos comentários totalmente sem propósito. Tem gente que fala cada uma nessas horas! Só a família sabia e mesmo assim tive que escutar coisas do tipo:

– Se perder esse, você faz outro. ( Ah é, só pegar outro na prateleira, né?)

– Fica calma. A amiga da prima da minha vizinha teve sangramentos a gestação inteira, passou os nove meses deitada, só levantava pra ir ao banheiro, mas teve um bebê lindo. Você vai conseguir! (isso que é consolo, né?)

– Isso aí aconteceu por que você levou aquele susto com a panela de pressão. (ai Jisus, por que eu fui contar isso?)

Ah, normal, isso aí faz parte (isso veio de uma cunhada, suuuuper preocupada com meu bem estar, que só falou comigo 15 dias depois do ocorrido, pelo telefone)

– Viu? Você não come carne vermelha, é nisso que dá! (nem foi um pecuarista que disse isso..)

Aconteceu assim:

 Minha colega de trabalho ficou grávida menos de um ano depois. Teve um menino. Ele é lindo e danado. Ela está quase surtando com as coisas que ele apronta. Dessa vez ela não contou pra ninguém.Só depois do terceiro trimestre.

Dá vontade de gritar sobre a gravidez aos quatro ventos. De contar pra todo mundo. Na fila do supermercado, no ponto de ônibus, na rua. Pra matar essa vontade, criei este blog, entrei em vários fóruns sobre gravidez,  criei uma conta no Twitter. Fiz vários amigos e amigas “grávidos” que nem me conhecem, mas torcem por mim. Uma delícia!

Não estou dizendo pra ninguém fazer o que eu fiz. Cada um sabe a dor e a delícia de ser a grávida que é.  Tem gente que conta sobre a gestação até antes de engravidar. Hoje eu vou dar pro meu marido pra ver se a gente engravida, tô no dia fértil. E no fim dá tudo certo (exceto algumas vezes, quando esse tipo de comunicado pode soar como um convite pra um ménage a trois)

Minha sogra fez (e faz) diversos comentários esquisitos sobre gravidez. Vou falar sobre eles aqui no blog qualquer hora dessas. Ainda bem que passei umas oito semanas da gestação sem precisar ouvi-los. Mas a verdade é que continuo não ouvindo muito o que ela diz, pois sempre ligo o filtro.

26 comentários 08/06/2009

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